2007/08/21

S. Francisco de Leiria

Hoje, ao princípio do dia, férias cá dentro, tomava um pequeno almoço, ali numa esplanada do CC Maringá (bem que se lhe podia ter dado outro nome, mas enfim. Porque não CC S.Francisco?, por exemplo? É verdade que, mais tarde, foi instalado, nas proximidades, um Centro Comercial com este nome, na mesma Rua de S. Francisco(*)). Claro, tinha que andar com a minha máquina fotográfica a tiracolo, a Zaida já nem me diz nada, olhei, voltei a olhar, aquele contraluz duma manhã cristalina, algo fresca, esta mota, ao fundo os ciprestes do Cemitério de Sto. António do Carrascal, lá no alto, o conjunto da Igreja de S. Francisco(**), requalificada nos anos 90 do séc. passado. Como resitir à magia deste momento?!
Todas as árvores são um encantamento para mim. E se as há que me seduzem perticularmente - pela sua beleza, pela sua variedade dentro da grande família Quercus, uma delas é o Carvalho. Já fotografei diversas vezes uns carvalhos do género deste que vos mostro em primeiro plano, jovens, que estão em pleno vigor num recanto ajardinado nas traseiras da Igreja de S. Francisco (estamos em Leiria - sem esquecer que esta igreja também esteve ligada a um convento).
Muito sinceramente, não consegui ainda classificá-lo com o rigor indispensável, limitei-me a olhá-lo e comparar o recorte das suas folhas com os manuais de Botânica que tenho ao meu dispôr, eu que ando somente a tentar aprender os nomes das árvores de Leiria, a ver se consigo familiarizar-me com elas um pouco mais. Parece-me ser um Quercus velutina.
- Conforme se pode observar na fotografia acima, ao lado da igreja de S. Francisco, foi construída, segundo se julga pelo Bispo D. Miguel de Bulhões, um pouco à frente e ao lado, com limite para a Rua já referida, uma "capela dos Terceiros".
Nela está incrustada uma pedra com as armas da Ordem Terceira de S. Francisco, cuja fotografia desta data mostra o seguinte brasão:
Partida: na primeira as chagas de S. Francisco;
na segunda as armas de Portugal.
Na base lê-se a legenda: ANNO 1719.
Na fachada principal da Igreja existe outro brasão da mesma Ordem, algo mutilado.
A Ordem de S. Francisco foi muito influente em Leiria, tendo eu lido, recentemente, que em 1905, havia a Procissão dos Passos que, no itinerário de Jesus no seu Calvário, saía da Igreja de S. Francisco e seguia os seus Passos até à Sé de Leiria. Permito-me mostrar um excerto da fotografia digital que tirei hoje mesmo, no Arquivo Distrital de Leiria, extraída do Semanário "Leiria Illustrada", nº 15, de 17 de Março de 1905 (tendo em conta que o nº 14 saíu à estampa em 9 de Março de 1905 - não anotei a data precisa nem tal ficou na foto).
O Arquivo Distrital de Leiria possui um acervo assinalável de jornais e outra imprensa de épocas remotas.
A consultar, incluindo o seu site na internet.
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(*) A Rua de S. Francisco vai da Rua Capitão Mouzinho de Albuquerque à Rua Dr. Américo Cortês Pinto (a rua ao longo do Marachão, que vai dar ao Teatro José Lúcio da Silva). Tem este nome por Alvará do Governo Civil, de 18-12-1877.
(**) Esta Igreja, que há muito ameaçava ruir, pertencia ao conjunto do antigo Convento de S. Francisco. Hoje, depois de vicissitudes várias quanto à sua propriedade e destino na sequência da extinção das ordens religiosas(***), está restaurada e aberta ao culto. A Igreja de S. Francisco, Leiria, esteve no centro de algumas polémicas relativas à jurisdição das igrejas de Leiria. Em 1503, na Igreja de S. Francisco de Leiria, uma bênção episcopal lançada por D. Jorge de Almeida, deu azo a processos e contestações, em termos da "luta" que então se travava entre o Bispo de Coimbra e os Cónegos Regrantes de Santa Cruz, que detinham um enorme e velho poder. (conforme se pode inferir da leitura dos trabalhos abaixo assinalados em que uma quota importante é da resposnabilidade do historiador Prof. Dr. Saul Gomes). Mais se poderá apurar pela leitura da bibliografia abaixo referida, mas não, ao que é do conhecimento público, em relação à data precisa da construção desta igreja.
(***) Ver "Leiria-subsídios para a História da sua Diocese" - A. Zúqute; "Anais do Município de Leiria" - João Cabral - vol I - 2ª ed.revista e aumentada - CML 1993; "Catedral de Leiria" - ed. "Diocese de Leiria-Fátima" - Leiria 2005; e "Organização paroquial e jurisdição eclesiástica no priorado de leiria" - Saul Gomes.
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5 comentários:

al cardoso disse...

Devido a sua rebustez e porque sao tambem uma especie endemica da nossa Beira (a alta) os carvalhos sao arvores que adoro, so nao sei infelizmente os seus nomes tecnicos. Para sabe-los posso sempre aqui vir visita-lo!

Um abraco amigo f/algodrense.

as-nunes disse...

Caro amigo AL
Estou de saída. Acordei por volta das 9 e tal (estou de f+erias, atenção). E sabe o que me deu? Vou um bocadinho ao Arquivo Distrital de Leiria. Ando a ler os jornais do princípio do séc. passado. Um espectáculo quando tomamos conhecimento de situações e factos que, agora, na actuallidade, concluímos que tiveram imensa influência na nossa vida actual.
... Ah, fiquei a saber que o snr. Visconde da Barreira (terra onde vivo), em Junho de 2005, ficou retido no seu leito, por ter sido atacado com o vírus da gripre (que chamavam taxativamente... influenzza). Muito obrigado pelas suas visitas e que tudo esteja a correr de feição por esses lados. A ver se o Dean não incomoda muito mais gente.
Um abraço
antónio

Bichodeconta disse...

Atento o fotógrafo..Parabéns.. Um abraço..

arte por um canudo 2 disse...

Sempre atento ao que o rodeia é um prazer ler o que se vai escrevendo neste blogue.Um grande abraço António.

arte por um canudo 2 disse...

Ah, Boas férias...