2006/08/30

FIGOS vs UVAS...Aproxima-se o Outono

"Quem quer figos, quem quer almoçar?!..."
Pregão típico de Lisboa em tempos idos...
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Vem esta fotografia tirada a figos colhidos da minha figueira do meu quintal/jardim, a propósito dum post sobre "as colheitas" - assim deste género, segundo creio, num outro jardim que também tem umas árvores de fruto, como que a dizer que também elas são dignas de fazer parte do conjunto - com que a 3za nos presenteou recentemente.
Como prometido!

2006/08/29

Os bolos da Terceira e a Rainha D. Amélia



Os Açores não são só beleza para os olhos, são também um consolo para o paladar...

A alcatra, o pão de massa sovada... e estes bolinhos que encontrei numa das pastelarias mais conhecidas em Angra!...

Gostei particularmente das "Donas Amélias". Feliz e deliciosa homenagem à Rainha D. Amélia, que, certo dia, em 1901, visitou a ilha Terceira. As gentes da Ilha ofertaram-lhe os melhores bolos da região que, por esse facto, se chamam agora, Donas Amélias (*).

Conta a minha sogra, que nasceu há 87 anos no Raminho, que quando da visita de Suas Majestades D. Carlos e D. Amélia, foram escolhidas as mais bonitas meninas solteiras para os servir; entre elas uma sua tia-avó, dos Altares.

(*) O dito bolo saborosíssimo que não me cansei de provar e degustar é o que se pode ver no canto superior esquerdo da foto acima.

2006/08/26

Rochas - Mar - AÇORES


As rochas sobre o mar da Terceira!
Uma vertigem
Um sonho
Pasma-se!
Cisma-se

O Mar e as Rochas
da Terceira

A Natureza
Nua
Crua

DEUS!
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Não admira, pois:

(Praia da Vitória, na Rua de Jesus, a Rua central da cidade, ou noutra, um dos muitos painéis de azulejos, expostos nas paredes em locais bem visíveis, em justíssima homenagem aos poetas portugueses de todos os tempos e das mais variadas projecções mediáticas, incluindo os poetas locais com quadras de enlevo pela sua cidade, Natália Correia,Vitorino Nemésio (que aqui nasceu), Almeida Garrett (que aqui viveu alguns períodos), Antero de Quental, Fernando Pessoa e tantos outros lídimos representantes da escrita lusíada, universal e que se deseja perene...)

2006/08/24

GERAÇÃO BLOGUE (Blog)

1ª Edição, Lisboa, Agosto, 2006
  • Para além da excelência da forma de tratar do tema dos blogs e do seu contributo decisivo para transformar a Internet numa imensa infra-estrutura de discussão e de memória do conhecimento humano, há a realçar a extensa e interessante Bibliografia, que muito poderá ajudar os interessados.
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PLANO NACIONAL DE LEITURA

A Resolução do Conselho de Ministros nº 86/2006 aprova este plano e cria a respectiva comissão.
De relevar, nesta oportunidade, que uma das acções previstas com vista à prossecução dos objectivos preconizados por este Plano Nacional de Leitura é o apoio a blogs e chat-rooms sobre livros e leitura para crianças, jovens e adultos.
Pela leitura, reconheço que superficial, para já, retive como o objectivo fundamental do PNL:
Criar um ambiente social favorável à leitura
(Mais pormenores:
http://dispersamente.blogspot.com/2006/07/plano-nacional-de-leitura.html)

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No texto daquela Resolução usa-se expressamente o vocábulo blog.
Entretanto, começamos a sentir a necessidade de adoptar uma palavra portuguesa quando nos queremos referir a este recente e revolucionário meio de comunicar via Internet. Devemos começar a utilizar a expressão blogue como já se encontra impresso em título do livro cuja capa se apresenta?
A tradutora da versão original, Maria das Mercês Peixoto, optou por o fazer. Está-se mesmo a ver que no futuro próximo as hesitações vão ser frequentes. Na minha opinião, atendendo a que esta palavra não tem correspondência, na plenitude do seu significado, a nenhuma palavra do vocabulário da língua portuguesa, penso que deveremos utilizar a expressão blog em vez de blogue.(1) Por enquanto…
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A blogosfera é o lugar da conversa sobe o mundo. Nela existem pessoas que trocam opiniões sobre a realidade e contribuem para enriquecer a percepção que cada um tem do meio social, político e cultural em que todos vivemos”. Através dos blogs (ou blogues) os indivíduos “participam no grande jogo de influências chamado opinião pública”.
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Os blogues e o jornalismo tradicional são complementares, são duas áreas diversas do ecossistema dos media, fortemente interligadas mas com regras e equilíbrios diferentes.
Os blogues são, entre outras coisas, uma grande oportunidade para o jornalismo
”.
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(1) Veja-se o caso da expressão inglesa “scanning”. A dificuldade em traduzir esta palavra é flagrante. Só inventando uma palavra ou adoptando a versão inglesa no vocabulário do português. Começa a vencer a segunda opção. Scanning é a actividade de um cidadão que examina muitas fontes e que lê apenas aquelas de que necessita para os seus objectivos. O mesmo se passa com o scanning que se faz às estações emissoras de rádio. Tenho a experiência de radioamador há mais de 20 anos e desde então não conseguimos substituir aquela palavra sem que se perdessem as tonalidades evocativas daquele vocábulo inglês.

2006/08/23

Choro já de saudade!

(Antigo porto baleeiro de S. Mateus - Terceira. Em terra decorria uma largada de toiros à corda, mesmo aqui ao meu lado. 18 de Agosto de 2006)
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TERCEIRA
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Tantas vezes me falaste da tua Terra, Mãe!
Tantas vezes sonhei poder vê-la, senti-la…
Tantas vezes pensei ser isso apenas um sonho!

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Mas aqui estou, Mãe, na tua Terra.
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Um sonho tornado realidade!
Um sonho de beleza que fundo nos toca!
Um sonho de contrastes, de tranquilidade!
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Vou partir.
E choro.
Choro já de saudade
Desta Terra tão linda
Que é a tua, Mãe!
E que agora, sinto, é também a minha!
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Terceira, ilha encantada.

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Zaida

2006/08/22

TERCEIRA- Açores (I)


Um dia destes da semana passada, na zona de Feteira, seguíamos em passeio auto, já com a Ilha da Terceira na cabeça do nosso guia-mor (o Carlos Moura) e tirei esta foto.
Ao fundo, os Ilhéus das Cabras, zona de protecção especial. Um ponto de referência inigualável.
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Nota: Após uma estada de 8 dias na Ilha Terceira, depois de uma viagem perfeita, melhor aterragem, aproximação ao Aeroporto de Lisboa com as reverberações douradas e alaranjadas do amanhecer a projectarem-se no horizonte marítimo e nas luzes da cidade, apesar de já virmos com quase 24 horas de atraso devido a problemas técnicos de última hora, ainda no Aeroporto, cansados mas felizes, cá regressámos ao "contenente".
Quantas recordações de todos os cantos e recantos daquela Ilha fantástica nós não trazemos! Da sua capital Angra, património histórico da Humanidade, da cidade da Praia da Vitória e dos múltiplos painéis de azulejos colocados nas paredes das ruas, com pequenos excertos de poesia e respectivos bustos de autores portugueses, e de tantos outros lugares e momentos! O Carlos Moura (prof.) está a compilar material para colocar na Net.
Vão espreitando o
http://clubedearqueologia.blogspot.com

2006/08/12

FOGO!...

Foto que tirei hoje, dia 11 de Agosto de 2006. Um avião ligeiro, já a tarde caía no horizonte, de regresso à base, depois de ter lançado 2.500 litros de calda retardante sobre o fogo que lavrava na floresta ali perto, Leiria, Portugal. Uma desgraça que traz este povo português mais ansioso, como se já não tivéssemos motivos mais que suficientes para tal.

2006/08/10

IV - Maomé e o Islão

Em 476 d.C. o imperador do Ocidente Rómulo Augusto é deposto e termina o Império Romano do Ocidente.
Em 484 após peripécias várias consuma-se a ruptura entre as igrejas do Oriente e Ocidente que teve por ponto de partida oficial o edital de união o Henotikòn, que foi rejeitado por ambas as partes em conflito.
Mudemos a fasquia do tempo e situemo-nos entre 567 e 573, provavelmente em 570. Em Meca (Makka) nasce de Abd Allah e de Amina, Maomé (Muhammad) do clã Hashim da tribo dos Quaraysh.
Neste tempo, os Árabes tinham uma fé muito simples. Tal como os antigos Babilónios, adoravam as estrelas e também uma pedra que acreditavam ter caído do céu, que estava (e lá continua…) num santuário, o Santuário de Caaba, na cidade do oásis de Meca. Ainda hoje, os Árabes de todo o mundo, fazem peregrinações para irem lá rezar.
Desde muito novo que Maomé, a quem apelidavam de “Confiável”, mostrava muito interesse pelas religiões e gostava de conversar, não só com os peregrinos árabes que vinham ao santuário de Meca, mas também com cristãos que vinham da Abissínia, e Judeus, que viviam em grande número nas cidades dos oásis da Arábia. Nessas conversas o que realmente o impressionava era que todos esses peregrinos falavam dum Deus único, invisível e todo-poderoso. Em consequência, também ouvia falar de Abraão e José, de Jesus Cristo e de Maria.
Por volta do ano de 582, diz a tradição, Maomé, é preanunciado por um frade de nome Bahira como o Profeta que se avizinha.
No ano 610 d.C. Maomé recebe a inspiração divina para a primeira fase do alcorão. À terceira visão do arcanjo Gabriel, Maomé ficou a saber que ele era o Profeta através de quem Deus – Alá em árabe - ia dar a conhecer os seus desejos para a humanidade.
A nova religião que Maomé começa a pregar entre os Árabes é o Islão, que significa “abandono à vontade divina”. Os líderes tribais que guardavam o santuário começaram a ver em Maomé um adversário perigoso, razão pela qual, o Profeta acabou por se refugiar numa cidade noutro oásis, que mais tarde se haveria de chamar Medina, “a Cidade do Profeta”. Esta fuga ficou conhecida como Emigração – “Hégira” em árabe e aconteceu no dia 16 de Julho de 622 (calendário cristão). Os seguidores de Maomé passaram a contar os anos a partir desta data, começando assim a era muçulmana. (**)
Em Medina, Maomé explicou aos seus seguidores como Deus se revelou a Abraão e Moisés, como falou aos homens através da boca de Cristo e como o tinha escolhido a ele, Maomé, para ser seu profeta.
Deus único – Alá, revelado aos homens pelo Profeta Maomé, recompensa eterna para os justos, castigo eterno para os descrentes e maus e guerra santa contra os infiéis (jihad em árabe) constituem os fundamentos básicos desta religião, passados a escrito para um livro, que agora se chama Alcorão (ou Corão).
A descrição do Paraíso prometido aos seguidores da doutrina de Maomé é, de facto, uma maravilha irresistível para os crentes: (*)Maomé com as suas pregações ganhou enorme poder e prestígio, o que lhe permitiu organizar um exército com o qual derrotou e conquistou a cidade de Meca, da qual havia sido expulso.
Antes de morrer Maomé exortou os seus seguidores a rezar cinco vezes por dia, virados para Meca, a não beber vinho e a serem corajosos.
Maomé morreu em 632.
Os futuros representantes de Maomé eram os designados “califas”, os primeiros dos quais foram Abu Bakr e Omar, que se lançaram numa ofensiva vertiginosa em todas as direcções a partir de Meca. O zelo religioso era tal que os guerreiros árabes em pouco mais de 10 anos já tinham conquistado a Palestina, a Pérsia e o Egipto (que ainda fazia parte do Império Romano do Oriente, embora já muito enfraquecido). Este fogo religioso e militar avançou rapidamente da Pérsia até à Índia, do Egipto para todo o Norte de África.
A partir de 670, os exércitos árabes tentaram mas não conseguiram tomar Constantinopla, a antiga capital do Império Romano do Oriente. É nessa época que os Árabes conquistam as ilhas de Chipre e da Sicília, a partir de bases em África. De seguida, atravessaram para a Península Ibérica, que conquistaram aos Visigodos. O objectivo seguinte era tomar as terras onde hoje se situam a França e a Alemanha, que não foi atingido porque Carlos Martel, rei dos Francos, venceu duas decisivas batalhas, estávamos em 732, em Tours e em Poitiers. Se tal tivesse acontecido provavelmente hoje, na Europa, poderíamos ser todos muçulmanos.
Entretanto, este ímpeto expansionista Árabe, acalmou. A história continuou a seguir o curso dos séculos.

Sem dúvida que, em jeito de balanço sintético e apesar de todas as lutas sangrentas em que se envolveram em nome do Islão, muito do que é a civilização actual se deve à capacidade de síntese que os Árabes acabaram por demonstrar, fazendo o aproveitamento científico e cultural do que de melhor existia entre os povos que iam subjugando.
Resumidamente:
1) Os chamados arabescos resultaram do uso de belos padrões intrincados e entrelaçados de linhas de muitas cores, com os quais decoravam os seus palácios e mesquitas, já que a sua religião lhes proibia a reprodução de pessoas ou animais;
2) Com os Gregos aprenderam a coleccionar e a ler livros em vez de os queimarem. Traduziram para Árabe, os escritos de Aristóteles e, desta maneira, iniciaram uma autêntica revolução nas ciências; os nomes de muitas das ciências têm origem Árabe como a química e a álgebra;
3) Com os Chineses aprenderam a fabricar papel;
4) Durante séculos os Árabes contavam histórias de maravilha para transmitirem os seus conhecimentos e os factos e tradições da vida das suas Nações e tribos. Mais tarde passaram-nas por escrito. Quem não recorda a leitura das histórias de espantar do livro “As Mil e Uma Noites”?;
5) O sistema de numeração decimal que hoje usamos, em vez do sistema Romano (por exº 112 em vez de CXII) e que tantos benefícios trouxe ao cálculo matemático, devemo-lo aos Árabes que, por seu turno, o recolheram dos Indianos.

O rumo da história da humanidade levou a que os Árabes tivessem sido derrotados antes de conseguirem entrar na Europa Central, Oriental e parte da Ásia, mesmo assim conseguiram, através das suas conquistas que as ideias e os conhecimentos dos Persas, Gregos, Indianos e Chineses (através de prisioneiros de guerra) se reunissem numa cultura geral que muito veio beneficiar o homem.
Moral da história. Os conquistadores não conseguem governar para sempre mesmo em nome de Deus!


(*) Os Fiéis descansarão em grandes almofadas, reclinados e virados uns para os outros. Entre eles andarão mancebos imortais com taças e cântaros cheios de um néctar puro, que não produzirá nem dor de cabeça nem embriaguez. Lá haverá de todos os frutos, e carne de todas as aves, tanta quanta desejarem, e donzelas com olhos de corça tão belas como uma pérola oculta. Debaixo de árvores de lótus sem espinhos e bananeiras carregadas de frutos, a sombra prolonga-se e a água corre, e os Abençoados descansam. Os frutos estão a seu alcance e as taças de prata andam sempre a circular. Sobre si usam vestes de rica seda verde e brocados, adornadas com fivelas de prata.
(**) A era Cristã começou com o nascimento de Jesus Cristo.
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(continua: – O Médio Oriente no séc. XX e XXI)

@as-nunes

O Médio Oriente – Síntese Histórica

Publicado até à data:
ÍNDICE:

HISTÓRIA da HUMANIDADE - Início
http://dispersamente.blogspot.com/2006/07/histria-da-humanidade-incio.html
MÉDIO ORIENTE - Visão Bíblica 1-n
http://dispersamente.blogspot.com/2006/08/mdio-oriente-viso-bblica-1-n.html
Uma visão pró-Palestiniana
http://dispersamente.blogspot.com/2006/08/uma-viso-pr-palestiniana.html
II – O Judaísmo e a Palestina
http://dispersamente.blogspot.com/2006/08/ii-o-judasmo-e-palestina.html
III – Judeus, sem pátria
http://dispersamente.blogspot.com/2006/08/iii-judeus-sem-ptria.html

(continua)

2006/08/07

III – Judeus, sem pátria


Como já foi dito, Jesus Cristo nasceu na Palestina, ocupada pelos Romanos.
Augusto reinou de 31 a.C. até 14 d.C.
Cristo foi acusado de querer ser o Rei dos Judeus e, por isso, por ser considerado um judeu rebelde e que não queria colaborar no endeusamento do César dos Romanos, foi condenado por Pôncio Pilatos a ser pregado numa cruz, o que constituía a maior humilhação para a época.
Esta cruz de vergonha e sofrimento passou a ser o símbolo do novo ensinamento e passou a ser anunciado através do Evangelho, ou Boa Nova (tradução do grego eu-angelion, ou Evangelho). Ter presente que os escritos que constituíam o Antigo Testamento já tinham sido levados para a Grécia e lá traduzidos.
Esta Boa Nova passou a ser a base do Cristianismo. Deus, que é Pai – símbolo de compaixão pelos pobres e oprimidos.
Este Deus único e invisível era o mesmo em que os Judeus já acreditavam antes de Cristo.
Por adorarem um Deus diferente que os próprios Césares dos Romanos, quer os Cristãos quer os Judeus passaram a ser severamente punidos pela lei Romana.
Alguns anos depois do reinado de Nero, estalou em Jerusalém uma revolta contra os Romanos. Desta revolta resultaram lutas sangrentas entre os habitantes de todas as cidades judaicas e as legiões romanas. Após vários anos de fome e cercos, os Judeus foram expulsos de Jerusalém (os que escaparam da crucificação e dos massacres), e assim começou a sua saga, espalhados pelos quatro cantos do mundo, ficando, a partir daí, sem pátria.
Mantiveram, apesar de dispersos pelo Mundo, as antigas tradições judaicas, liam a Bíblia e passaram a distinguir-se dos Cristãos pelo facto de manterem a crença que o Messias que os havia de salvar ainda não tinha chegado, o que acontece até aos dias de hoje.
Passaram a dedicar-se ao comércio e à finança, actividades em que se tornaram exímios e ainda hoje os destacam da maior parte dos povos.(1) (2)
Na Diáspora, tiveram que suportar muitos rancores e incompreensões, sofreram os horrores do fanatismo da Inquisição da Igreja Católica, foram expulsos e espoliados de Portugal e outros países e, mais recentemente, foram massacrados aos milhões pelos Nazis no decorrer da II Guerra Mundial. O Holocausto existiu!
A época pós II Guerra Mundial será tratada em capítulo destacado dado ser uma época determinante na evolução vulcânica de toda a zona do Médio Oriente actual e na orientação estratégica das políticas internacionais de vários países, com influência decisiva na vida económica, social e religiosa de toda a humanidade.
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(1) Tiveram mesmo de se dedicar a essas actividades, nos séculos passados, pois era-lhes negada a posse de quaisquer propriedades ou o exercício de profissões liberais; ademais, sendo forçados a viver em ghettos.
Alda Maia (ver comentário)
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(2)Também a prática bancária foi abraçada pelos judeus pelo facto de não estarem sujeitos às regras da Igreja Católica que proibia a prática da usura. Tal facto levou a que muitas vezes fossem vistos como aqueles a quem se devia dinheiro, facto esse explorado até à exaustão, por exemplo, pelas ideias racistas do século XX, nomeadamente o nazismo.
Portugal, depois da expulsão dos judeus, no reinado de D. Manuel I, não só expulsou o único grupo com capacidade económica para financiar os descobrimentos, como expulsou grande parte da elite intelectual do país e que tinha tido um papel fundamental nas viagens além-mar. Quem beneficiou com isso foi a Holanda, potência que, não por coincidência, se viria a impor no século XVII.
"Tozé Franco" (Ver comentário)
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Imagem acima:
O judeu errante, pintura de Gustave Doré
O Judeu Errante é um personagem mítico, que faz parte das tradições orais cristãs.
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(continua)

2006/08/04

II – O Judaísmo e a Palestina

A zona do Médio Oriente que com o decorrer dos séculos passou a chamar-se Palestina, foi, no princípio do segundo milénio antes de Cristo habitada por diversas etnias sedentárias designadas por cananeus. Mais a Norte, na Mesopotâmia (actual Iraque), na Síria e no Líbano, viviam, entretanto, povos semitas de variadas origens (Arameus, Amoritas, Caldeus).
No séc. XV a.C. tribos aramaicas instalam-se na região de Canaã (a Palestina) e dão vida à cidade que hoje se chama Naplusa. Esses povos passam a designar-se por “Ibrim(1).
Segundo narra a Bíblia (capítulo XII do Génesis) este acontecimento está directamente relacionado com o aparecimento de Abraão, vindo da cidade de Ur.
Muitos destes Hebreus prosseguem na caminhada até ao Egipto onde se sedentarizam em terras oferecidas pelos faraós e onde se cruzam com outros povos.
Por volta do ano de 1250 a.C. uma nova dinastia sobe ao poder no Egipto que acaba por reduzir os Hebreus à escravidão até que, no séc. XI a.C., dirigidos por Moisés, os Hebreus conseguem evadir-se, atravessam o Sinai, sobem os montes Moabe, na Transjordânia (actual Jordânia). Segundo a Bíblia, é desta época a revelação divina, através da qual se firma uma aliança entre Deus, o Único, Jeová, e o seu povo eleito, os Hebreus. Moisés, ainda segundo a Bíblia, recebe a tábua dos Dez Mandamentos, directamente de Jeová.
A partir daqui os Hebreus tomam Canaã, depois de destruírem Jericó, sob o comando de Josué. Para o efeito tiveram de franquear o rio Jordão.
Por volta de 1.200 a.C. chegam à Palestina os Filisteus (2), que se cruzaram com a gente de Canaã, por sua vez já uma mistura de povos completamente mestiçada com os Hebreus, e organizam numa confederação de Povos para entrar em disputa com os Hebreus vindos do Egipto.
Depois de muitas lutas, David, considerado o primeiro Rei dos Hebreus (1066-996 a.C.), vence os Filisteus e impôs um império hebreu que se estendia do Eufrates ao Nilo (3). No seu reinado foi tomada a cidade de Jebus (dos Jebuseus), que passou a ser designada por Jerusalém e a ser a capital dos Hebreus.
Salomão, filho de David, que lhe sucedeu como rei dos Hebreus, transformou Jerusalém na metrópole religiosa do Judaísmo (4)
Após a morte de Salomão há uma cisão entre as tribos deste enorme reino dos Hebreus que se cinde em dois: Judá e Benjamim que constituem o reino de Judá, que detém o poder sobre Jerusalém; as tribos de ISRAEL que formam o reino de Samária, entre 926 a 722 a.C. com a capital política em Sicheme (actual Naplusa).
As tribos de Israel lutam ferozmente entre si e acabam por ser deportadas para a Babilónia, depois de os Assírios e os Babilónios os atacarem e submeterem.(5)
O reino de Judá teve uma duração de 925 a 587 a.C. mas teve o mesmo destino que os de Israel, depois de duas revoltas a segunda das quais é esmagada por Nabucodonosor e durante a qual mandou arrasar o templo de Jerusalém.(6)
Depois dos Persas terem conquistado a Babilónia, em 539 a.C. o rei Ciro liberta os judeus e estes reentram na Palestina. O templo é reconstruído a suas expensas.
Depois de todas estas vicissitudes, o povo Hebreu, começa a afrontar-se por três tendências: integração, assimilação e racismo teocrático(7).
No decorrer dos 3 séculos imediatamente antecedentes a Cristo os Judeus conseguiram reconstituir praticamente todo o antigo império de David e houve inúmeros povos da zona que se converteram ao Judaísmo.
Os Romanos invadem a Palestina em 63 a.C. e ocupam Jerusalém. O célebre Herodes o Grande é quem reina no tempo em que surge Jesus.
Jesus é, então, identificado como “um certo palestiniano de fé judaica”.
Segundo algumas opiniões, só em 49 d.C. é que surgiu definitivamente o princípio da segunda religião monoteísta do Mundo: o Cristianismo. A partir duma cisão do Judaísmo.
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(1) Os que vêm da outra margem do rio já que eles transpuseram o Eufrates para se instalarem em Canaã. Do termo “ibrim” acabou por resultar no nome “HEBREUS”.
(2) Povos vindos de Creta e que fundaram as cidades de Gaza, Ascalon, Ecron e Gad ( a Pentápole). Formaram uma confederação com outros povos vindos das Ilhas do Mar Egeu a que se passou a chamar “a liga do mar”.
(3) Esta razão histórica fundamentou a teoria dos sionistas judeus que, a partir do séc. XIX, começaram a reivindicar um Estado que abrangesse toda aquela área.
(4) A primeira religião monoteísta do Mundo.
(5) Os babilónios povoaram então a Samária (reino de Israel), e mestiçaram-se com os hebreus. Estes povos, os Samaritanos, ainda têm descendentes a viver em Naplusa.
(6) O Antigo Testamento foi escrito no decorrer deste exílio.
(7) É nesta altura que se destacam dois sacerdotes que escrevem as chamadas “Crónicas”. São eles Esdras e Nehemias. É nessa data que é formulada a “Lei” que até hoje regula a vida dos judeus e do Estado de Israel: interdição do casamento misto, vida quotidiana pautada pela Lei, que os judeus são obrigados a conhecer, interpretar, explicar. Estes livros integram a “Bíblia2000” – publicações Alfa.
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(continua)

2006/08/01

Uma visão pró-Palestiniana

Este livro deu entrada na minha biblioteca em 24 de Outubro de 1973. Poucos anos passavam desde a célebre Guerra dos seis dias em que os Israelitas derrotaram inapelavelmente os exércitos dos países Árabes de que se encontra rodeado.
A autora, Ania Francos, é de ascendência judaica, embora, segundo declara na sua "introdução" tal facto não tivesse grande significado para ela. E prossegue dizendo que o judaísmo foi a religião dos seus antepassados, mas que ela era ateia, à semelhança de seus pais; ele morreu deportado em Auschwitz e era apátrida, ela era Polaca. A autora nasceu em França no dealbar da Primeira Guerra Mundial.
Em deteminada altura escreve: "o inconforto irrompe nos meios europeus, recentemente convertidos à causa palestiniana, para os quais um judeu é sempre suspeito, sobretudo quando se recusa a entrar num molde. O anti-semitismo, o seu peso, senti-o bem na Europa; raro porém entre os Árabes; e jamais no convívio de palestinianos."
O livro é, declaradamente, uma apologia da causa palestiniana...
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Ed. Portugal: Seara Nova - 1970

MÉDIO ORIENTE - Visão Bíblica 1-n


Primeiras genealogias da humanidade

As primeiras genealogias justificadas através das narrativas do Primeiro livro das Crónicas conduzem-nos biblicamente a Israel e David.
Segundo esses livros das Crónicas o fio condutor das primeiras genealogias seria como segue:



Jacob, ou Israel, é visto como o pai dos doze antepassados das tribos de Israel.
As tribos que tiveram maior predominância no desenvolvimento da genealogia desde Adão a Israel, foram:
- Judá: David e Salomão são descendentes desta tribo;
- Levitas (de Levi): estavam encarregados do culto de Javé (*);
- Benjamim: Jerusalém e o Templo estão situados no território desta tribo.

(*) “Javé é Deus”

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Deus me ajude! E os homens sabedores desta matéria!

Para começar, as dicas que o prof. Carlos Moura já deixou aqui expressas em comentários ao post anterior, abriram-me alguns caminhos!