2007/01/14

País Lilás

(Continuação do post anterior - )
-
Ontem, Sábado, Praça Rodrigues Lobo, Leiria, Feira das Velharias.
Fui lá com a intenção de tentar comprar algum livro ("País Lilás", se possível) de Afonso Lopes Vieira, cuja obra editada está esgotadíssima, há anos, e somente alguns exemplares existem na Biblioteca Municipal de Leiria com o seu próprio nome.
Havia alguns!...
Optei por um, encadernado a rigor clássico, edição de 1922, da Sociedade Editora Portugal Brasil, La - Lisboa. "País Lilás, Desterro Azul" é o seu título.
Escreve o poeta, em PRELÚDIO:
.
Não tenho culpa, meu Deus,
de fazer versos assim;
pensando bem, não são meus,
são de alguém que canta em mim.
...
E o País Lilás se aloira
no além da saudade plena...
- País Lilás, pátria loira
desta saudade morena.
...
Nostalgias da alma êxul,
canções do mais longe, além...
- País Lilás, que és também

...............Desterro Azul.
-
E em FINAL:
...
Exílio! Exílio! A ansiedade
no além de mim me exilou...
- País Lilás da saudade,
Desterro Azul onde eu estou!
.
Canções, calai esses ais,
saudade, adormece em mim.
O fim de um poema é: «Não mais!»
soluço eterno do fim...
-
* (Consulte-se o semanário "TAL e QUAL" de 12 de Janeiro de 2007, Sexta-feira passada)

5 comentários:

  1. Meu caro António

    Como dizia o outo:"o algodão não engana"
    Os meus parabéns e continue a brindar-nos com qualidade e simpatia.

    Um abraço e boa semana

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  2. Na verdade...
    Há palavras que enchem a alma, mesmo quando a alma anda mirradinha sem saber bem como ou não querer perceber porquê...
    e estas palavras:

    "Canções, calai esses ais,
    saudade, adormece em mim.
    ..."
    chegam-me mesmo mesmo a calhar, agora!

    (ainda que não seja bonito, devo confessá-lo: fiquei cá com uma inveja dessa publicação!!! quem dera ter sabido da feira! ;)) :)

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  3. ASN,

    Belo blog,

    sem dúvida voltarei aqui!

    Abraços, Guilherme

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Muito obrigado pela sua participação no possível debate que este registo possa suscitar.