2008/10/18

Praia do Pedrógão - Outubro 2008

Hoje, depois de mais de um ano sem ir ao Pedrógão, cá vim matar saudades da praia e do mar. Ao passear pela marginal dei com esta pasteleira estacionada. Velhinha, enferrujada pela maresia...

Sentei-me numa esplanada e ali estava o MAR. E alguns pescadores à linha. Mas não pescaram nada, enquanto os observei.


Esta foto foi tirada há semanas atrás, nesta praia. O meu cunhado, o Zé Paiva, tinha regressado duma pescaria daquelas de que só ele e o Toino Prestes são capazes. Este robalo pesa 9 kg e tal. Ainda está no frigorífico. Pode ser que ele ainda se lembre de convidar os leitores deste blogue. Vamos lá a ver. Espero bem que ele não tope que me servi desta foto (não fui eu que a tirei). É que ele não gosta de andar a apregoar aos sete ventos que, de vez em quando, lá vem um robalão, quando vai à pesca, o que acontece com muita frequência. Só assim é que ele se pode gabar que é dos poucos que sabe ler o mar, o que é imprescindível para uma boa pescaria.
Posted by Picasa

- Por certo que não se vai aborrecer, que é pessoa com veia poética (também não quer que se saiba).
Assim, a propósito, aqui vai um poema de Manuel Alegre que li na "Senhora das Tempestades" - Publicações Dom Quixote - 1998:
-
Décimo Poema do Pescador
.
Nem sempre o robalo vem
nem sempre ele traz aquele inexplicável e fundo
mistério de pulsar como o coração de alguém
ou talvez como o próprio coração do mundo.
.
Nem sempre me toca a graça e nem sempre está
o vento de feição. E no entanto procuro
incansavelmente procuro o não sei quê que já
muitas vezes me trouxe um coração no escuro.
.
Não há senão esse buscar. Esse incessante
navegar pelo sonho essa viagem
de Ulisses sem regresso. Como alma errante
não mais que um viajante de passagem
.
um intruso no mar um algo a mais
pela noite adiante obsessivamente procuro
na página nos astros nos canais
um verso um peixe um coração no escuro.
.
Eu pescador Ulisses alma errante
navegador da noite procuro nem sei bem
uma luz um robalo um breve instante.
O coração do mundo. Ou de ninguém. Ou de quem.
.
.............. Lisboa, 28.12.96

- "robalo" a negrito; ousadia do autor do blogue.

4 comentários:

Tozé Franco disse...

Olá António.
Avise-me se abrirem as inscrições para o dito robalo.... Desde que não seja cozido, tudo bem.
Bela praia. Já aí comi um excelente arroz de marisco.
Um abraço e bom Domingo.

as-nunes disse...

Pois...a esperança é a última coisa a morrer. Mas ou muito me engano ou os 9 kilos de robalo já estão mais que repartidos por uma catrefa de convidados. Não sei se vai chegar para todos.
Pode ser que o Zé, entretanto, pesque mais um ou dois do mesmo tamanho. Já o Manuel Alegre diz no seu poema que o robalo tem as suas manhas. Ele há dias e dias. Chega-se a ir à pesca dias inteiros e...nada...uns peixes aranha e é um pau.
Um abraço, Tozé.

as-nunes disse...

Pois...a esperança é a última coisa a morrer. Mas ou muito me engano ou os 9 kilos de robalo já estão mais que repartidos por uma catrefa de convidados. Não sei se vai chegar para todos.
Pode ser que o Zé, entretanto, pesque mais um ou dois do mesmo tamanho. Já o Manuel Alegre diz no seu poema que o robalo tem as suas manhas. Ele há dias e dias. Chega-se a ir à pesca dias inteiros e...nada...uns peixes aranha e é um pau.
Um abraço, Tozé.

Flor disse...

Belo peixe!
Adoro peixes, vivos e tambem no prato, ontem estive na casa de mamae e comi uns tantos pedaços de pescada!
Abraços, e sim, a pitanga alem de lindinha é muito gostosa!