2012/05/21

Tempo de balanço...Estado da Nação


Estou no exterior de um quartel. Do quartel onde passei os 3 meses que antecederam  a minha mobilização para Moçambique. Estávamos em 1969. Nessa altura Salazar apregoava aos sete ventos que estávamos orgulhosamente sós e antes assim que mal acompanhados. E vivíamos num regime ditatorial.

40 anos são volvidos...
(...)
Governos do chamado Bloco Central e de Direita foram sendo sucessivamente empossados, Centro/esquerda, Centro/Direita, Direita/Extrema Direita, Centro/Extrema Direita, ou seja, PS, PPD, CDS e nada.

Presidentes da República vários e nada.

Assembleias da República com muitos deputados e nada.

Entramos na Comunidade Europeia. E passamos a integrar a zona Euro, mudando do Escudo para o Euro. E entram Euros em catadupa. E desaparecem misteriosamente, através de artes e manhas de uns quantos espertos ligados às instâncias do poder, milhões e milhões de euros. E gastamos à grande e à francesa. A União Europeia garantia que era mesmo para funcionar, assim a modos que uma Federação de Estados, em que a Solidariedade era uma palavra de honra de cavalheiros. A Europa estava unida e organizada!

O Povinho dá maiorias sucessivas a Sócrates.

 Chega a hora de se fazerem contas. Não temos dinheiro para fazer face às nossas dívidas públicas, contraídas com o nosso aval.
E começam a exigir que nos portemos bem, para não assustar os investidores estrangeiros. Temos de recorrer ao FMI com o aval das instituições da UE,  até que nos impõem um plano de recuperação da nossa dívida coordenada por uma Troyka, estrangeiros a dizerem-nos como devemos gerir os negócios do Estado. As coisas complicam-se, até porque estes senhores esqueceram-se que havia um fator determinante e indispensável que era o Desenvolvimento Económico.

Vamos a eleições antecipadas e vá de dar maioria absoluta  ao miúdo de Vila Real, Passos Coelho e ao seu amigo Paulo Portas. E ele começa a armar-se em autoritário, a rodear-se duma equipa de tecnocratas e amigos de confiança.
As promessas esfumam-se rapidamente, tenham paciência, tem de ser assim ou então não teremos dinheiro para pagar aos funcionários públicos e aos pensionistas.

A corrupção de colarinho branco campeia impunemente: BPN, PPP, aquela coisa da EDP/rendas, protocolos de cobrança de portagens em duplicado, SCUTS que já não podem ser Scuts, Loureiros, Valas, Limas, Isaltinos. São muitos milhões que estão em jogo e com isso o equilíbrio das contas públicas.

A inflação continua, mas os salários e pensões estagnam.  São-nos sonegados o subsídio de férias e de Natal, não para todos,que se justificam umas exceçõezitas, para evitar a fuga de crâneos de reconhecida competência. Que não dá em nada.

Se calhar é melhor fazerem as malas e irem lá para fora, que lá há melhores oportunidades, sugere o Primeiro Ministro.
E se não se resolver o problema desta maneira, não stressem que isto de ir para o desemprego até pode ser um bom estímulo para se arranjar uma vida melhor, volta à carga.

Estupefação geral!  Ainda não conseguimos digerir estas mezinhas mas o resultado está bem à vista. Um milhão e desempregados, mais, talvez, que estas estatísticas quem pode confiar nelas?

E agora?

Os jornais já começam a receber recados para não publicarem certas coisas, que vão fazer mal à cabeça dos portugueses, coitados, que já andam tão à nora,  a prozac e xanax e outras coisas. Os que ainda têm algum dinheirito, por enquanto.

Começa-se a recear por represálias, perder o emprego. O medo instalou-se, joga-se com a ansiedade das pessoas, com a sua dignidade, a sua sobrevivência e da família.
Impensável que estejamos  a regressar a estes tempos fascisantes!

Que mais mos irá acontecer?

Será que a Democracia está, de novo, em perigo? Claro que está. Afinal quem manda? O Povo que vota, não. Quem manda então? 
Ora, pois, a Alta Finança internacional, sem rosto, globalizada, constituída por agiotas que se julgam uma raça à parte, especial, devem ter olhos especiais, descendentes de alguma estirpe estrita a certas camadas sociais.

Que fazer, então,  desta pescadinha de rabo na boca, tão bem arranjadinha que ela está?
...
(edição revista e mais sintética - 12h30)
@as-nunes 

7 comentários:

rosa-branca disse...

Meu amigo, geralmente os balanços são feitos no final de cada ano. No caso do povo Português acho, que vamos andar a balançar todo o ano e quantos mais? Será que os nossos filhos e netos vão ficar todos a abanar de tanto balançar? Esta pescada está tão bem arranjadinha, que quando dermos por isso nem dinheiro para o carapau temos. Beijos com carinho

Anónimo disse...

Já trazia,mas depois de o ler,acentuaram-se-me os amargos de boca.É pena que seja mesmo verdade
que não haja pessimismos alarmantes da sua parte,mas estamos mesmo assim.Ralo-me pela nossa juventude e por todos os que,pela inocência da sua idade ainda não sofrem.Kinkas

Alda M. Maia disse...

Esplêndida radiografia, António!

Um abraço
Alda

Rui Pascoal disse...

"Que fazer da pescadinha?"
Talvez arrepiá-la...

as-nunes disse...

Balanço feito, ainda que duma forma sucinta, sem notas complementares, que seriam muitas, impossíveis de caber num registo como este, vou voltar à minha opção de momento.

Sempre que possível, observar a Natureza, ao pormenor, admirar este Deus superior, qual engenheiro ao mais alto nível.
Enquanto é tempo.
O tempo disponível não tem sido o suficiente para perder o vale do Lis e Sra. do Monte de vista.
Daí a minha insistência nestes cenários, para além do meu quintal/jardim.

Pode ser que ainda tenha tempo para passear...por aí... tanta coisa para admirar, tanta vida à nossa volta!

Enquanto houver vida a esperança não pode morrer!

as-nunes disse...

Ah, entretanto, vou jogar no EuroMilhões!

Já viram como a minha vida e de muitas outras pessoas (família, claro) mudaria?

75 milhões!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Graça Sampaio disse...

Talvez fritá-la em óleo bem quente até esturrar... Que sufoco! Que sufoco!