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2018/08/13

No aniversário de um amigo






Ao Carlos Pires

há amigos que marcam
porventura para sempre
a marcha da nossa vida

pelos montes
vales
rios 
nos quintais

encontramos sinais

como sejam
peixes pássaros formigas
maçãs chuva
Deus a sorrir por entre as folhas
das macieiras

e coisas que nos falam
de coisas a celebrar
juntam seixos na areia
e mostram-nos desenhos

que significam sempre algo
de extraordinário

por exemplo um sete
do mês de agosto

salve amigo 

Lourais, no meu quintal, em 7 de Agosto de 2018

António Nunes (a DA)

(e-mail Có-Có)

PROMETEU deu o fogo ao Homem







Prometeu roubou o fogo
A Zeus
E ofereceu-o aos homens
Para estes se servirem dele
em harmonia com a Terra
com o sol e o universo
Zeus zangou-se
talvez ainda esteja furioso
infligiu a Prometeu
martírios inauditos
e agrilhoou-o
a um rochedo escarpado
onde era devorado
nas entranhas por um abutre
e o homem não percebeu
deixou-se dominar
pela ganância de tudo conseguir
tinha a arma do poder
nada nem ninguém
nem o próprio universo
o poderia travar
rumo ao fausto e à glória
até que o próprio fogo
se virou contra ele
será que valeu a pena
o sacrifício de Prometeu?!

a DA (9ago18)

2018/08/03

um poema do mundo



medito nos olhos
um poema do mundo

talvez mesmo uma pauta sideral

e vejo imagens de bruma
e de nuvens de chuva

nas reverberações de luz do farol
diz que vai chover amanhã
a pedido do homem

que os deuses concordem
que venhas chuva
por bom caminho
mas vem chuva

nós adoramos-te
mesmo quando dizemos
que te demoras
a limpar o céu carregado

libertando o azul infindo
e o sol

(bênção, poetas em S. Pedro de Moel)
- particularmente a Carlos Lopes Pires

Leiria, 2 de Agosto de 2018 - 39ºC
--- (foto de 28jul18 - Pª Pedrógão)

a DA

2018/07/19

a luz do sol depois da chuva




















a luz do sol depois da chuva

​esta nossa irmandade
tão inesperada como santa
há-de ficar para sempre
como um farol
para a humanidade

ainda que nem ela
a esteja a ver ainda

os monges quem são ¿¡
perguntamos a quem ¿¡
não sabemos ¿¡

dividimos os nossos silêncios
lançamo-los às nuvens

a luz do sol depois da chuva
e Deus por aí

a d´almeida
18jul18

2018/07/04

Hoje voltei a falar com Deus








Hoje voltei a ver Deus

E ouvi-O também
No sítio do costume
No meu quintal

E dizemos coisas de cismar
Um ao outro
O vento na sua melodia intemporal
Acariciando o tempo-momento

Estes momentos embora indefiníveis
São momentos infinitamente plenos
Duma melifluosidade muito para além

Daqueles em que as palavras
Se entrechocam umas com as outras
Incapazes de se ajustarem
De forma a que consigam transmitir
Aquilo que elas próprias
Não sabem definir
Mesmo que em cifras
Desdobrando-se nas suas sílabas
Tocando as suas próprias letras
Desconjuntadas ao sabor do vento
Que passa passa passa

O vento vento
O vento começa por levar as letras
E sem mais delongas
As sílabas
E as próprias palavras


Agora lá estão à vista
Naquele recanto do meu quintal
Duas papoilas espontâneas
No meio de outras coisas

E tudo isto só pode ser Deus
Impossível de descrever por palavras
talvez a Poesia o consiga
um dia

a DAlmeida
(obrigado, Carlos Lopes Pires)

2018/06/23

Mãe, onde estás?



Os dias estão sombrios
A névoa da chuva miúda
Tapa-nos a visão 
A mais longínqua

O pensamento num torpor
Indagando ansioso
Da finitude das coisas

Que força incomensurável
Faz mover a vida?!

Mãe, onde estás?


a dalmeida 7jun18
(às duas mulheres, muito idosas e em fase crítica de saúde,
às quais chamo ´mãe`)

Vale a pena escrever para ninguém






Ainda a propósito do livro de Pedro Jordão "Deus Aposenta-se" e da apresentação de Carlos Lopes Pires

gostei
muito

e vi uma lágrima
assomar-se
comovida

uma
das minhas
também

e vi rosas brancas
e muito azul

e ouvi o
pintassilgo...


mais uma vez



a DAlmeida

in FB de 6jun18

Escrever uma canção às rosas do meu jardim








estudo para aprender
segundo o que dizem os livros

mas algo estranho
se passa comigo

só consigo apreender 
o que os meus olhos veem
e o que escrevo 
como se estivesse
a enxertar uma cepa torta

tenho ouvido 
as rosas do meu jardim
a falarem entre si
as brancas pintadas de cal
as amarelas em tons de limão

como se eu não existisse

mas não
que elas alindam-se todas
quando eu me aproximo

ainda hei-de ser capaz 
de lhes escrever
uma canção

a DAlmeida
fb28maio18

2018/05/23

Voar sobre os telhados








Sim voar sobre os telhados
Como se fosse temporada
De afinar as antenas
E comunicar com quem quer que seja
Onde quer que esteja

Algures no universo

Pela via dos olhos dum gato
Pálpebras fechadas
A ver mesmo assim
A inspiração deste momento
Que me deixa transido de pensamentos

Tão díspares
Tão dispersos

Pensar por que estou vivo

A noite vai longa

a-nunes18
in FB 12mai18

2018/05/06

Minha mãe maio 2018





MÃE
-
Um sorriso antigo
A seu lado uma rosa
Olhar que assome
Sobre o muro da casa
Remoçada mas velha
Que também ela
apresenta outras memórias
De há muitos anos
Na rua daquele ´Casal`
Essas memórias passam difusas
Vozes que soam a festa
A alecrim mimosas e arraial
E há uma que sobressai
A minha Mãe a cantar
“Aleluia santº salvador”
Ele do alto do seu andor
Ela a rezar com fervor
E continua…
Aaleluuia, aleeeluuia…
E relembro o dia
Daquele meu exame
E daquele peregrino
Que te prometeu
Um milagre
E esse milagre aconteceu
Esse teu olhar embevecido
Com que me tens olhado
Sempre que nos encontramos
Jamais o poderei esquecer
“És tal e qual o teu avô”
Avô de que eu não tenho
Uma fotografia sequer
Só me ficou a imagem
Daquele dia soturno e nevoento
Do dia em que morreu
No Seixo no Porto cinzento
Mãe
Estás no fim do teu caminho
Talvez até já tu o estejas a pressentir
Mas também quer(emos) que sintas
Que não estás só…
Talvez por isso mesmo
Passo a assinar
António d´Almeida Nunes

6mai18

2018/04/14

No blog de Carlos Pires: https://cmlopires.blogspot.pt



No blog do meu amigo Carlos Pires, na zona de comentários:
---


foi-me dado a saber
que amanhã vai ser
tempo de mais um foco
da luz dos teus poemas

há um ponto no universo
na infinitude do tempo
e no incomensurável do espaço

onde os teus versos
se procuram

no princípio que não encontra o fim

uma luz indescritível
que não invisível
pressente-se
vinda dum buraco negro
não-dimensionável

luz filtrada por rosas
e pelo voo dos pássaros

abr18
a-porfírio


Há pessoas que encontramos na vida, e nem sabemos bem porquê. Pessoas que nos fazem sentir redondos. Pessoas que se acompanham de leveza e nos fazem sentir leves. Que usam as palavras como se fossem rosas. Pessoas que podemos ter conhecido apenas ontem, mas que sentimos conhecer desde sempre e de algum lado. Assim és tu.

-

Grato pelas tuas palavras, Carlos.


2018/03/19

Chuvas de Março de 2018




Andarilhos do infinito

Suplicam as almas perdidas
dos irmãos que se definham no presente
fugitivos da clausura do infinito
e choram preces mudas
na tentativa vã
de apaziguarem o seu desassossego.

Oh chuva que transbordas
o caudal das ribeiras
para assim germinarem
as sementes
das nossas interrogações infinitas
enquanto caminhamos
para além
de nos perdermos de vista…
 -
A d´almeidaN
Mar18

Poesia (ensaios) - pingos passam por mim




ainda bem que os telhados
não protegem de toda a chuva
pingos passam por mim
com um sorriso

Estão velhas
estas telhas

gosto delas assim

fazem-me recordar
um certo tempo

(a pensar na Lurdes, na Sinó, no Vitor: a treparmos o tempo de dois em dois degraus...)


-

O meu amigo Carlos Pires tem-me incentivado a escrever "poesia".
E eu, às vezes, até penso que se calhar também sou poeta...

-

Este meu amigo tem um blog (que começou a editar recentemente, em substituição de um outro, já mais antigo, mas de que perdeu os códigos de acesso.

O ponto cego da existência

-

Obrigado, Carlos, por me teres dedicado:


apanhar ar
mexer na terra 
receber a luz 

mover as sombras
ou segui-las

depois ir
como se fosse vento
e lá fora chuva
                             (para a-porfírio)


em 27 fev 2018

2017/10/24

Poetry Slam: Os primos . Poema que declamei no MiMO - Leiria,





Participei no Poetry Slam MiMO - Leiria, no dia 7 outubro de 2017.

Um poeta de poesia de cepa torta, mas é assim que me exprimo na minha ânsia de querer partilhar o que me vai na alma, num momento do tempo que vai passando por mim...

Estava a pensar nos muitos primos que vivem na floresta imensa que abrange todo o planeta. Disse-o com muita emoção, talvez que a voz até se me tenha embargado, a espaços ...

Obrigado Pedro Silva https://www.youtube.com/channel/UC6Q15a6ykSdevISqhx2IQXA )
 por teres feito as gravações e as estares a divulgar no youtube.

Um abraço.


2017/09/04

Nos meus 70 anos de vida. Obrigado, Carlos Pires

No dia dos meus 70 anos (em forma de agradecimento a um e-mail que recebi do Carlos Pires em   fevereiro 2017  )


Carta de agradecimento 
Carlos Pires


Acuso a receção da tua carta, poeta
e quero dizer-te que a li
atentamente
e reli-a
uma, duas, várias vezes
quero agradecer-te as coisas
simples que nela dizes 

a vida é e não é
aquilo que nós pensamos ser
sem conseguirmos chegar 
a lado algum

afinal o que é a vida?
o que pensamos ser a vida?
o que queremos que ela represente?
o que seria a vida sem poetas?
um pouco de nada a querer ser tudo?

a vida será o tempo que passa?!
o voo dos pássaros sobre o mar?!
o tempo partido em fragmentos?!
o vento que nos quer falar?!

queria responder à tua carta, poeta
com palavras em tinta de chuva
que pudessem dizer coisas 

mas não estou a conseguir
hoje dei comigo a querer ser tempo
tempo que me foge 
não sei se porque me falta
se porque me ando a perder
nele

o tempo hoje
é um número
70

                          espero bem viver
                          o que me faltar
                          simplesmente

O arrojo de falar da poesia de Carlos Lopes Pires

Apresentação do livro de poemas de Carlos Lopes Pires em 1 abril de 2017 no auditório da Casa-Museu João Soares.
(pelo sim pelo não talvez tenha interesse ver o meu vídeo https://youtu.be/42x9zVdWVYU )

A este propósito e porque me permito, às vezes, o arrojo de
me referir à poesia do meu amigo e "irmão" Có-Có Carlos Lopes Pires
---


ato de contrição (para o Carlos Pires) Uma campainha soou e o som não era um simples toque eram palavras estranhas que não podia ignorar diziam coisas de alarme que queriam dizer coisas que eu teria de decifrar e não ficar na eterna ignorância e falavam estranhamente de formigas e de muito céu e de maçãs e de tardes azuis estariam a interrogar-se sobre um livro de poemas e de como o tratar naquela sua capa de adeus com letras em branco e silfos e um menino verde e azul e uma formiga a ajudar-nos a ver como era Deus a minha ignorância talvez seja poesia também mas «a minha poesia é uma ignorância» é um livro bonito com uma poesia infinitamente maior que toda a minha ignorância Esta é a minha penitência mas não me sinto penitenciado o suficiente ... antónio n

2017/08/30

Será que sou Poeta?! na pura aceção do termo?!


Decidi-me. Vou preparar um livro sobre poesia. Será que me posso considerar um Poeta na aceção literária do termo?! Será que é poeta quem quer?! Bastará querer para se poder ser poeta? Eu penso que sim. Sinto a poesia como uma forma de dialogar intimamente com o meu Eu mas na expectativa de poder chegar ao Outro. Comecei este ´post` sob um impulso inexplicável. Acabei de ver um vídeo e ler um texto alusivo ao que de estranho para nós, Homens, parece estar a acontecer no nosso Planeta no seu conjunto e do próprio Universo. 
É assustador atentar nas interrogações que os próprios cientistas estão a levantar. Parece que o mar se está a comportar duma forma estranha. Diz que o Atlntico está a recuar em relação à terra. Mas que, em contraste, se estão a formar ondas alterosas no Pacífico. Que o grau de inclinação da Terra em relação ao posicionamento do seu campo eletromagnético e à sua translação à volta do sol se está a alterar no sentido duma maior verticalização...
...
Voltemos à poesia. Pretensão minha, talvez, mas a verdade é que tenho escrito uns ensaios poéticos. Não sei se algum dia conseguirei fixar-me numa linha de rumo, num fio condutor preciso...

Há dias escrevi este "poema" que deixei, de improviso, ao sabor do momento, no Facebook do Grupo de Poesia de Alcanena. Já aqui falei deste grupo, penso eu. É só confirmar no Índice Temático deste blogue. Já o farei.

É assim:


o dia a hora o vento lesto
calor brutal numa onda de fogo
é o verão da morte
no crepitar das folhas finas pontiagudas 
das árvores esguias queimadas
fantasmas dissimulados nas estradas
homens mulheres crianças
envoltas no pavor da morte
embrenham-se no desconhecido
perdem-se em imagens terríveis
mudas de espanto e terror
esfumam-se em espirais de dor
a televisão repete aqueles momentos
ininterruptamente
demoniacamente
mistura-os e confunde o próprio tempo
com fotografias vídeos
reportagens indiscretas em direto
inflamando a própria incandescência
com palavras eivadas de demência
vidas e sentimentos
são convertidas em teatro
num palco inimaginável
um corrupio de lamentos
e de tantos fingimentos …
este verão
já é da Morte

jun2017-Leiria
as-nunes

---

Outros ensaios dispersos pelo Facebook e papéis........... que vou encontrando aqui e ali


---

Eu e o Outro

A prescrutar o tempo
Eu ao lado do Tempo

Eterno e Velho amigo
Sempre comigo a conspirar
Etéreo e incógnito trilho
Onde quer que ele vá dar
 
Congeminações e embaraços
Quantos entrelaçamentos
Nesta teia infinita de laços
Dobados ao longo dos tempos

A vida é tudo e é nada
Talvez um mito cósmico
Que nos limita a jornada
O Outro em mim atónito

Eu um átomo ou menos
Duvidoso de si e do Outro
Sentindo-se mui pequenos
Neste mundo e no outro

Seremos,
Eu e o Outro
Eu?!

as-nunes
jan17

---

Onde quer que ele vá dar
 
Congeminações e embaraços
Quantos entrelaçamentos
Nesta teia infinita de laços
Dobados ao longo dos tempos

A vida é tudo e é nada
Talvez um mito cósmico
Que nos limita a jornada
O Outro em mim atónito

Eu um átomo ou menos
Duvidoso de si e do Outro
Sentindo-se mui pequenos
Neste mundo e no outro

Seremos,
Eu e o Outro
Eu?!

as-nunes
jan17

---


Já andava desanimado
Com tamanha desfaçatez
Uma aveleira que nem sequer
Dava ares da sua função
Que é dar avelãs
Triste sina a dela e a minha

Há  dias surpreendeu-me
Mostrou-se enfeitada com
Uns adornos disfarçados na folhagem
Depois de consultada a enciclopédia
Feitas as devidas análises

Aleluia
Uma aveleira que afinal dá avelãs
Sem ser às escondidas
Mistério desvendado
As avelãs que apareciam no chão
Não vinham do céu, não…

primavera 2017

(…)A terra produziu plantas, ervas que contêm semente segundo a sua espécie, e árvores que produzem fruto segundo a sua espécie, contendo o fruto a sua semente. E Deus viu que isso era bom." (Gênesis 1, 11-12)

---


Acantonaram-nos para aguardar
o regresso ao Continente
apartamentos em camarata 
uma aparelhagem de som
topo de gama volume máximo

Ouvimos “This is Africa”
parece que é agora
neste momento
que voga no pensamento
evocação com tantos anos
sons cores ventos africanos

Aquela música ainda é africa
o som cheira a tambor
o cheiro ouve-se em clangor
isto é africa

A comissão já tinha terminado
agosto 1971 já era passado
o volume do som alto
o quarto pequeno
´flats` de oficiais milicianos
a espera exasperante

Na minha ideia
só a Zaida e a Inês
dia e noite sem descanso

O tempo parece que estaca
a rendição já está feita
nosso alferes só mais um pouco
devo estar a ficar louco

Um alguidar está cheio
bebidas misturadas muitas
confraternização e farra geral
adeus em algazarra d´arraial

Finalmente o bilhete de avião
aeroporto de Nampula
moçambique fim de verão
nostalgias já comigo vão


Isto ainda é África …

2016 - an

---


Carlos Pires
27/04/2017

para Pedro, Carlos, Luís, mim, Ivone, Clara, Clara, Fernando, Rita, pedro, Aurora, Paulo, Maria, José, Rui, Celeste, Cecília, Ana, Catarina, fulvio, Luís, Orlando, Aninhas, Ana, Cristina

se um dia me encontrares
à tua porta

acena-me antes de uma janela
faz riscos no bafo das vidraças
desenha um coração
tão pequeno

um sol
com olhos nariz e boca
onde eu possa ficar
                              (a noite que mão alguma alcança, 2018)
-

Recebido por e-mail, ao qual respondi:

para Carlos, Pedro, Carlos, Luís, Ivone, Clara, Clara, Fernando, Rita, pedro, Aurora, Paulo, Maria, José, Rui, Celeste, Cecília, Ana, Catarina, fulvio, Luís, Orlando, Aninhas, Ana, Cristina
-

Os amigos e o vento

cheguei a casa
olhei pela janela
o vento levava consigo
o tempo
o sol e os pássaros

e eu com ele

não sei se gostaria
de saber
o que  serei eu
nesse sítio
para onde o vento
me leva

adeus amigo

28abr17

---

em agosto 2017, também em troca de recomendações inter-irmãos Có-Có, no nosso fórum/Cúria:

em vez d´olhos 
veem-se bugalhos
presos a sete ferrolhos
o mundo em frangalhos
nós cerrados nos sobrolhos
do tempo como espantalhos

noites de insónias 
o corpo sem espaço
os algoritmos do software
a decidir pelo homem
o próprio momento 
da sua auto destruição

Que alucinação?!

Rezemos muito
Que não nos falte cocó

---


A todos os poetas

a todos os poetas e os que não
ou porque não sabem que o são
ou porque não querem que se saiba
ou porque as duas

gosto dos vossos poemas
com que nos vão presenteando

de todos
arrisco-me a dizer
antes mesmo de os ler
entre o saber e o ser
neste limbo de não ser
mas querer saber ser

apetece-me responder
mesmo na dúvida suprema
de saber que não sei
como e porquê

pré-sintonia cósmica
também vi essa vossa rosa


António A. S. Nunes

an-jan17

---

Ser poeta
é dizer do seu sentimento
num dado tempo
não perceber
que já está a viver
uma sucessão de momentos
quais instantâneos
dum filme de curta metragem
numa duração indeterminada
sem notar
que o tempo voa
qual pássaro sem forma
que nos trespassa
e nos interroga
sem esperar pela resposta
que sabe que não a temos…

as-nunes16

jun-pª nova-pedrógão