2012/08/01

Música, Maestro Victorino D´Almeida!...



Há muito tempo que não ia a Alcobaça. As autoestradas afastam-nos dos centros históricos, quase nem damos por eles, se não os tivermos no nosso roteiro de viagem. Ligamos grandes centros urbanos com uma rapidez fulminante, como se estivéssemos num redil. É por aquela via, naquele sentido e tudo o mais é como se não existisse. 
Como eram diferentes as viagens de outros tempos!

E Alcobaça está, como dizer, requalificada, ou seja, remodelada, na sua apresentação estética de algumas ruas e do Largo em frente do Mosteiro. 
Para melhor? 
Claro que as opiniões aqui dividem-se. Há os que pensam que as zonas históricas não devem ser alteradas visualmente, simplesmente conservadas de modo a manter o ar da sua época áurea, transportando-nos com mais proximidade espiritual aos factos e às circunstâncias que as envolvem historicamente.
E há os que pensam que não podemos parar no tempo. Que tudo pode ser alterado consoante a época em que vivemos.

Eu só questiono os que acham que se deve modernizar o meio em que os nossos monumentos estão implantados, mesmo que isso os descaracterize simbolicamente.
Um povo precisa de referências históricas para se poder orientar em tempo de inquietação e de dúvidas. 

Afinal o que é que distingue uma cidade de outra, na atualidade? A sua zona histórica, fundamentalmente. Portanto, há que preservar as suas zonas históricas, mantê-las na sua configuração, o mais próximo possível do tempo histórico e época cultural que simbolizam, digo eu e não estou sozinho, seguramente.

Bem, mas afinal, qual foi a motivação da minha recente visita a Alcobaça, no passado domingo?

Muito simplesmente, assistir ao Concerto de Encerramento do XX Festival de Música de Alcobaça, com a Orquestra Filarmónica das Beiras sob a Direção de António Vitorino D´Almeida.
Tivemos, os que apareceram sem convite, que assistir ao concerto de pé, o que não foi nada agradável, tanto mais que durante algum tempo estivemos à torreira do sol.

Programa:
Franz Schubert (1797-1828) - Sinfonia nº 5;
António Vitorino D´Almeida (1940) - Idem, op. 167 (2012);
Edward Elgar (1857-1934) - Marcha de Pompa e Circunstância, op. 39 nº 1 (1901)

É desta última que se ouve um excerto, na montagem vídeo acima apresentada.
Foi o que se pôde arranjar, que não tinha credencial para gravar nem fotografar. Aliás, não infringi essa regra, já que a tomada do vídeo foi feita do corredor (galeria) dos Claustros, que liga à nave central da Igreja do Mosteiro. 
Sou muito cumpridor das recomendações que nos fazem! ... 
Pois!
@as-nunes

3 comentários:

Graça Sampaio disse...

Tem toda a razão sobre o que diz acerca do afastamento das belas vilas e cidades que temos por via das autoestradas. Sempre tive essa opinião. Quanto a Alcobaça - é lindíssima, desde sempre.

Beijinhos musicais

Rui Pascoal disse...

Tenho familiares em Alcobaça e vou aí amiúde.
Ouvi hoje na rádio que o Museu do Vinho, fechado desde 2007, ia finalmente passar para a Câmara Municipal de Alcobaça. Existia lá um importante espólio que deveria ser preservado e mostrado ao público...

as-nunes disse...

Caros amigos

Estou a ler "A Primeira Aldeia Global - como Portugal Mudou o Mundo" de Martin Page e estou encantado com o que aquele autor escreve:
Designadamente:
(...)
"A norte de Lisboa, Afonso Henriques concedeu a Bernardo, praticamente, a soberania sobre um vasto território, identificado pelo nome de Costa de Prata...
Os monges de Cister, vindos de Borgonha para tomar posse das terras...
Os cistercienses, também conhecidos por bernardos,...

Por isso, lá temos as alusões a "Restaurante Bernardo, etc....

Um abraço