2016/01/21

Nampula, Zaida Paiva Nunes, Inês. Moçambique 1970. Enfim: Crónicas de Moçambique





Crónicas de Moçambique 1970 (1-8mm)

Sem mais delongas e pormenores:
A Zaida e a Inês (Paivas e Nunes).

A foto a seguir é uma "frame" (vou ver se descubro uma palavra portuguesa que possa ser usada com este significado) dum filme feito em 8mm. 
Estávamos em 1970, na estrada que saía de Nampula em direção ao interior (Mueda, Tacanha, Praia da Choca (200 km +- no Índico), Ilha de Moçambique, etc. Já não me recordo se íamos a caminho de Tacanha (onde viviam uns primos meus) ou se íamos em direção à Ilha de Moçambique ou à praia. A única estrada alcatroada que havia à volta de Nampula, na altura, eram cerca de 80 km+- talvez 100... Eu estava a cumprir o SMO (Serviço Militar Obrigatório: não meti cunhas para não ir, talvez não conseguisse ou talvez sim, quem sabe; ao fim e ao cabo tinha um outro primo na zona de Lourenço Marques (Maputo) que era afilhado do Governador Geral de Moçambique eheh é verdade... ou são as minhas memórias que já andam a misturar lembranças toldadas no nevoeiro do tempo?!...) Ah, já me estava a passar, eu era Alferes miliciano do SAM (mais tarde posso decifrar esta sigla, se tiverem interesse nisso) e estava colocado num Batalhão de Engenharia, ao lado o Hospital Militar (helicópteros de evacuação de feridos em combate a todo o momento...); a Zaida acabou por arranjar colocação na CELC (depois falamos...) e tinha funções de Alferes (sim, sim...). Bolas. Tenho a impressão que me estou a meter num ´molho de brócolos`... (continuará?!) ...
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comentários no FB:
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António Nunes  Claro, é que o pensamento é tramado. Traz-nos lembranças e tanta nostalgia que não há quem resista! E aqueles serões, depois que chegámos, no Largo da Sé? E aqueles dias com o Trygva? Lembra-se, compadre? Aquele radioamador que veio da Noruega e esteve uns dias lá em casa? Aquelas batatas com bacalhau que ele comeu com uma satisfação inaudita, que não sabia que se comia bacalhau sem ser em papa/moído, sei lá. E aquelas guitarradas? Tenho mesmo que escrever uma crónica de todo esse tempo fantástico!
Jorge Viegas Claro que me lembro disso tudo!... E apesar da vida ter dado muitas voltas, o sentimento, apesar de não ser cultivado, continua o mesmo, e tenho por vocês uma grande estima, acreditem!...
Carlos Alberto Porque não te expões e passas para o papel as memórias boas e más dessa vergonhosa guerra, pensa nisso e avança, grande abraço
Aurora Simões de Matos Memórias bonitas que ficaram... São elas o lastro de um viver. Abraço meu...
António Nunes  Ó Carlos, meu amigo. Hoje emocionei-me de mais com este fragmento/instantâneo dum filme de 1970. Esse filme daquela parte da minha vida passou-me pela mente como se fosse um flash que conseguiu sobrepor todos os seus instantâneos. Vou mesmo começar a escrever "Crónicas de vida em Moçambique nos anos 70".
É verdade, cara amiga Aurora Simões de Matos.
Afinal, fui mobilizado para um teatro de guerra, tinha 21 anos, meteram-me num avião porque ia em rendição individual, tinha casado uns meses antes, a minha mulher 1 mês depois vai ter comigo, grávida de 7 meses e tal (contra tudo e todas as opiniões) Lourenço Marques-Beira-Nampula, a minha filha nasce em Nampula (um Hospital Civil de primeira qualidade, improvável para aquele tempo), encontro lá três primos na sua vida civil... Uma história que à medida que os anos passam me parece cada vez mais um sonho inverosímel. Retribuo o abraço com amizade...

Tanta coisa para nada, caro António Nunes. Por lá morreram 3 amigos meus. Sem proveito e sem glória... A sua história é algo parecida com a de outros que testemunhei. Na Beira ( Mueda) nasceu-me uma sobrinha... entre mato e água insalubre... filha do comandante da Companhia. E tudo já passou. Abraço para os três heróis Paiva e Nunes.
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6 comentários:

greentea disse...

tem graça , António. Eu nunca estive em Moçambique mas o meu marido fez lá o bendito SMO, perto de Mueda, durante mais de dois anos ... Há estórias que nunca mais se esquecem. Deves predispôr-te a contar a tua história também, mais tarde ninguém saberá dela nem recordará as tuas meninas, se não fôr através da foto (ou do filme).
Quanto a mim , escrevo uma outra hist´ria que tenciono publicar, mas a guerra aqui é outra digamos que uma luta de guerrilha entre a saúde e a doença . Sobrevivi, sim . Mas as sequelas ficaram.
Um abraço.

Graça Sampaio disse...

Maldita guerra colonial! Se bem que se guardem recordações de bons momentos. O da foto foi, certamente, um desses bons momentos!

O meu marido não meteu cunhas (a quem as meteria?!) e não foi mobilizado felizmente. Nem ele nem ninguém do pelotão dele de Santarém. Vá-se lá saber porquê...

as-nunes disse...

Greentea

Essa luta de guerrilha, espero que não seja coisa recente.

Mas venha lá essa publicação. Temos é que ter conhecimento do evento.

Um abraço

as-nunes disse...


Na altura nunca me passou pela cabeça que cumprir o serviço militar não fosse um Dever cívico e patriótico. Mesmo a questão política/humanista de se ir para o "Ultramar" estávamos sujeitos a uma lavagem ao cérebro que só meia dúzia de mais bem informados é que tomavam posição contra.

Beijinho, Graça.

Henrique Antunes Ferreira disse...

Nunesamigo

Cinco anos de serviço militar obrigatório não é coisa que se faça; mas eu fiz, cheguei a tenente miliciano sem saber ler e escrever... Dos quais dois em Angola como oficial da PJM mas por determinação do ministro do Exército, general Luz unha, ONZE colunas ao mato. Coisas da política está bem de ver pois o gajo dizia que eu era comunista perante a minha ficha da PIDE que ainda não era "DGS". Um dia hei-de contar a estória...

Entretanto aqui fica um

AVISO

MAIS UMA VEZ ACONTECEU-ME UMA PORRA: O MEU IMEILE DA SAPO PIFOU!!!!!!!!!

O BLOGUE http://atravessadoferreira.blogs.sapo.pt FICOU, POR ISSO PODES POSTAR COMENTÁRIOS NELE. MAS ESTOU SEM POSSIBILIDADES DE ENVIAR TEXTOS!!! ESTOU QUASE A FICAR DESANIMADO...

MAS VOU TENTAR ABRIR UM NOVO IMEILE NUMA PLATAFORMA INDIANA. DEPOIS ENVIAREI O SEU ENDEREÇO - SE O CONSEGUIR FAZER...


Abç do Leãozão

as-nunes disse...

Henrique
essa coisa do sapo acho que tem uma explicação. Por enquanto ainda não tem nada a ver com o facto de se ser do contra, não sei durante quanto tempo.
Os gajos escreveram um mail a dizer que iam fechar os sites mais antigos, aqueles em que tínhamos um domínio xxxx.no.sapo.pt
De modo que já copiei o que lá tinha para um disco externo. Fiz o download por ftp.
Quanto aos blogs também me suou aos ouvidos que iam fazer o mesmo,mas,oficialmente, eles dizem que não.

Um grande abraço, um emeil indiano?!