2007/04/30

Alucinações!...

(clic nas fotos para ampliar)
Decididamente! Eu é que devo andar com alucinações!
Só vejo painéis publicitários a tapar a vista das coisas bonitas da cidade de Leiria!
As obras anunciadas por este placard já foram feitas há anos. Para quê esta bodega deste placard, ali a tapar-nos a vista, como que a embirrar com o nosso olhar...ou ao contrário? Caramba, já começa a ser de mais! Quer-se transformar Leiria na cidade dos placards?
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2007/04/29

22:45 tmg - Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra
Recentemente morreu um colega de trabalho e amigo, com 58 anos de idade. A este caso já me referi em duas entradas anteriores. Nos últimos anos, tivémos ocasião de falar várias vezes sobre a questão dos ex-combatentes das Guerras Coloniais e da luta que estes, através das suas associações espalhadas pelo país, têm vindo a travar com vista ao reconhecimento da sua condição de ex-combatentes, hoje com 60 e mais anos, na sua maioria. Essas reivindicações são várias e justas, na medida em que é urgente que o Estado Português reconheça as dificuldades físicas e psíquicas em que esses ex-combatentes vivem na actualidade, numa grande parte em consequência das terríveis experiências que foram obrigados a viver pelo facto de terem sido mobilizados para o ex-Ultramar, em plena juventude, e terem sido submetidos a situações de extrema tensão emocional, a sofrerem de difíceis situações de stress pós-traumático que os têm afectado para o resto das suas vidas. Não nos devemos esquecer que a maior parte destes jovens da altura, perderam em média 3 a 4 anos da sua vida a sofrer, lutar e morrer em vez de estarem a preparar-se para o início das suas carreiras profissionais, quantas irremediavelmente adiadas e/ou dramaticamente transtornadas.
Enviei para a APVG por e-mail o post em que me referia ao falecimento de José Manuel Solipa, ex-Alferes miliciano, atirador de Infantaria, em Moçambique na zona do Zambeze, perto da fronteira. A Direcção desta Associação manifestou-se muito sensibilizada por mais uma situação dum Veterano das Guerras Coloniais, que morre sem ter visto resultados minimamente palpáveis da longa luta que os sobreviventes têm vindo a travar contra o esquecimento e ostracismo a que foram votados todos estes anos (33 anos pelo menos; quantos, entretanto, já não ficaram pelo caminho?).
Aqui deixo o link para a APVG a fim de que os leitores deste blogue possam ter oportunidade de se informar sobre os objectivos perseguidos por este movimento cívico.
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18:00 tmg - Ainda a questão dos placards


Será só embirração minha?!
Eu queria era ver à vontade, o Jardim Luís de Camões, em Leiria!

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2007/04/28

2007/04/25

Carvalho com mais de 1.000 anos?

Fotografia de Guilherme Nunes de Moura (8 anos)

Fotografado no dia 25 de Abril de 2007. Talvez um Quercus canariensis ou Es P. Q. faginea Lam. (Carvalho-português) também típica da Península Ibérica, pode atingir 30 m. Tem folhas marcescentes, sinuado-dentadas, tormentosas na página inferior. (clic em cima das fotos para uma melhor observação).

Devo alertar os leitores, mais uma vez, de que sou um leigo nesta matéria, a fazer um grande esforço para proporcionar informação fidedigna, sempre na expectativa duma possível ressalva, como resultado de alguma chamada de atenção num comentário ou e-mail, ou por via de estudos mais aprofundados. Aproveito, também este ensejo, para, mais uma vez, realçar a qualidade e variedade de informação sobre botânica, que tem vindo a ser publicada no dias-com-arvores, um sítio que visito com muito prazer, frequentemente.

Para observar este mesmo carvalho, na altura ainda sem folhas, consultar link (aqui), local onde também se pode saber algo mais da história deste "monumento".

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25 de Abril de 1974
Aqui Quartel General do MFA

Canções populares
Marchas militares
Comunicados
33 anos são passados…

Quantas Emoções
Quantas Manifestações
Quantas Comissões

Quantas Ilusões!

Desfeitas?!...

Não
Quero crer que não!

2007/04/22

"Alcança quem não cansa" (3)

Sabem os meus amigos que o nosso colega bloguista e sentido poeta, Luís, o bufagato foi convidado pelo Vereador do Pelouro da Cultura da Câmara Municpal de Maia para participar e ser homenageado numa sessão pública na Biblioteca Municipal? Fiquei muito satisfeito por ter tomado conhecimento desta informação e só lamento não poder estar presente. Muitos parabéns Luís.
Penso que o ensejo é o apropriado para se chamar a atenção dos responsáveis pela Cultura neste país, no sentido de prestarem mais atenção às excelentes manifestações culturais e artísticas que se têm apresentado na blogosfera.
Não há que ter medo dos bloguistas nem da blogosfera. É que há momentos em que até parece que o fenómeno blogosférico é apresentado aos olhos do público em geral, como um demónio a combater e a ser votado ao ostracismo e indiferença, como forma de forçar a sua não visibilidade pelos que ainda não vêem à Net, ou porque não sabem, ou não porque não querem, por comodismo, ou não podem.
Seria bom que se atentasse com mais cuidado no que está escrito no Plano Nacional de Leitura. Uma das formas a dar particular atenção no sentido de promover o gosto pela Leitura deverá ser o Blog. Concordo plenamente, até pela experiência que já tenho destas andanças pela internet, a escrever e a partilhar dados e informação vária.
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Não queria deixar passar esta ocasião sem aflorar o facto de a Assembleia da República ter deliberado, muito recentemente, que eram horas de tratar de todas as formalidades conducentes à trasladação dos restos mortais de Aquilino Ribeiro para o Panteão Nacional.

A este propósito ocorreu-me que seria boa ideia falar sumariamente, embora, do livro daquele emérito escritor nacional, A Batalha Sem Fim, não só por ser um dos bons livros de Aquilino Ribeiro, mas também, pelas estreitas ligações do autor e do conteúdo desse livro com um lugar que muito me diz: a Praia do Pedrógão, concelho de Leiria. Aliás, a própria vida de Aquilino Ribeiro, está intimamente entrelaçada com aquele lugar e pessoas daquela zona, Coimbrão nomeadamente. Tanto assim é que existe no Pedrógão, uma rua com o seu nome.
Seguindo o que já está escrito sobre este assunto na monografia "Praia de Pedrógão - Locais, Gentes e Memória", Ed. Magno - 2006, de António Inácio Nogueira:
"Por volta de 1922 começa a escrever o romance A Batalha Sem Fim(1), onde nos conta a lenda da Cova da Serpa, retratando o Pedrógão de uma forma excepcional.
Na realidade, Aquilino Ribeiro andou pelas terras do Pedrógão e do Coimbrão, em 1922. Viveu alguns meses no Casal de Baixo, numa casa de Joaquim Ferreira Rocio. Era mais uma peregrinação de exílio, situação que sempre o fazia ausentar de Lisboa."
... Referindo-se a José das Neves Leal, um ilustre homem de letras, natural e com casa de família muito referenciada e bonita, no Coimbrão, o autor da monografia da Praia do Pedrógão, continua a escrever: "Na casa do Coimbrão foi fundada a Seara Nova, e comemorados os seus cinquenta anos. Por lá passaram, em diferentes circunstâncias, figuras ímpares da nossa cultura: João Soares (pai de Mário Soares), Eduardo Vieira, Almada Negreiros, Ary dos Santos, Adriano Correia de Oliveira, José Manuel Tengarrinha, Sotto Mayor Cardia, Alberto Ferreira, Fernando Namora, Alves Redol, Jaime Cortesão, Raul Brandão, Horácio Bio, Teixeira de Vasconcelos, Raul Proença, Câmara Reis, Augusto Abelaira, Carlos Eugénio, Humberto Gurreiro, Manuel Matias Crespo, António Reis, Adelaide Félix, Lopes Cardoso e Aquilino Ribeiro.
O Pedrógão deve a esta gente, pelo menos, a amizade que eles tinham a Aquilino. Se assim não fosse, hoje não haveria Batalha Sem Fim."
Aquilino Ribeiro morreu a 27 de Maio de 1963, precisamente na altura em que se preparava uma justa homenagem ao escritor. Tal era a amizade que unia o escritor a José Leal(4) que este livro lhe é dedicado expressamente.
O jornal, "O Século", a propósito deste livro escreveu, na altura: "As figuras do arrais Pedro Algodres, e a do filho José, embriagado de grandezas, assombram pela nitidez. A do senhor juiz de Leiria, Dr. Afonso da Cunha Leão, esqueceu a Eça de Queirós quando andou a documentar-se na cidade do Liz."
Este brilhante prosador português dá-nos, neste livro, imagens escritas do mais puro falar do povo português. Ora veja-se esta pequena frase dum diálogo entre o Algodres (que queria vender, por necessidade, a sua armação de pesca) e o Eudóxio, pelos vistos um rico proprietário da Ervedeira(2):
"...Rai´s abrasem tanto larápio como há em Portugal! ...
Logo a seguir, vem este excerto da narração do autor, a preparar mais um diálogo: "..."Perante a crónica excelsa, venerável nos coiros semiextintos da lombada, transpirando mais verdade que um missal, não soube o Eudóxio dissimular a sua emoção. Homem de letras gordas, para ler à vontade, sentou-se num madeiro que ali jazia. E estatelando em seguida o livro nos joelhos, depois de mirar e remirar com respeito, não isento de certa desconfiança, aquele tombo mágico, pôs-se a soletrar, enlevado como à missa, a passagem portentosa."...
Para rematar este post nada melhor que ler, de fio a pavio, os dois livros atrás referidos.
Actualização em 24-04-2007: É da mais elementar justiça reparar uma minha desatenção imperdoável, quando compus este post: o meu caro e ilustre amigo e bloguista Jofre Alves tem vindo a escrever sobre Aquilino Ribeiro com uma profundidade e riqueza de informação que seria muita pena que quem ler estas singelas notas não pudesse seguir este link do blogue http://couramagazinefoto.blogs.sapo.pt
-
-(1) Bertrand editora, 1984. Edição comemorativa do centenário do nascimento de Aquilino Ribeiro.
(2) Por esta terra, a 15 km da Praia do Pedrógão, viveram várias pessoas de família.
(3) Era o ex-libris de Aquilino Ribeiro, que nasceu a 13 de Setembro de 1885, no concelho de Sernancelhe, freguesia de Carregal da Tabosa.
(4) Ainda o conheci e com ele tive o privilégio de conviver, a espaços.

2007/04/19

O Espinheiro


Ainda a propósito do post anterior em que eu me propunha apresentar-vos o espinheiro-alvar. Entretanto, fiz mais algumas observações e leituras e obtive a ajuda preciosa do amigo Augusto Mota. Aqui, à volta de Leiria, há muitos arbustos deste género, mas de espécies diferenciadas, como se consegue concluir ao se observarem em pormenor, in loco. As fotos acima são de dois tipos diferentes fotografados hoje de manhã, no meu jardim. O de cima tem frutos vermelhos e o de baixo ( o mesmo da foto do post anterior) tem estas flores espectaculares e frutifica em pomos de cor amarela, lá mais para o Verão.

Tentando clarificar a respectica classificação vernacular e científica:Na minha opinião de leigo na matéria, atendendo ao que julgo ter aprendido, a segunda foto refere-se a um pyracantha angustifolia porquanto: as suas braças, armadas com espinhos, são horizontais e graciosas podendo atingir quer em altura quem em comprimento cerca de 3 metros; cria cachos de flores brancas, que perduram desde o fim da Primavera até ao começo do Verão; as bagas em forma de maçã pequena podem ser vermelhas ou amarelas (amarelas neste caso) e persistem durante a maior parte do Inverno; tal como em relação a todas as pyracantha os frutos são muito apreciados pelos pássaros.(SE&O)

Na sequência destes posts fiquei a conhecer o Pilriteiro ou Espinheiro-alvar. Eis uma foto que tirei nestes dois dias, na Rua da Carvalha/Quinta da zona de Sta Luzia - Parceiros - Leiria.
Muito usado para sebes. Era o caso nesta zona rural, de grandes quintas (pujantes de agricultura, floresta e pecuária, noutros tempos), a transformarem-se, progressiva e implacavelmente, em grandes urbanizações.

Um dia destes talvez tenha oportunidade de lhes mostrar o quão fantásticas são as árvores que lá fotografei. Será que vão acabar por serem inexoravelmente abatidas para dar lugar a mais urbanizações? Há que parar para reflectir do que queremos fazer da qualidade da vida do Homem neste Planeta! Temos que nos mentalizar que o ritmo do chamado progresso material tem que ser controlado tendo em conta a Natureza, o princípio e o fim de todos os ciclos biológicos!...

Maldita ganância pelo dinheiro e pelo poder! A nossa perdição, não haja dúvidas!...

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2007/04/17

Em Covelas - Ribafeita

Covelas é uma das aldeias que fazem parte da freguesia de Ribafeita, entre Viseu e S. Pedro do Sul. Há uns meses atrás deixei uma nota neste blogue sobre o grande médico e escritor, Samuel Maia, que, no seu livro "Mudança d´Ares", ed. de 1916, descreve magistralmente toda esta zona. No trajecto do Rio Vouga, que se vê numa das fotos, ainda hoje existem as poldras a que Samuel Maia se refere naquele seu livro. A narrativa tem a ver com a travessia daquele rio dum grupo de amigos, a cavalo. Há um que escorrega nessas poldras e cavalo e cavaleiro caem à água. Risota geral, que se prolongou do outro lado do rio, e começo da íngreme subida representada pelas encostas quase a pique, sobre o Vouga.
Castanheiros, na ligação entre a Igreja paroquial de N. Sra. das Neves e Covelas

A capela da Sra. dos Remédios.


Já perto de Covelas, vista do Rio Vouga a serpentear no meio de bosques e penedos, por entre serras e montes...



A "Rua do Volta atrás" em plena aldeia de Covelas. A verdade é que, chegando-se a Covelas, só há uma saída: dar meia volta e regressar pelo mesmo caminho.

O silêncio de paz quase mítico da região alcandorada nos contrafortes destas ravinas escavadas em socalcos, ainda hoje aqui e ali cultivados e aproveitados para o pastoreio de ovelhas, empresta a este local uma sensação intensa de isolamento e de conformismo, que só quem estiver muito agarrado à terra e aos seus ares e olhares é que a conseguirá viver em permanência.
- Estamos a visitar a freguesia de Ribafeita. Já fomos ao Casal, a Ribafeita (zona da Igreja), agora Covelas.
Continuaremos proximamente com uma passagem por Lufinha
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2007/04/15

Regalos para os olhos - 1n

Um espinheiro em flor. Será o chamado "espinheiro-branco"(4) Crataegus monogyna Jacq. (Rosaceae). Virado a Norte, junto ao canil dos cães de cá de casa. (Actualização em 20/4/2007: correcção em post acima)
-
A foto que apresenta não é do espinheiro-alvar. Parece-me ser de uma das várias Pyracanthas!(4)
Opinião de http://augustomota.multiply.com/ ,que teve a gentileza de me escrever. Revi a matéria e parece-me não haver dúvidas quanto a esta última classificação. 16-4-2007
A flor belíssima da pereira, tipo pera-rocha. Virada a Norte junto à parede de casa.

Será uma toutinegra? Ontem, à tarde, no meio duma carvalhita, no lote ao lado. Centro-Oeste de Portugal. Foto com objectiva a apontar para Norte.
Notas:
1) Espinheiro-alvar ou branco Crataegus monogyma é nativo da Europa, pode transformar-se numa árvore pequena e atingir 9 m. As suas flores brancas são fragrantes e abrem precisamente nesta altura do ano, no nosso país. Na Inglaterra esta floração dá-se à volta dos primeiros dias de Maio, daí se referir que são flores May Day (May 1). Dá um pequeno fruto vermelho que se pode manter até ao Inverno. (Botanica - by Random House Australia Pty Ltd - 2004).
2) Pereira Pyrus communis L. (Rosacea)
3)Toutinegra: faz parte do grupo das Felosas, toutinegras e rouxinói-dos-caniços. Pequenos migradores terrestres, insectívoros, de que o canto (chilro,gorjeio, trilo, trilado) , com frequência rico e melodioso, é a melhor identificação. (Aves de Portugal - 1978 Selecções do Reader´s Digest). Esta é uma designação comum a diversas aves passeriformes do género Sylvia, da família dos muscicapíde, encontradas na Europa, Ásia e África.(Dicionário Houaisse da Língua Portuguesa).
4) actualização em 17/4/2007
a)A foto dum espinheiro-alvar Crataegus monogyna pode observar-se no endereço http://augustomota.multiply.com/
b)Scientific classification
Kingdom:
Plantae
Division:
Magnoliophyta
Class:
Magnoliopsida
Order:
Rosales
Family:
Rosaceae
Subfamily:
Maloideae
Genus:
Pyracantha
In Wikimédia
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2007/04/14

mariola

Este é o gato da vizinha. Mas quando lhe cheira a petisco está sempre a postos. Os gatitos da ninhada do ano passado (de que já vos falei várias vezes) já o adoptaram como fazendo parte do grupo. Eu é que não estou a achar graça nenhuma ao assunto.
O mariola aí está, à coca!...

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Antigos Combatentes Portugueses

Mais um ciclo infernal da minha vida profissonal como TOC. Hoje é Sábado. O dia está bonito, cheio de Sol. Apetece andar na rua. Passear. Viver sem pressas. Sem prazos. Sem papéis e contas. Sem relatórios. Sem estatísticas. Ja é 1 e meia da tarde. Estou no escritório a pensar abalar daqui para fora, para já. Estou saturado.
Pus no leitor do computador, o CD de hoje, que vem com o "Público". Música Portuguesa. Daquela que ficou no ouvido das gerações de 60 e 70? Está a arrastar-me para a melancolia.
Antes de ir para a rua dei uma vista de olhos no jornal. No "EspaçoPúblico" ressaltou à minha vista um artigo assinado por João Mira Gomes, Secretário de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar. Escreve a lembrar a Memória dos portugueses sobre o significado de mais um Aniversário da batalha de La Lys, celebrada no passado dia 9 do corrente mês, Dia do Combatente Português.
E veio-me ao espírito questionar-me e às consciências em geral, do significado e da revolta emocional por tanta morte e sofrimentos inenarráveis dos combatentes de todas as guerras, em todos os tempos. E de todos os Zé Manéis Solipas que, não morrendo em combate, sofreram e desperdiçaram a sua juventude? E ficaram afectados na sua saúde psíquica e física para o resto dos seus dias! E, muitos, nessa sequência, acabam por morrer sem que isso pareça afectar a sensiblidade de quem tem a obrigação de zelar pelo equilibrado uso do poder legislativo sem o qual nada se pode fazer neste país. Como é da Constituição, aliás.
Por isso registei, com alguma expectativa, uma passagem da crónica do Snr. Secretário de Estado: "Também se está a trabalhar no regime mais geral dos Antigos Combatentes, através da revisão e regulamentação da Lei 9/2002.".
É que esta Lei já vem do tempo em que Paulo Portas detinha o mesmo cargo deste snr. secretário do actual Governo de Sócrates!
Não será tempo mais que suficiente para, duma vez por todas, se regulamentar com a justiça devida, esta Lei?
Que Deus nos oiça e inspire os homens que detêm o poder temporal de resolver esta questão candente dos Antigos Combatentes nas suas várias vertentes: rede nacional de apoio às vítimas de stress pós-traumático militar, correcção de injustiças na actualização de algumas pensões, contagem para efeitos de reforma da bonificação do tempo de serviço militar em zonas de intervenção operacional de 100%.
Não nos devemos esquecer que os últimos portugueses combatentes no ex-Ultramar já estão com 60 e mais anos! E que muitos, a maior parte deles, já nem sequer fazem parte do mundo dos vivos!
Haja moral! Faça-se justiça!

2007/04/13

É assim a Vida!

Morreu o Zé Manel

Vamos hoje, nós os familiares, amigos e colegas de trabalho, acompanhar o Zé Manel à sua última morada.
O Zé Manel tinha 57 anos de idade e trabalhava comigo há 16 anos. Um amigo que dificilmente se vai esquecer. Já se estava à espera deste desfecho...há uns meses. Acompanhámos o definhar inexorável da sua vida, sempre na secreta esperança (que nós sabíamos que também era a dele...) de que pudesse ocorrer um milagre, durante 6 meses... contados quase ao minuto...principalmente pela família.

Como em tantos e tantos casos, segundo MANDA a Natureza, Deus!
Nestas alturas a nossa memória como que se aviva. E recordamos! Recordamos muitas passagens das nossas vidas entrelaçadas pelas circunstâncias de cada momento.
Como andámos os dois na tropa, no tempo da Guerra Colonial em Moçambique, fins dos anos 60, tínhamos frequentes conversas sobre o que então passámos, especialmente ele. Parece que o estou a ver a calcorrear com o seu pelotão(**), debaixo de qualquer tempo, sob o olhar felino do adversário (aqueles que nos diziam na recruta e na especialidade, que era o IN(*) ), aqueles trilhos e picadas ao longo do caminho de ferro do Zambeze, a fazer a segurança daquela linha de comunicação e comércio, vital para os objectivos militares dos altos comandos, que ligava a cidade da Beira à Barragem de Cabora Bassa. A sede que, no decorrer das operações militares, lançados à sua sorte durante semanas, no mato, os obrigava a beber água nas piores circunstâncias imaginárias. Bem que levavam uns comprimidos para "tratar" a água mas nós bem sabemos a protecção que essa precaução lhes proporcionava. Os ataques de paludismo que teve de suportar, as mazelas que essa espécie de malária nos deixou no sitema hepático. Digo-o com experiência própria. Não integrei grupos operacionais de combate , mas sofri na pele os efeitos do clima, particularmente o paludismo. E não só eu, também a Zaida(3).

O Zé Manel morreu em consequência duma grave e irreversível doença do seu sistema hepático!
O José Manuel Solipa era um dos que faziam parte de Associações de ex-Combatentes, que têm continuado a luta pela defesa de alguns reconhecimentos do Estado pelas condições difíceis que vivemos em defesa da Pátria Portuguesa, aquela que Camões e Fernando Pessoa tão magistralmente cantaram e louvaram. Mas que também, como nós, os vivos (ainda!...), recriminamos pela falta de solidariedade para com aqueles que deram os anos áureos da sua juventude, quantas vezes a própria vida, em sua defesa!
Que, no mínimo, em honra dessas vidas sacrificadas, se olhe pelas condições de vida dos sobreviventes, uma grande percentagem a sentir problemas de saúde. E que cada vez somos menos, como podemos constatar todos os dias. Nem quero acreditar que seja esse o objectivo ao se adiar, sine-dia, várias questões reivindicadas pelas Associações de Ex-Combatentes.

Já agora, uma reivindicação básica: que se conte, para efeitos de aposentação e reforma (o Zé foi dos milhares e milhares que contribuiram financeiramente para o sistema de segurança social, sem qualquer retorno...) a bonificação do tempo de serviço militar prestado em zonas de intervenção a 100%. Aquelas em que morríamos em combate. E ficávamos feridos e estropiados! E não foram tão poucos como isso!
Muito mais(2) haveria para dizer da vida e do meu relacionamento com o Zé Manel!...

O resto ficará para outra altura...

Descansa em Paz, Zé Manel!...

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(**) Foi Alferes miliciano
(*) IN - inimigo
(2) O Solipa foi jogador de alto gabarito no Sport Clube Leiria e Marrazes (1965 a 1969?)

(3) Pois é. Também esteve em Nampula, enquanto prestei parte do meu serviço militar. Apesar de tudo, fui um privilegiado, que era da Administração Militar.

2007/04/12

Cemitério de árvores?

Nos arredores de Leiria. Mais uma urbanização. Estes sobreiros estão cortados, como se tivessem sido guilhotinados.
Qual será a ideia? Será este o primeiro passo para o abate definitivo? Ou será que, como que por milagre, se pretende recuperar este bosque?!...

Desta maneira?!

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2007/04/11

Árvores de Leiria - Ulmeiro (2)



Grande plano do pormenor das folhas e flores/frutos do Ulmeiro Pumila existente em Leiria, na Rua D. José Alves Correia da Silva, junto à Prisão Escola de Leiria. Neste local existem, pelos menos, dois ulmeiros desta espécie conforme a primeira foto.
Para mais especificações de carácter científico consultar atlas de leiria e dias-com-arvores
Estas fotos são de 10-04-2007 pelo que as comparações com os dados do "atlas de leiria" são relativamente difusas. O Atlas foi editado em 1992 mas é dum interesse científico, formativo e cultural, de extraordinário mérito. Também o blogue "dias-com-arvores" atrás referido, para mim uma referência incontornável e fiável na área da informação sobre botânica, emite a mesma opinião.
-
Pode-se ver o Ulmeiro glabra em "dentro-de-ti-ó-leiria"
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2007/04/09

Protecção das dunas?!

(clicar em cima das fotos para ampliar)
Praia do Pedrógão, 8 de Abril de 2007.
Onde está o exemplo? Gasta-se o dinheiro em campanhas de protecção das dunas e de promoção da Praia do Pedrógão, concelho de Leiria, e o resultado está à vista!...
Será que o dinheiro necessário à manutenção desta zona se esgotou? Terá sido gasto com racionalidade?
Mais comentários para quê?
E esta foto não diz tudo o que de degradante se passa ao longo de toda a marginal do Pedrógão: passadiços destroçados, garrafas de vidro e outro lixo! Como se já não bastasse a deslocação desregrada das areias da zona Sul, deixando à vista, praticamente ao nível do mar na maré baixa, rochas em vez do volumoso areal doutros tempos!...

Efeitos das alterações climáticas? E a mãozinha do Homem?!...

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2007/04/08

Estado actual da blogosfera


A blogosfera está a morrer ou a evoluir?

Esta é a pergunta que o "público" coloca à discussão, no seu Suplemento "Digital" de Sábado, passado dia 17.
Acrescenta:
Muitos bloggers desistiram, mas a blogosfera não parou - evoluiu.
E remete-nos para a página 8.

Todos nós, os bloguistas, gostamos que os nossos posts sejam comentados, o que é perfeitamente natural, até para podermos aquilatar do possível interesse que os temas e informações que colocamos na Net despertam a quem nos lê. É gratificante saber que conseguimos integrar um grupo de leitores, normalmente eles próprios, também bloguistas, que nos lêm e nos vão incentivando a continuar, porque demonstram que apreciam o trabalho que estamos a apresentar, na esmagadora maioria dos casos, por simples gosto de partilhar, por carolice, enfim.

Nesta perspectiva, os autores deste trabalho do "público", esforçam-se por enumerar uns quantos conselhos a seguir pelos "bloggers" (expressão que gostam de utillizar) que, por os considerar de interesse, aqui refiro em títulos, para o caso de não ter tido oportunidade de ler o jornal:

- Os nomes são importantes
- Regularidade é bom
- Seja um bom vizinho
- Faça amigos
- Não seja tímido
- Tags e bookmaking
- Lembre-se do RSS
- Amigo dos motores de busca

Por mim, digo e repito: a minha intervenção* na blogosfera durará o tempo que durar o meu interesse e entusiasmo nesta maneira de estar em sociedade. Uma coisa é certa. Pela minha experiência das andanças pela Internet, seja através de sites propriamente ditos, seja através de blogues, constato que, desde que tenhamos o devido respeito pelos outros, todo o manancial de informação que vai ficando na Rede é útil e será, em mais ou menos casos, quantos com os quais nós nem sequer sonhamos, aproveitado pelos navegantes da rede global, sejam estudantes, analistas, investigadores, escritores, jornalistas, sei lá que mais.

"Todo o trabalho é Útil e Digno desde que executado com Carinho, Talento e Consciência".
* Escrevi uma resenha das minhas memórias de internauta de mais de uma década...(aqui)

2007/04/06

Continuando a visita à freguesia de Ribafeita - Viseu

RIBAFEITA (clic nas fotos para ampliar)
Chegados ao local da freguesia de Ribafeita onde está implantada a Igreja Paroquial de Nª Sra. das Neves, cuja fachada poente se observa em segundo plano, fomos, eu e o meu pai Daniel, ao cemitério, com dois objectivos, no que a mim me diz respeito: revisitar esta camélia, de que eu me lembro desde que me conheço e o sítio onde ficou sepultado o meu padrinho Serafim, recentemente falecido com 80 anos, irmão mais novo que era de meu pai.
Como se pode ver esta cameleira apresenta-se com uma boa envergadura e a sua idade é proveta, mais de 100 anos, com toda a garantia, segundo opiniões de diversas pessoas antigas nomeadamente o meu pai(na foto) com 83 anos.

Estamos no adro da Igreja. O painel chama a atenção para a figura de Madre Rita(1), recentemente canonizada pela Santa Sé, um icon religioso da freguesia. Em fundo pode admirar-se um belíssimo bosque de carvalhos, precedidos, na perspectiva, por um de pomar de pereiras.

Esta fonte fica perto da Igreja no caminho até à povoação de Ribafeita, propriamente dita. Convinha aconselhar os crentes que não era necessário vir para a igreja já com o "grão na asa"...conselho que eu sei que nem sempre era lá muito bem aceite. O meu tio Xis que o diga!
- Proximamente iremos até Covelas.

(1) pode ler-se "Perfil Pedagógico de Rita Lopes de Almeida" (Madre Rita), Ed. 2000, autora Maria Madalena Frade da Costa, Irmã da Congregação de "Jesus Maria José", precisamente fundada pela Madre Rita. Este trabalho foi apresentado na Faculdade de Teologia da Universidade Católica portuguesa para a sua Licenciatura em Ciências Religiosas. Tem uma Nota de Abertura do então Bispo de Viseu, D. António Monteiro, com data de 20 de Outubro de 1999.

2007/04/05

Uma visita à freguesia de Ribafeita - Viseu

CASAL

Fonte da Barroca - Casal - Ribafeita - Viseu - 4 de Abril de 2007 - dia de Sol - uma hora da tarde.
Esta fonte foi construída, na sua forma actual, em 1946, conforme está escrito, em baixo relevo artesanal ,na própria pedra de onde sai a bica. A água provém da serra, era muito usada para todos os fins. Actualmente, com a água canalizada e o saneamento, já poucas pessoas se servem daquele precioso líquido.

Não é por falta de receptáculo que o correio deixa de ser entregue no endereço correcto.
Se bem me lembro era esta a eira onde a minha avó Maria de Jesus (1883-1971) com a ajuda das suas filhas (Dores, Aurelina,Adélia, Cassilda,Encarnação) e homens que se contratavam ou, simplesmente, ajudavam, malhavam as espigas de milho e outros cereais e leguminosas, cevada e feijão, sei lá que mais. Lembro-me vagamente de ter experimentado um mangual (pode ser que ainda faça um desenho dessa ferramenta tal como me recordo, tantos anos passados...).

O que resta dos "espigueiros" de antigamente (activos até aos anos 70, mais coisa menos coisa), que eram os abrigos e secadores das espigas de milho, depois de desfolhadas. Tinham uma estrutura-base em pedra granítica aparelhada e o entaipamento era feito em finas tábuas de pinho que deixavam passar o ar para que as espigas secassem. Daqui seguiam para a eira para serem malhadas e os grãos secarem. Quantas vezes não se tinha que recolher o grão todo para o palheiro ao lado, por causa da chuva!

Em segundo plano pode observar-se um carvalho (carvalha como se dizia, aliás os meus pais têm um pinhal/carvalhal que se chama "carvalha". Quantas vezes é que já não ardeu nos fogos dos últimos anos!)

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Em próximos posts gostaria de vos mostrar outros aspectos desta freguesia da Beira Alta: comecei pelo Casal (terra onde nasci). De seguida iremos à zona da Igreja Paroquial de Ribafeita, com uma vista panorâmica deslumbrante sobre uma extensão enorme do Rio Vouga. Junto ao portão do cemitério, no seu interior, existe uma cameleira(*) digna de ser propagandeada; tem, seguramente, segundo me garante o meu pai, com 83 de idade, mais de 100 anos...sei lá quantos mais não terá?! Seguiremos para "Covelas" - lembram-se das notas anteriores sobre o Dr. Samuel Maia e o seu livro "Mudança d´Ares", ed. de 1916? - a terra da azeitona, a minha mãe, hoje com 82 anos, bem se lembra dos anos em que andou na apanha da azeitona, a calcorrear aqueles caminhos íngremes e pedregosos, sempre com o serpentear agreste do Vouga lá bem no fundo dos montes! Iremos à Lufinha ver a sua capela e o coreto inaugurado há pouco tempo. Passaremos por Gumiei, cuja Escola Primária frequentei, ainda que por poucos meses. Lembro-me bem da cana que o professor Américo tinha sempre à mão! Gumiei é uma aldeia com grandes tradições, muitos vestígios de casas senhoriais, agora votadas praticamente ao abandono! Requer uma reportagem especial em tempo oportuno!

(*) Tenho fotos para mostrar. Redescobri outra acácia, no Casal, nas traseiras do casario do Eirô (meio-do-povo), que terá a mesma idade!?...

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2007/04/03

Largo da Sé em Leiria - 1974-2007

Venho do "dentro de ti ó leiria" onde acabei de dar entrada duma nota sobre o que era o Largo da Sé em 1974. A fotografia que lá postei é da minha autoria, tirada com a minha velhina Kodak Retina S1 (de 1966) e pretende ser uma referência para se comparar com o que é hoje o mesmo sítio. A minha maior zanga, já remonta ao ano de 2000 e tem a ver com o abate injustificado e brutal das árvores que ornamentavam aquele local. Ainda hoje não me conformo com a arbitrariedade que foi cometida na altura.
Senão veja-se:

Não me vou repetir. A reportagem, o mais sintética que me foi possível, sobre este massacre, está publicada no supradito blogue. Só poderei acrescentar que, na altura, este assunto foi para a imprensa regional, mas contra a força das "autoridades" parece não existirem argumentos!
Toda esta brutalidade para que o Largo ficasse assim:

Modernices, ensaiar o moderno, embrulhando o património cultural duma cidade e que remonta a datas longínquas, em papel atraente mas que dificilmente é compatível com o seu significado histórico incontornável, não me parece constituir uma boa solução. Talvez que se possa mostrar com um desenho bonito à vista actual. Mas, e o ambiente histórico e cultural da época, numa zona carismática do Centro Histórico de Leiria, não conta para nada?
Seguindo esta lógica porque não ir ao castelo de Leiria, arrancar todo o empedrado do tempo em que se andava a cavalo e a pé, quando muito de carroça e substituí-lo por pedrinhas de calcário a fazer desenhos bonitos no chão?