2012/10/26

Invocando Natália Correia, tão fartos que estamos desta guerrilha permanente em tempos de austeridade febril e agoirenta!

 Quem, no outono de 2012, sai da Marinha Grande a caminho de S. Pedro de Moel...
Quem está na rotunda antes de subir para o Sítio da Nazaré e olha, num fim de tarde de outono, para o mar...


ODE À PAZ

Pela verdade, pelo riso, pela luz, e pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre  as portas da História,
……………………………….. Deixa passar a Vida!

Natália Correia
1989
(Vai-se dizer poesia
e falar da poetisa,
na biblioteca municipal
de Alcanena, 
sábado que vem)

6 comentários:

Catarina disse...

Ah! Essas cores outonais portuguesas!
Do poema tb gostei.

Rosa dos Ventos disse...

Apetece Natália Correia com um poema de louvor à Vida!
Se não estivesse comprometida com uma ida a Santarém a um Forum até que dava um salto a Alcanena, a sede do meu concelho...de origem!
Boa sessão!

Abraço

elvira carvalho disse...

Eu gosto de Natália Correia. Muito.
E gostei das fotos.
Um abraço e bom fim de semana

as-nunes disse...

E que dizer deste outro poema de Natália Correia?:

POEMA INVOLUNTÁRIO

Decididamente a palavra
quer entrar no poema e dispõe
com caligráfica raiva
do que o poeta no poema põe.

Entretanto o poema subsiste
informal em teus olhos talvez
mas perdido se em precisa palavra
significas o que vês.

Virtualmente teus cabelos sabem
se espalhando avencas no travesseiro
que se eu digo prodigiosos cabelos
as insólitas flores que se abrem
não têm sua cor nem seu cheiro.

Finalmente vejo-te e sei que o mar
o pinheiro a nuvem valem a pena
e é assim que sem poetizar
se faz a si mesmo o poema.


Chove...
Bendita chuva!

Justine disse...

Precisamos de respirar um pouco da grande força de Natália, para enfrentarmos esta guerrilha permanente em que se transformou a nossa vida!
E como a beleza nos ajuda!
Abraço vizinho

as-nunes disse...

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Florbela M21:17
Belos registos fotográficos e bonito poema. Resto de um
bom fim-de-semana.

António Nunes21:31Editar
Obrigado Florbela pela visita.

Bom fim de semana, também.