2008/10/14

Euforia Financeira e Orçamento do Estado para 2009

E eu que já andava a pensar num part-time como o da hipótese ilustrada no post anterior para fazer face à crise (mundial)! Afinal, quando os interesses financeiros da maioria dos donos do mundo estão em causa, aparecem logo, por obra e graça do Divino Espírito Santo, milhões e milhões de dólares e euros, por todo o lado, para serem empresta(dados?) aos chico-espertos que provocaram toda a balbúrdia da semana passada.

Claro que há que ter em conta os danos colaterais deste cataclismo financeiro a nível global! Os jogadores da Bolsa, que não tinham as costas quentes, bem se tramaram, foram logo todos aflitos, a vender os seus papéis a qualquer preço e, com isso perderam fortunas.

Esta semana inverte-se, como por artes mágicas, a situação. A crise aguda mudou para uma euforia desenfreada e as Bolsas estão num desvario de loucos.

Que fantástico pretexto para o Orçamento de Estado Português para o Ano Eleitoral de 2009!

Já viram como o dinheiro (afinal havia arcas encoiradas cheias de €uros nos cofres do Estado!) apareceu e vai ser distribuído a rodos, principalmente, por tudo quanto é instituições do sector público? E aí vêm reforços para todos os Ministérios, até os Professores vão ser contemplados, as obras públicas em força, TGV, Novo Aeroporto. Enfim, Milhões e Milhões de Euros!(Quem dizia que estávamos de tanga?).

Já é de mais! Ninguém se preocupa com a crise dos Trabalhadores do Sector Privado. A receberem salários de miséria e precários, sem aumentos de ordenados há 5, 6 e 7 anos. É verdade. Quem se preocupa com esta monumental perda do poder de compra? Até as Centrais Sindicais de tão concentradas que andam nas negociações directas com o Governo até parece que se esquecem do que é trabalhar em muitas empresas do sector Privado, sempre no fio da navalha, que para os Administradores e seus "amigos" há que preservar a sua qualidade de vida, com dinheiro de bolso e no Banco, com fartura, mesmo que o pessoal esteja a viver cada dia que passa pior que no anterior!

Estou cá desconfiado que ainda nos vamos lixar com esta jogada já delineada no OE, que não vai dar golo para o Povo, com toda a certeza!

Que Mundo este!...

2 comentários:

as-nunes disse...

Vamos lá a ver.
Sabe-se que a Economia Capitalista funciona de acordo com regras fundamentadas no máximo de lucro.
Sabe-se que o Lucro das empresas depende dum factor que limita toda a sua actividade: as vendas.
Para se vender tem que haver pessoas com capacidade financeira para comprar.
Quem pode deixar de concordar que a perder-se tanto poder de compra, as pessoas passem a comprar só o mínimo de subsistência, até porque o recurso ao crédito também não pode ser solução.
Penso não ser difícil perceber que a racionalização dos custos de exploração das empresas baseada exclusivamente na redução dos custos com o pessoal não vai resolver a estagnação da economia senão já recessão.
Nestes termos porque não impôr administrativamente aumentos de remunerações para todos os trabalhadores e não só para os funcionários públicos?
Afinal o Estado somos todos nós!? Ou não?

bettips disse...

O sector privado, ainda mais selvagem, manhoso. Se possível a comparação. Os carros e os barcos. Os hotéis de charme. A restauração. As despesas de representação que tudo encobrem.
Consumidores de tudo isso como se lhes pertencesse "o trabalho"!
Uma tábua de família, uma árvore de genealogia duvidosa. Chamam-lhes eles as PMEs quando nos anos 80 os vi enriquecer, investir em bens próprios afanosamente.
Óptimo que falaste no pôdre que esta gente trás agarrada e que desesperadamente nos sufoca.
Abraços