2012/05/03

Cowboys em Portugal

Hoje à tarde, ia eu a caminho de casa, tinha ido comprar uns pés de couve "penca" e "trouxa" para plantar no meu jardim/quintal (quer dizer o meu jardim adaptado para as várias funções, dar flores e frutos e produtos hortícolas, tudo tratado manualmente cá com a prata da casa), eis que começo a ouvir na rádio, "Janela indiscreta" do Pedro Rolo Duarte, jornalista que me habituei a escutar na Antena Um, "Hotel Babilónia", (em parceria com o João Gouvern) e a seguir no seu blogue, em determinada altura ouço-o fazer referência a várias reações dos bloggers (bloguistas, como se queira) àquela famigerada escaramuça social que foi protagonizada pelo "Pingo Doce", sobejamente divulgada na TV, rádio e jornais, percebi então que já andava por aí um vídeo da rapaziada da Rádio Comercial.

Uma cowboyada à moda antiga, se calhar o FarWest mudou-se cá para este lado do Atlântico. Só que, agora, não é uma cowboyada só para ver no cinema, é uma sequência de cenas reais, actuais, espelho do momento que se vive em Portugal.

Entretanto, também tomei conhecimento de que hoje o Jornal de Negócios traz um Editorial, assinado pelo seu Diretor, Pedro Santos Guerreiro, a abordar as várias implicações desta atitude inesperada e aparentemente inconcebível do ponto de vista comercial, concorrência desleal, fala-se em "dumping" e isso é muito "feio".
Da sua leitura permito-me ressaltar as seguintes NOTAS:

1 - Visto, é inacreditável: uma turba faminta amotina-se, espanca-se, enlouquece, encena uma pilhagem sórdida. É uma miséria de marketing. É um marketing da miséria.
2 - Dar uma margem de 50% num cabaz significa ter uma margem média de 100% para ganhar dinheiro.
3 - Esta é uma campanha de "hard discount", na senda duma estratégia que já traz a experiência obtida na Polónia, com grande sucesso há quase uma década. 

Ou seja:

- Este facto rocambolesco aconteceu pela primeira vez em Portugal, precisamente no dia 1 de Maio;
- Os gestores viram um livro com curvas de oferta e procura;
- Os juristas viram um livro de direito da concorrência;
- Ficámos a saber como está o país;
- A violência que não se vê nas manifestações de rua comprime-se no afã vidrado de uma fila de supermercado.

Resume o editorialista citando Shakespeare, no "Rei Lear":

"Esta é a praga deste tempo, quando os loucos guiam os cegos".

nb
Aconselho vivamente a leitura integral deste editorial.
Há que meditar e atuar em conformidade sob pena de o nosso país descambar numa anarquia ainda mais perigosa do que a que se vive atualmente.
@as-nunes 

10 comentários:

Luís Coelho disse...

Só à noite tomei conhecimento destas promoções e fiquei mudo.
A telenovela agora vai-se descrevendo com novas teses e outras figuras.
Não dá para entender e ainda menos comentar. A coisa promete...

Catarina disse...

Vao tirar o maior partido do evento...

redonda disse...

Estive a ver/ouvir um bocadinho o vídeo. Sem dúvida, esta está a revelar-se uma promoção muito polémica,

elvira carvalho disse...

Apesar de ter sabido da promoção com 24 horas de antecedência, por uma amiga que trabalha num Pingo Doce, eu não fui lá. Por uma questão de princípio nunca iria fazer compras no 1º de Maio. Já se a promoção fosse npoutro qualquer dia decerto teria ido logo de manhã para não apanhar tanta confusão porque do modo que as coisas estão 50% não é para desperdiçar. Bom eu tenho um amigo espanhol que vive na Galiza e teve conhecimento da promoção. Deslocou-se à fronteira para ir ao supermercado e teve logo que deixar o carro a 300 metros do local. Ainda assim conseguiu entrar sem grande confusão. Colocou no carrinho fruta, e foi em busca de fraldas para a filha que já não havia. No talho e no peixe havia segundo ele uma grande confusão, então foi ao azeite e conservas, mas entretanto diz que era uma tal confusão, com pessoas prestes a entrarem em luta, crianças a chorar gente a guerrear porque agarraram primeiro em qualquer coisa, que ele diz que parecia uma guerra. Deixou o carrinho lá dentro com as coisas e o euro na ranhura e simplesmente saíu.
Diz que não comprou nada, perdeu um euro mais a gasolina gasta no carro, mas ganhou sanidade mental que aquilo parecia o inferno.
Um abraço

Sonhadora disse...

Acreditem ou não, quando soube o que estava à venda no Pingo Doce, corri para comprar!
Está lá no meu blogue e ainda poupei milhões de euros!...

Um abraço

Manuela Freitas disse...

Muito bom este post, realmente isto é uma comboyada que me deixou parva! Tenho pensado: tudo pode acontecer, já nada me pode surpreender, mas há coisas que superam a minha imaginação e sem me aperceber fico de boca aberta!!!
Grande abraço!

as-nunes disse...

Aquilo que tenho lido pelos blogues aponta para uma opinião maioritária contra este tipo de comportamento
(na minha opinião, ignóbil, é o mínimo que o posso qualificar)
mas também há os que acharam muita piada, que o snr. dos Santos que é uma esperteza de hortaliça comparado com o reles do comum dos portugueses, etc etc

Mantenho a minha opinião: o Pingo Doce entrou por uma via desconcertante e nada digna do ponto de vista ético e moral.
Comercialmente, alguém ter ficado com o "eventual" prejuízo. É que há muitas vozes a dizerem que os fornecedores é que se tramam, ao fim e ao cabo, porque têm de vender muito mais barato e porque concordam em que os prazos de pagamento sejam alargados.

Que ainda não se conseguem fazer omoletes sem ovos lá isso é uma grande verdade, já constatada pelo próprio snr. de La Palisse, aliás.

Graça Sampaio disse...

Não me canso de dizer: Uma vergonha nacional!

dilita disse...

Voltei para corrigir:
quero dizer - assim seriam todos beneficiados,os habituais clientes, e também os oportunistas.
Quem entrásse para comprar pagaria menos, era simpática a decisão em época de crise.
Abraço e bom fim de semana.

dilita disse...

Fiz aqui um comentário aonde sugeria 20%de desconto em todos os produtos, durante um mês nas lojas Pingo Doce.
Quis corrigir umas palavras e escrevi o que está acima, mas entretanto o computador apagou-me o primeiro.
Esta maquineta ás vezes
arrelia-me...