2012/10/12

Afinal, somos mas é calhaus! ...



Esta gente

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais  do que a pedra
Humilhada e calcada
Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo

Sophia de Mello Breyner Andresen

@as-nunes

4 comentários:

  1. Excelente e apropriada escolha de imagem e texto!
    Não será tempo de construirmos um castelo?

    beijinhos

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  2. Há sempre pedras pelo caminho e vamos desviando e seguindo ...
    Bonito poema da poeta portuguesa _ há tempos ela já buscava um país justo liberto e sobretudo de vida limpa.
    Tão bom seria de encontrássemos!
    Lindos dias pra ti
    com abraços da
    lis

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  3. Se Sophia vivesse os tempos de hoje não escrevia isto sobre "esta gente"... Somos mesmo calhaus!!

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  4. https://plus.google.com/114489985890520717396


    Florbela M14:47


    A Sophia lá sabia... Se não somos calhaus, pelo menos parece que temos a mioleira com um bloqueio qualquer. Estou a tentar perceber como funciona este Google +. Se notar qq anormalidade da minha parte, já sabe porque é.



    António Nunes14:55Editar

    Viva Florbela, prazer em tê-la por aqui, pelo Google +. A mim parece-me que temos aqui um novo Facebook made by Google. É bastante completo. Ou seja, qualquer dia vamos ficar por uma destas rede sociais e temos cá tudo como no Shopping Center, como o que temos aqui em Leiria. Supermercado, cinema, vestuário e calçado, restauração, ruas, livrarias, farmácias, só lá falta uma esquadra da polícia e um centro de saúde.
    Uma cidade satélite, que, paulatinamente, está a substituir a cidade histórica.
    Não estou a gostar deste novo paradigna de vida| ...
    Expandir este comentário »


    António Nunes14:58Editar

    Vou inserir este comentário no meu blogue:
    http://dispersamente.blogspot.com

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Muito obrigado pela sua participação no possível debate que este registo possa suscitar.