2013/08/07

É ASSIM

Um dia destes, no aeroporto de S. Miguel - Açores


É ASSIM

É assim:
a gente despede-se, vai-se
embora amaldiçoando a terra,
carrega amargura que nem o diabo
aguenta; com o tempo vai
esquecendo injustiças, mágoas,
injúrias, morrendo por regressar
ao cheiro da palha seca, ao calor
animal do estábulo,
ao sonho do quintalório
com três alqueires de milho ao sol
e dois pinheiros bravos -
porque não há no mundo
outro lugar onde
enfim dê tanto gosto chafurdar.

Eugénio de Andrade
p. 613
Poesia
Ed. e livreiros - Modo de ler, 2010?

@as-nunes

3 comentários:

Rui Pascoal disse...

Esta poesia
Foi muito bem escolhida.
:)

as-nunes disse...

Bom dia Rui.

Um abraço.
Hoje, no meu "quintalório", vou pintar paredes!
;)

Raquel Mark disse...

É o registo do fim da jornada. Do que é bom e se quer eternizar nas férias!Boas pinturas do quintal;-)