2017/08/07

A minha mãe aos 93 anos. Recordou-nos uma das suas canções preferidas: "Carmencita" que, nos anos 50 era uma das bandeiras de Amália Rodrigues

 A minha mãe fez 93 anos. Presenteou-nos com uns momentos a recordar os seus velhos tempos de juventude. Lembro-me tão bem de a ouvir a cantar as canções e fados da Amália Rodrigues. Como se pode apreciar no vídeo abaixo continua com uma voz invejável ! Obrigado Mãe!

Quando Regressámos, eu e a Zaida, a Leiria, encontrámos a Lua, assim, cheia, a sorrir-nos!




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1 comentário:

Portuguesinha disse...


Pessoas que nasceram há mais anos são um tesouro de memórias e também de lições. Pois já tendo passado por muito, quando a vida entra em loop - e os mais jovens não percebem isso - eles estão lá para contribuir e elucidar.

Pelo menos devia ser assim.
Recordo também a minha avó - que com Alzeimer lá se recordava era de canções. Para elas a doença não parecia afetar. Talvez por terem sido absorvidas muito cedo e ficado armazenadas naquela área do cérebro que guarda a memória mais tempo...

Nunca tinha ouvido a minha avó cantar quando ela era mais lúcida ou enquanto eu crescia. Nunca. Raramente a vi a ouvir fado, mas era a única coisa que ainda escutavam na rádio-cassete. Depois deixaram de usá-la, porque essas «modernices» nunca realmente os conquistaram. no máximo, ligavam a telefonia para escutar fado.

E fiquei com pena de não poder ter conhecido a minha «outra» avó. A mulher. A que era mais que avó. Ao mesmo tempo, sei que estive lá para ela e que a fiz sentir acarinhada e querida. Tive muitas conversas com ela - com a pessoa - não só com a avó. Mas como avó, ela nem sempre entrava em tópicos que a embaraçassem. Que não eram muitos. Falava de tudo com uma sinceridade típica da geração que teve a educação e formação que ela teve. E preservava-se nas memórias de maior sofrimento - coisa daquela geração. Uma tragédia era mencionada por linhas grossas e depois arrematada com um "já aconteceu", como que a selar a conversa. Pude pressentir que relembrar a dor mais íntima não era coisa que tivessem aprendido, pouparem-se dessas lembranças era um necessário ato de sobrevivência. Ao contrário das gerações que se seguiram, que se tornaram, a meu ver, mais de lamúrias, sempre a lamentar a má sorte pelas mínimas coisas, muito presos a eventos passados e muito presos aos «e se».