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2012/05/25

Pescadores, Caçadores e outros Mentirosos

A ideia do título não é, de modo algum, meter no mesmo saco os Pescadores, Caçadores (desportivos)
e os Mentirosos/Aldrabões que nos complicam a vida, autênticos predadores implacáveis...

Não é por maledicência, digo eu, mas ocorreu-me, nesta oportunidade, registar aqui esta associação de ideias.
Vinha eu de Monte Redondo, de regresso duma missão de trabalho, decidi seguir ao longo do Rio Lis e dei com a Pista de Pesca Vale do Lis, ali perto de Amor, na freguesia da Carreira. Achei um piadão àquele painel em que se brinca com quem passa para chamar a atenção para aquele empreendimento, simples, de mero aproveitamento dum recurso natural para atrair turistas com gosto pela pesca desportiva de rio.
Em tempos da minha Juventude, também me gabava de que era um bom pescador, que tinha artes de fazer boas pescarias, acabei mesmo por entrar em variadíssimos concursos de pesca desportiva. Um deles tem uma história muito engraçada, algo caricata quiçá, mesmo assim digna deste apontamento. 
Como se pode ver no conjunto que representa a frente e verso duma medalha que me foi atribuída na data indicada (1977, já?! parece que foi ontem!) eu integrei uma equipa que ficou em 1º lugar. Éramos três. A mim calhou-me, por sorteio, um pesqueiro que não me deixou apanhar uma boga pequenina que fosse. No entanto, os meus companheiros de equipa pescaram que se fartaram. No final, ao peso, ganhámos o 1º lugar. Logo, tive direito à medalha, guardada religiosamente no escaparate das minhas peças raras e de recordação. 
A verdade é que a equipa funcionou. Um por todos e todos por um!

E os outros, que, provavelmente, nem à pesca desportiva se dedicam? 
(um parêntesis só para que não os deixemos fugir do anzol)
Os que são mesmo aldrabões e ladrões, dispostos a dar cabo da vida dos seus compatriotas?
Se calhar ainda vão receber condecorações e medalhas no 10 de Junho, quem sabe!?...

2012/05/21

Tempo de balanço...Estado da Nação


Estou no exterior de um quartel. Do quartel onde passei os 3 meses que antecederam  a minha mobilização para Moçambique. Estávamos em 1969. Nessa altura Salazar apregoava aos sete ventos que estávamos orgulhosamente sós e antes assim que mal acompanhados. E vivíamos num regime ditatorial.

40 anos são volvidos...
(...)
Governos do chamado Bloco Central e de Direita foram sendo sucessivamente empossados, Centro/esquerda, Centro/Direita, Direita/Extrema Direita, Centro/Extrema Direita, ou seja, PS, PPD, CDS e nada.

Presidentes da República vários e nada.

Assembleias da República com muitos deputados e nada.

Entramos na Comunidade Europeia. E passamos a integrar a zona Euro, mudando do Escudo para o Euro. E entram Euros em catadupa. E desaparecem misteriosamente, através de artes e manhas de uns quantos espertos ligados às instâncias do poder, milhões e milhões de euros. E gastamos à grande e à francesa. A União Europeia garantia que era mesmo para funcionar, assim a modos que uma Federação de Estados, em que a Solidariedade era uma palavra de honra de cavalheiros. A Europa estava unida e organizada!

O Povinho dá maiorias sucessivas a Sócrates.

 Chega a hora de se fazerem contas. Não temos dinheiro para fazer face às nossas dívidas públicas, contraídas com o nosso aval.
E começam a exigir que nos portemos bem, para não assustar os investidores estrangeiros. Temos de recorrer ao FMI com o aval das instituições da UE,  até que nos impõem um plano de recuperação da nossa dívida coordenada por uma Troyka, estrangeiros a dizerem-nos como devemos gerir os negócios do Estado. As coisas complicam-se, até porque estes senhores esqueceram-se que havia um fator determinante e indispensável que era o Desenvolvimento Económico.

Vamos a eleições antecipadas e vá de dar maioria absoluta  ao miúdo de Vila Real, Passos Coelho e ao seu amigo Paulo Portas. E ele começa a armar-se em autoritário, a rodear-se duma equipa de tecnocratas e amigos de confiança.
As promessas esfumam-se rapidamente, tenham paciência, tem de ser assim ou então não teremos dinheiro para pagar aos funcionários públicos e aos pensionistas.

A corrupção de colarinho branco campeia impunemente: BPN, PPP, aquela coisa da EDP/rendas, protocolos de cobrança de portagens em duplicado, SCUTS que já não podem ser Scuts, Loureiros, Valas, Limas, Isaltinos. São muitos milhões que estão em jogo e com isso o equilíbrio das contas públicas.

A inflação continua, mas os salários e pensões estagnam.  São-nos sonegados o subsídio de férias e de Natal, não para todos,que se justificam umas exceçõezitas, para evitar a fuga de crâneos de reconhecida competência. Que não dá em nada.

Se calhar é melhor fazerem as malas e irem lá para fora, que lá há melhores oportunidades, sugere o Primeiro Ministro.
E se não se resolver o problema desta maneira, não stressem que isto de ir para o desemprego até pode ser um bom estímulo para se arranjar uma vida melhor, volta à carga.

Estupefação geral!  Ainda não conseguimos digerir estas mezinhas mas o resultado está bem à vista. Um milhão e desempregados, mais, talvez, que estas estatísticas quem pode confiar nelas?

E agora?

Os jornais já começam a receber recados para não publicarem certas coisas, que vão fazer mal à cabeça dos portugueses, coitados, que já andam tão à nora,  a prozac e xanax e outras coisas. Os que ainda têm algum dinheirito, por enquanto.

Começa-se a recear por represálias, perder o emprego. O medo instalou-se, joga-se com a ansiedade das pessoas, com a sua dignidade, a sua sobrevivência e da família.
Impensável que estejamos  a regressar a estes tempos fascisantes!

Que mais mos irá acontecer?

Será que a Democracia está, de novo, em perigo? Claro que está. Afinal quem manda? O Povo que vota, não. Quem manda então? 
Ora, pois, a Alta Finança internacional, sem rosto, globalizada, constituída por agiotas que se julgam uma raça à parte, especial, devem ter olhos especiais, descendentes de alguma estirpe estrita a certas camadas sociais.

Que fazer, então,  desta pescadinha de rabo na boca, tão bem arranjadinha que ela está?
...
(edição revista e mais sintética - 12h30)
@as-nunes 

2012/05/12

A minha rua, mais um sinal da crise? a juntar a mais uma asnice de PPC


Que mais dizer?
Não chegam estas imagens?
Todos os dias a ver,
Ninguém lê estas mensagens?!


Quanto ao Stop


Até posso aceitar,
Diabo, que maçada, 
Que só nos manda parar,
Pois então, vai cacetada,
Precisamos de avançar!...


Com que então, Passos Coelho
Nem é mau o desemprego?!
Pode ser um aparelho
Que nos evite ir ao prego?!...


Bem me esforcei por acompanhar a mensagem pretensamente filosófica do Primeiro Ministro, ontem, na Assembleia da República, mas não consigo chegar tão longe... 


(escusa de vir com explicações de interpretação do espírito dos termos que usou, que nós já estamos calejados!
O que está dito, dito está!...e nós ainda ouvimos bem!).

Defeito meu, certamente!...

E de milhões de desempregados, agora aconselhados a esquecer que a vida não é, também, trabalhar por conta de outrem, com dedicação, talento, consciência e... 

salário, já agora!...

Aliás, o ultra-liberalismo, que saibamos, ainda não descobriu maneira de substituir o labor do homem e da mulher na criação da riqueza!
Se não forem os trabalhadores a dar o seu contributo decisivo à Economia onde está o caminho para o Desenvolvimento?

Asnices!...
@as-nunes 

2012/05/03

Cowboys em Portugal

Hoje à tarde, ia eu a caminho de casa, tinha ido comprar uns pés de couve "penca" e "trouxa" para plantar no meu jardim/quintal (quer dizer o meu jardim adaptado para as várias funções, dar flores e frutos e produtos hortícolas, tudo tratado manualmente cá com a prata da casa), eis que começo a ouvir na rádio, "Janela indiscreta" do Pedro Rolo Duarte, jornalista que me habituei a escutar na Antena Um, "Hotel Babilónia", (em parceria com o João Gouvern) e a seguir no seu blogue, em determinada altura ouço-o fazer referência a várias reações dos bloggers (bloguistas, como se queira) àquela famigerada escaramuça social que foi protagonizada pelo "Pingo Doce", sobejamente divulgada na TV, rádio e jornais, percebi então que já andava por aí um vídeo da rapaziada da Rádio Comercial.

Uma cowboyada à moda antiga, se calhar o FarWest mudou-se cá para este lado do Atlântico. Só que, agora, não é uma cowboyada só para ver no cinema, é uma sequência de cenas reais, actuais, espelho do momento que se vive em Portugal.

Entretanto, também tomei conhecimento de que hoje o Jornal de Negócios traz um Editorial, assinado pelo seu Diretor, Pedro Santos Guerreiro, a abordar as várias implicações desta atitude inesperada e aparentemente inconcebível do ponto de vista comercial, concorrência desleal, fala-se em "dumping" e isso é muito "feio".
Da sua leitura permito-me ressaltar as seguintes NOTAS:

1 - Visto, é inacreditável: uma turba faminta amotina-se, espanca-se, enlouquece, encena uma pilhagem sórdida. É uma miséria de marketing. É um marketing da miséria.
2 - Dar uma margem de 50% num cabaz significa ter uma margem média de 100% para ganhar dinheiro.
3 - Esta é uma campanha de "hard discount", na senda duma estratégia que já traz a experiência obtida na Polónia, com grande sucesso há quase uma década. 

Ou seja:

- Este facto rocambolesco aconteceu pela primeira vez em Portugal, precisamente no dia 1 de Maio;
- Os gestores viram um livro com curvas de oferta e procura;
- Os juristas viram um livro de direito da concorrência;
- Ficámos a saber como está o país;
- A violência que não se vê nas manifestações de rua comprime-se no afã vidrado de uma fila de supermercado.

Resume o editorialista citando Shakespeare, no "Rei Lear":

"Esta é a praga deste tempo, quando os loucos guiam os cegos".

nb
Aconselho vivamente a leitura integral deste editorial.
Há que meditar e atuar em conformidade sob pena de o nosso país descambar numa anarquia ainda mais perigosa do que a que se vive atualmente.
@as-nunes 

2012/05/01

Como foi possível deixar que tão poucos tenham desgraçado a vida de tantos milhões?!...


Dia do TrabalhadorHoje, a Google, talvez a maior empresa multinacional de prestação de serviços da Internet e de efeitos multimedia, em fase de uma autêntica revolução nos moldes de funcionamento, abre a sua página, desta maneira. 
Quando o Dia do Trabalhador foi formalmente instituído, nem se sonhava sequer que algum dia a tecnologia das comunicações chegaria ao ponto atual, de que a Google é o expoente máximo, conjuntamente com o Windows/Microsoft como sistema operativo por excelência.
Pode-se dizer que a Google dá trabalho a muitos milhares de trabalhadores e que contribui para facilitar uma mais racional organização do trabalho, particularmente o científico e cultural.
Mas que, simultaneamente, obrigou a uma viva discussão sobre o melhor processo de evitar tantos despedimentos motivados pela revolução tecnológica atual e consequente substituição do homem pela máquina e processos automáticos de produção.
Uma verdade, porém, é incontestável.
A Humanidade é condição indissociável da natureza do próprio Homem. Logo, a tecnologia só é útil se contribuir para o bem estar do Homem.

DIA DO TRABALHADOR

Dia do Trabalhador, a mim, faz-me recordar os meus 27 anos, a comemorar o primeiro 1 de Maio em Liberdade, já lá vão 38 anos.
Uma festa indescritível, a rotunda do Marquês cheia de automóveis com bandeiras de Portugal, a circular em voltas sucessivas, buzinadelas, pessoas fora das janelas com o V da vitória, punhos cerrados, cravos vermelhos, canções revolucionárias, sorrisos de orelha a orelha, muita confraternização, afinal passámos a ser todos iguais, cheios de vida e entusiasmo, vivas e mais vivas,

Viva o 25 de Abril
Viva a Liberdade
Viva o 1º de Maio
Viva o MFA

Fascismo nunca mais

Hoje é o que se vê! 
Como foi possível deixar que tão poucos tenham desgraçado a vida de tantos milhões?!...

2012/04/29

Ao findar de Abril: "Poesia onde estás?"



Autocrítica do poeta (*)

É tão fácil dizer que saem dos olhos das mulheres andorinhas verdes
ou chamar à lua a caveira voada da flâmula dum navio pirata!

Mas a outra poesia - onde está?

A poesia que transforma de repente a música em lâmina
para romper a noite até à solidão dos archotes
que escurecem mais e mais
este abismo absurdo
sem astros de céu vivo
onde as pedras apodrecem
e as andorinhas verdes não saem dos olhos das mulheres?

Mas a outra poesia - onde está?

Esta esperança convicta
de teimar na certeza do nada
com explicações de papoilas
e esqueletos a abraçarem-se
no amor final já sem sentido de bandeiras?

Sim. Onde está?

Que palavras abre
para além da luz secreta
que os dedos dos mortos acendem no perfume das flores?

Sim. Onde estás?

- Poesia de rasgar pedras.
Poesia da solidão vencida.
Poesia das pombas assassinadas.
Poesia dos homens sem morte.

José Gomes Ferreira
Poesias III
Ed. Círculo de Leitores - 1971

(*) No original:
(Crítica à poesia das imagens aos cachos.
Como de costume, autocrítica.)
@as-nunes 

2012/04/23

Todos os dias são dias mundiais do Livro!...

O Largo 5 de Outubro de 1910, em Leiria, hoje.
Livros e mais livros, uma pequena amostra dos livros cá de casa, juntos ao longo de várias décadas...

Neste dia, oficialmente consagrado ao Livro, chegou-me, pelo correio, uma embalagem com um livro que eu comprei num alfarrabista, por sinal até se chama Nunes, o Luís Nunes, já lhe comprei vários, via internet, normalmente de poesia ou da autoria de escritores de quem já é muito difícil obter edições comerciais de livraria.
Há dias celebrou-se o 170º aniversário da morte de Antero, daí a razão de eu me decidir a procurar algo mais sobre Antero de Quental. Estou à espera de mais dois, um só com sonetos. São livros relativamente baratos, tudo é relativo, mas andam - colocados em casa, via CTT - entre os 5€ e os 7 e tal euros, às vezes um pouquito mais, quando me entusiasmo por alguma edição em particular e consigo que o acréscimo de despesa tenha cabimento de verba no meu orçamento.

Este livro, cuja capa está reproduzida na composição acima, é uma edição da Secretaria Regional de Educação e Cultura (Açores), Angra do Heroísmo, 1987. Por coincidência, o tema da capa é uma colagem com pintura de Álamo Oliveira, um grande escritor Terceirense, que ainda há três ou quatro meses esteve no Encontro de Poetas do Grupo de Alcanena, de que muito me honra fazer parte 
(como aprendiz, eu sei, mas que me têm proporcionado ótimos motivos de inspiração para uma tardia renovação do meu amor pela Poesia). 

A pp 196 do citado livro, pode ler-se este fragmento do Discurso de 7 de Março da Liga Patriótica do Norte:
(...)
" A vida actual, para ser autónoma e independente, tem de ser remodelada. A nação tem de emendar erros profundos e numerosos, acumulados durante muitos anos de imprevidência, de egoísmo, de maus governos e de corrompidos costumes públicos. Esta situação é tanto mais grave, quanto gradualmente se foi estabelecendo entre a nação e os governantes um verdadeiro divórcio, divórcio há muito latente e que a crise actual veio apenas patentear em toda a sua cruel realidade. Os governos, em Portugal, deixaram há muito de representar genuinamente os interesses e o sentir da nação. "
(...)
Estávamos na segunda metade do século XIX.

Parece impossível que hoje, 150 anos depois, ainda se possa considerar este discurso atual!...

@as-nunes

2012/04/22

Naquele tempo PPC dizia...



descobri esta obra-prima no conversa avinagrada
  • Não matemos o doente com a cura...
  • Não basta a austeridade e cortar...
  • Nós precisamos de valorizar cada vez mais a palavra...
  • O IVA não é para subir...
  • Eu não quero ser Primeiro-ministro para dar empregos ao PSD...
  • bla bla bla...bla bla bla...
-
Pacheco Pereira que me perdõe esta replicação, mas nem todos vamos ao "abrupto":
-
"temporário", 
"restituição intensa", 
"ajustamento estrutural excepcional"

Todos os dias novas palavras e expressões revelam como Orwell foi um verdadeiro precursor em perceber como o poder usa as palavras para mandar. Entre as novas aquisições da “novilíngua” encontra-se o “temporário” que passou a significar definitivo e o “ajustamento estrutural excepcional”, signé Vitor Gaspar, uma contradição nos seus termos porque se é “estrutural” não pode ser “excepcional”. Outra é a “restituição intensa” dos subsídios de Natal e férias, expressão utilizada pelo Primeiro-ministro. “Intensa” é o quê? Metade, três quartos, nada? Presume-se que signifique que em vez de ser “gradual”, passe a ser pouco “intensa”. Iluda-se quem pense que isto são jogos florais. Bem pelo contrário, são jogos do poder, destinados a não dizer nada, dizendo, ou a dizer tudo, não dizendo.
-
Cá está, há que valorizar a palavra!...
@as-nunes

2012/04/21

Abril traído



Abril sofisticado traído

Que mundo de Abril é este
Ilude-nos com desilusões
Abril tanta esperança trouxeste
Chagas agora nossos corações

Dias de chuva nos olhares
Silêncios interrogações
Terríveis estes esgares
Difusas confusas  emoções

Ao longe mais um milhafre
Impante nas suas  visões
Insuportável odor a enxofre
Sabor amargo a traições

Vergados sob tropelias mil
Leis e Decretos de maldições
Não deixemos que Abril
Se resuma a meros chavões

Leiria, 21 de Abril de 2012
António S Nunes

nota
no original usei a palavra "sofisticado" mas parece-me bem que não segui os conselhos dum dos meus mestres, Miguel Torga. Ele bem deixou escrito que a palavra tem que ser usada com a máxima preocupação e precaução também. Daí eu ter riscado uma e substituí-la por outra, mais direta ao assunto, para quê tantos sofismas e rodeios, não é, Rogério? 
@as-nunes

2012/04/17

Euro Estádio de Leiria: uma gestão imprópria e um desperdício

Castelo de Leiria, lado poente.
Aqui em baixo, mesmo ao lado do fotógrafo, um outro monumento, mas este, à falta de visão de quem tinha a obrigação de fazer contas dos dinheiros públicos!...O Estádio Dr. Magalhães Pessoa, o do EURO 2004.
Pois...mesmo juntinho ao Estádio da bancarrota municipal de Leiria...
As bancadas VIP, cadeiras estofadas a rigor, também ao rigor do tempo, a degradarem-se, algumas já estão a ficar rotas, cheias de teias de aranha, pó... Tudo muito naturalmente!
Um Estádio a pensar no Futuro ou só no(s) Euro(s)?

Os iniciados, Seleção Distrital de Leiria, a começarem um treino. O mais caricato, no meio de toda esta trapalhada, é que o relvado está que nem um brinco, tratado a rigor!
Estive ontem no Estádio Dr. Magalhães Pessoa (o do Euro 2004). Uma fortuna colossal que aquele estádio custou. A Câmara Municipal de Leiria, ou seja, os munícipes leirienses, ficaram com uma dívida incomportável, às costas. Para várias gerações. Nem sei mesmo se a conseguiremos pagar.

Para a gestão da sua manutenção e das atividades com ele relacionadas, foi criada uma EM, Empresa Municipal (Leirisport), que foi um maná para uma quantidade infinda de administradores (normalmente amigos das gentes do poder político local e nacional, claro está) que, à partida, sabiam que não tinham possibilidades de alterar o rumo irreprimível para o abismo financeiro daquele empreendimento público.
Os anos passam e a dívida aumenta. 
A UDL - União Desportiva de Leiria (SAD), que ficou com o privilégio de utilizar aquelas instalações a preço zero (bem se pode dizer assim, que toda a gente sabia, de antemão, que jamais a factura que a Leirisport lhe passava, seria paga).

Entretanto, o futebol profissional da UDL entrou num declínio profundo. O Presidente da SAD, João Bartolomeu, demitiu-se, os jogadores profissionais fazem greve aos treinos. O que vai ser da equipa de futebol representativa de Leiria? Uma incógnita. 
(aliás, até convém ressalvar que a UDL-futebol profissional, nem sequer já treina e joga em Leiria, vai para 2 anos!...mudou-se para a Marinha Grande, como bem se sabe!).


Lamentavelmente, os problemas relacionados com a utilização e destino a dar a este fantástico estádio, tão fantástico como megalómano, disso todos nós temos a culpa, embandeirámos em arco com a festa do Euro 2004, avolumam-se assustadoramente.
E aqui estamos com um problema de todo o tamanho para resolver. 
Só que as soluções tardam... e não se vislumbra qualquer luz ao fundo do túnel. 

Ontem houve treino dos iniciados para a Seleção Distrital. Lá estavam miúdos do UDL, Marrazes, Caldas, Alcobacense, Nazaré, não sei de que mais equipas. 
O meu neto lá anda, como os seus colegas, todos expectantes. Veja-se só, a treinarem num dos melhores estádios portugueses e até da Europa! Nem sei como, até porque os treinos têm de ser a horas em que já é necessária iluminação artificial. Repare-se nos holofotes que foram ligados. Constituem uma pequena amostra da intensidade de luz que pode ser usada naquele fantasmagórico estádio.

Não defraudem as esperanças dos miúdos, rapaziada de 1989!
Será que não se conseguem encontrar soluções para tão candente problema, não só financeiro, como desportivo?

Será que se vai concluir pelo irremediável, que será, como já se aventou a hipótese, fazer implodir toda aquela infraestrutura, a fim de impedir que a dívida aumente, cada dia que passa?!...

@as-nunes

2012/04/06

Aluados mas atentos...



Hoje,ao final da tarde, da varanda sobre as Cortes e Sra. do Monte.


Sensação de infinito, de grande paz interior, de que não podemos, de forma alguma, sobrelevar o nosso ego ao coletivo, afinal fazemos todos parte desta grande irmandade, que é o Infinito...


Mais palavras para quê?
Recriminações?
Reclamações?
...
Quem nos ouve e acode?   QUEM?!...
Estaremos a caminho da solidão, de não termos em quem confiar?


Infelizmente pressentimentos e apreensões não nos largam a mente:
Não sei porquê, mas cheira-me que o Governo ao impedir as reformas antecipadas até a 2014 , inclusive , no fundo não são dois anos , mas quase três ( estamos ainda em Abril de 2012), vai deste modo aumentar nesse ano ( 2014), a idade de reforma para 67 ou 68 anos . É um pressentimento, um sentimento vago, talvez um instinto daquilo que vai acontecer. Não há dinheiro , como pode por mágica haver de repente dinheiro para o 13º e 14º mês e para reformas . Poupem a minha inteligência , não confio nesta malta...
in Clube dos Pensadores aqui
Subscrevo integralmente,
@as-nunes 
Obrigado, SD, um abraço.

2012/03/28

Cores do sentir estes tempos que correm...


Da minha varanda sobre a Sra. do Monte...

Cores do sentir
Estes tempos
Que correm
Desgarrados
Desatentos
Ao que as pessoas
Sentem
Os malfadados
Vidas à toa
A insinuar desistir!...

Mas não
Algo mais se vê
Sem ser o chão
Duro e seco da terra
Que se adivinha
No meio da escuridão…

Amanhã
Cá estaremos
Melhores serão
Os dias próximos
Quem sabe choverá
E o campo florescerá…


2012/03/22

Leiria a mudar de sítio e de mãos


Era uma vez uma cidade que tinha um Castelo no cimo dum morro, que se via de todos os lados, um Centro Histórico que fervilhava de gente e comércio, vida comunitária, às Terças e Sábados era um corropio pelo Mercado, Rua Direita, João de Deus, Av. Combatentes da Grande Guerra, Correios, Praça Rodrigues Lobo e seus cafés e lojas de ferragens e farmácias, Rua D. Dinis, Largo da Sé, Largo Goa Damão e Diu, Av. Heróis de Angola...
.
.
.
Hoje, Leiria, mudou-se de armas e bagagens para a chamada zona comercial, com o seu enorme Shopping Center onde as pessoas passaram a comprar tudo, a marcar encontros, a comer, a ver cinema, a passearem nas avenidas artificiais e iguaizinhas a tantas outras dos outros Shoppings espalhados pelo país. Há momentos em que até perdemos a noção se estamos em Leiria ou em Lisboa ou no Porto ou noutra cidade qualquer. 


Os acessos rodoviários concebidos para encarreirar as pessoas para o Shopping usando a A1, A8, A17, A19 e os IC2, IC9, IC36, todos interligados num gigantesco nó górdio à volta da cidade.


Autómatos é no que as pessoas se estão a transformar. A reagir aos apelos da sociedade de consumo, a comprar barato e para usar uma ou duas vezes, deixando-se enredar nesta teia de comprar para deitar fora, logo a seguir voltar a comprar, é barato pode-se comprar e deitar fora, não é preciso fazer contas, compra-se porque é barato e pronto. E a deixar a urbe Leiriense às moscas, aos pardais, aos pombos e aos escombros das casas da zona histórica que não tarda caem que nem tordos, que ninguém se incomoda com a sua recuperação autêntica. Os abutres já se vêm nos seus voos circulares à espreita que a presa perca as suas forças, aproxima-se o tempo em que todo o centro histórico passará por tuta e meia para as mãos de meia dúzia de endinheirados que se irão voltar a pavonear na cidade quando o vulgo tiver abandonado o centro, exausto, particulares, proprietários e pequenos comerciantes.


Voltando ao Shopping; além disso há os cartões de crédito. Aos montes!
Esquecem-se que ao pagarem o saldo dum cartão de crédito com outro cartão de crédito estão a aumentar a sua dívida em 20 e tal por cento.


Assim não há orçamentos que resistam!
Muito menos em momentos de crise declarada como a que estamos a atravessar!
-
Fotos tiradas do Alto dos Capuchos
---------------------------------------------Em tempo ----------------------------------------------------------------


Nem de propósito. 
Comprei hoje (23 de Março 2012) o "Jornal de Leiria" para ver se me mantenho mais ao corrente do que se vai passando aqui nesta zona e dei logo com a minha atenção na seguinte manchete:
Álvaro Pereira, presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande
O shopping de Leiria secou tudo à volta


Mais na pág. 17 do jornal.


@as-nunes  

2012/03/04

PT: pago 15 Mb/s e é isto! ... e a TDT?



Se isto não é roubalheira, o que será então?!...
- Já agora:

TDT - A vergonha nacional... sabiam disto? 




"TDT é um imposto disfarçado para ver televisão".
Ontem, num debate proposto pelo PCP sobre a TDT (Televisão Digital Terrestre) ficou provado, mais uma vez, que podíamos ter muitos mais canais gratuitos e não uns míseros 4 canais.
Esta operação foi um tremendo negócio para a PT.

Curiosidade: Alemanha tem 20 canais gratuitos; França tem 29 canais gratuitos; Espanha tem 20 canais gratuitos; Itália 27 tem canais gratuitos; Reino Unido tem 38 canais gratuitos.
O Governo podia ter incluído mais canais, mas não o fez para manter o negócio de alguns «tubarões»...
ESTAMOS A SER ROUBADOS.

(fragmento de um e-mail que circula na internet)

@as-nunes

2012/02/07

O Tempo às avessas



O PÃO DO TEMPO

Diziam-me que amanhã seria o primeiro dia
depois de amanhã em que não seria preciso
pensar no que há para fazer, nem em fazer
o que há para pensar. Deixei correr o tempo; e
as coisas avançaram sem que amanhã chegasse,
e sem que depois de amanhã me pudesse
lembrar que tinha de pensar no que havia
para fazer. Juntei todas as coisas no alguidar
do poema, onde a massa dos instantes
fermentava. O que eu tinha de fazer
era metê-la no forno da eternidade,
depois de bem amassada; mas esqueci-me,
e quando voltei ao poema
a eternidade estava cheia de um musgo feito
das horas e minutos que eu perdera a pensar
noutras coisas. Ainda espreitei o forno:
mas a lenha ardera até se transformar em
cinza, e em fumo efémero dissipava-se
no céu estranho desta memória de amanhã.

Nuno Júdice
p. 76 – A matéria do poema
Ed. Dom Quixote - 2008

Tratamento digital sobre fotografia
à Lua em quarto crescente, madrugada gélida 
de Fevereiro de 2012, Chainça - Fátima, 
através do tronco e ramos dum Lódão

A ansiedade do momento na Grécia, 
em Portugal e...
é muita. 
Como calar esta nossa expectativa?
Deixem-nos, ao menos,
desabafar!

2012/02/01

Gravetos contra o frio em Portugal

Em plena cidade de Leiria...

Segundo as últimas notícias, o frio a valer, frio polar, temperaturas que vão descer abaixo de zero – e bastante – mesmo em Portugal, este belo país de brandos costumes e brando clima, está aí à porta. De todos nós.

Só que mais de uns do que de outros!...



@as-nunes  

2012/01/28

À espera de transporte...para a outra margem?!

 Quem serás tu, amigo?

Na quinta da rampa, canas de milho por cortar, ao fundo renques de árvores a bordejar o rio Lis, quase sem água...

Na Rotunda Rotária (a do McDonalds) e à volta - Leiria
Estacionei o pópó, ia meter gasoil (gasóleo), puxei da máquina fotográfica...


EMIGRANTES


Esperemos o embarque, irmão.


Chegamos sem esperança,
só com relíquias de séculos
na palma da mão.


Pela terra endurecida,
não há campo que aproveite.
Mesmo os rios vão morrendo
pela solidão.


Não sofras por ter vindo.
Alguém nos mandou de longe
para ver como ficava
um rosto humano banhado
de desilusão.


Olhemos esses desertos
onde é impossível deixar-se
mesmo o coração.


Ah, guardemos nossos olhos
duráveis como as estrelas
e seguramente secos
como as pedras do chão.


Iremos a outros lugares,
onde talvez haja tempo,
misericórdia, viventes,
amor, ocasião.

Cecília Meireles


(Tenho andado a ler poesia de Cecília Meireles... até logo, companheiros de Alcanena!)
@as-nunes 

2012/01/22

A laranja vs. certas laranjas...


A vitamina C das laranjas 
faz muito bem à saúde
na dose certa.
Em demasia e em tempo desajustado
são muito indigestas, as laranjas.


E se, para cúmulo do azar, são azedas, pior ainda!...


@as-nunes