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2026/03/10

Carlos Lopes Pires - n 1956. A poesia é a linguagem do cosmos. (crónica no semanário "notícias de colmeias")

 CARLOS LOPES PIRES
1956 – A poesia é a linguagem do cosmos.

Caros leitores
Estamos em pleno período de recuperação das destruições medonhas
provocadas pelo ciclone Kristin. Uma coisa impressionante. Não só pelo
fenómeno de força bruta da natureza que se abateu por toda a zona dos
concelhos de Leiria e Marinha Grande, particularmente, mas também pela
forma extraordinária como o meu próprio consciente reagiu no decorrer
do temporal. O ciclone começou por volta das 3 horas da madrugada de
28 de Janeiro. Parece que os seus efeitos começaram a fazer estragos,
ruídos intensos do vento a levantar telhados, partir e arrancar árvores,
destruir estruturas completas de empresas, construídas com vigas
grossíssimas de ferro, postes e cabos de eletricidade e telecomunicações,
etc entre essa hora e as 7 horas. Pois eu só acordei já eram 5 e meia…
Será que já atingi o estágio psicocósmico de serenidade absoluta!?... 
Não creio!!! …
……. § § §
Hoje vou deixar aqui uma crónica que pretende ser uma antecâmara do
que poderá vir a ser um ensaio biográfico da vida e obra poética de Carlos
Lopes Pires. Objectivo singelo, mesmo assim demasiado pretensioso, julgo
eu.


Consultando tudo o que já está tornado público pode ficar-se com uma
ideia de quem é Carlos Lopes Pires, como autor poético. E friso a palavra
poético como um escritor que escreve poemas que não deverão ser
classificados como uma forma de literatura. É o próprio Carlos Pires que
defende essa aparente contradição. Afinal uma pessoa que escreve
poemas como quem respira normalmente acha que esse facto não o deve
catalogar como um escritor que ficará para a posteridade como um sujeito
literário?!...
Mais à frente tentarei explicitar por palavras do próprio autor poético este
aparente paradoxo.
-
Tenho o privilégio de conviver com Carlos Lopes Pires há já bastantes
anos, inclusive ao estilo de confrades que pretendem apresentar-se duma
forma peculiar a conviver em ambiente algo monástico na intenção de
aflorar temas de reflexão mais profunda e na miragem singular de
conciliar algum humor e até sátira com a seriedade do conhecimento. A
verdade é que a irmandade que se tem gerado à volta desta ideia de
intervenção social tem sempre em mira o nosso estado de simples
humanos que anseiam conhecer-se a si próprios e aprofundar saberes
sobre o enlaçamento com o cosmos de que somos parte integrante.
-
Tendo em vista conseguir que estas notas possam vir a constituir-se como
uma referência o mais próxima possível do autor poético que é Carlos
Pires vou reproduzir o teor de conversas mais ou menos recentes que com
ele tenho mantido. Tentarei fazer uma síntese dessas conversas.
Devo, no entanto, esclarecer que não vou ter a preocupação de relacionar
os inúmeros livros de poesia já publicados por Carlos Pires. Dizer tão
somente que CLP nasceu em 1956 e que vive em Leiria desde os seus 5
anos.
Todos os dados biobibliográficos já constam de inúmeras publicações
perfeitamente acessíveis ao público em geral. De qualquer modo, no
próximo número deste jornal será feito um exaustivo índice de toda a sua
bibliografia.
-

I PARTE
Analisemos a sua obra poética com a ajuda dos dados anotados numa
biblioteca imaginária em que os temas dos seus livros são sistematizados
em blocos ligados por fios condutores fiados pelo próprio Carlos Lopes
Pires:
´O que vamos mostrar é um corpo poético-filosófico, uma espécie de
cosmogonia íntima construída pelo autor poético.`
««
1. O POEMA COMO SER VIVO
Logo no início, o autor afirma:
“o poema / é um ser vivo” “ele respira ama / e sofre”
Aqui, o poema não é representação — é ontologia. Não descreve a vida: é
vida. Esta ideia reaparece em vários momentos, como quando diz:
“um poema é como que um pequeno universo que pensa, sente e fala
consigo mesmo”. A palavra tem espírito. Esta visão aproxima-se do
animismo poético, onde tudo — ervas, casas, gatos, pássaros — possui
alma.
2. A POESIA COMO EXISTÊNCIA, NÃO ARTE
O autor rejeita a visão estética tradicional:
“dizem que a poesia / é arte eu digo / que é existência”
A poesia é uma forma de estar no mundo, não um objeto cultural. É ética,
não ornamento. É caminho, não técnica. Isto ecoa mais tarde quando
afirma:
“a poesia tem uma vocação ética, mais que estética”
Há aqui uma crítica à literatura enquanto instituição e um retorno à poesia
como experiência espiritual e existencial.
3. A FIGURA DO “CLANDESTINO”
Um dos textos centrais é o longo ensaio-poema sobre ser clandestino.
Algumas linhas-chave:
“seres clandestino significa seres autêntico” “ser clandestino custa” “o
mundo que te deram é apenas uma versão da realidade”
O clandestino é aquele que vive fora da normatividade, não por rebeldia,
mas por fidelidade ao seu desígnio interior. É uma ética da autenticidade
radical. O clandestino é o poeta, mas também qualquer ser que recusa a
banalidade e procura o “longe”.
4. A BUSCA DO LONGE
O “longe” é um dos conceitos mais fortes e originais do autor:
“fábrica de fazer longes” “longe é também múltiplo de longe no singular
de longes”
O longe é o infinito, o mistério, o que excede o mundo semântico. É
também a dimensão espiritual da existência. O poeta é aquele que fabrica
longes — que abre espaço para o infinito dentro do finito.
5. A AUSÊNCIA COMO PRINCÍPIO COSMOLÓGICO
O autor cria uma metafísica própria:
“ausência não é o mesmo que nada” “ausência é uma ferida na
consciência” “todas as coisas têm uma parte finita e uma que é longe”
A ausência é origem, é matriz. Deus aparece não como presença, mas
como ausência prodigiosa:
“eu encontro uma ausência infinita. e não a receio”
Esta ausência não é niilismo: é potência criadora.
6. A RELAÇÃO COM DEUS
Há uma espiritualidade profunda, mas não religiosa:
“os que me julgam crente em Deus / não sabem / que sou animista”
Deus é ausência, é silêncio, é o que não se vê:
“senhor / nós nunca te vemos / mas também a água / não vê o céu”
Há uma ternura metafísica aqui — Deus é uma espécie de eco interior,
não uma entidade externa.
7. A INFÂNCIA COMO FONTE DO SAGRADO
O episódio da mãe é um dos mais comoventes:
“a minha mãe tinha um filho / a que não dava conselhos / apenas lhe dava
as mãos / e com ele chorava”
E depois:
“a mãe disse ‘este é jesus que morreu por todos nós e assim é o meu amor
por ti.’ e é tanto o peso destas palavras, que ainda hoje caminho de
joelhos.”
A infância é o lugar onde o sagrado se inscreve no corpo. É ferida e
revelação.
8. A IGNORÂNCIA COMO SABER
O autor assume uma ignorância luminosa:
“a minha ignorância é tão vasta, tão profunda, tão sincera, que chega a
parecer que é um saber”
Isto aproxima-o de tradições místicas (Eckhart, Lao-Tsé, Heraclito). A
ignorância é abertura ao infinito, não falta.
9. O UNIVERSO COMO PALAVRA
No final, surge a síntese:
“o universo é consciência” “o universo é a palavra revelada” “um poema é
como que um pequeno universo”
O poema é microcosmo. A palavra é matéria e espírito. A poesia é a
linguagem do cosmos.
10. ESTILO E CARACTERÍSTICAS FORMAIS
• Verso livre, quase sempre curto.
• Forte musicalidade interior.
• Repetição como mantra.
• Mistura de prosa poética com aforismo filosófico.
• Imagens simples, mas carregadas de transcendência.
• Tom meditativo, íntimo, quase oracular.
SÍNTESE FINAL
Os poemas de Carlos Lopes Pires constroem uma cosmologia poética
onde:
• o poema é ser vivo
• a poesia é ética
• o poeta é clandestino
• o longe é infinito
• a ausência é origem
• Deus é silêncio
• a infância é ferida sagrada
• a ignorância é sabedoria
• o universo é palavra
É uma obra que se aproxima da mística, mas sem dogma; da filosofia, mas
sem sistema; da poesia, mas sem artifício. É uma escrita que procura o
essencial — e que o encontra na simplicidade radical.»»
Como me parece ser notório para o leitor mais atento, o texto desta
crónica, tal como é referenciada na I PARTE acima, é uma reprodução do
que Carlos Lopes Pires sintetizou como resultado da questão fulcral que
lhe tenho colocado quando conversamos sobre a sua obra poética: “qual
seria a tua autocrítica acerca da poesia que tens publicado ao longo dos
muitos anos que já tens como autor ?”
-
Até à próxima

(Crónica de março de 2026 - notícias de colmeias - António as Nunes)

2025/12/09

Poesia dita e rezada em cântico... 6 de Dezembro de 2025 nas instalações do Moinho do Papel em Leiria. Iniciativa conjunta de Carlos Lopes Pires e da Associação CERTAMENTE


https://www.facebook.com/seniores2021 (ver fotos do Recital)

 
(foto de as-nunes25)
Pode-se ver na fotografia: o João Valente (bom amigo e ´irmão` dos "Santos Monges da Corda" e o João Lopes Pires... Também se vê, na última fila, a Bea (jovem amiga e guitarrista)



(foto de as-nunes25)

Quando as pessoas se juntam à volta da poesia, dita, musicada, cantada...
No Moinho do papel em Leiria. Um dos mais antigos e preservados de Portugal...
No momento desta foto podemos ver o poeta Carlos Lopes Pires e Bea Vieirahttps://www.instagram.com/mariabea_sa/ ) que tocou à guitarra e cantou alguns poemas musicados por Pedro Jordão e João Lopes Pires Tivemos também a oportunidade de ouvir uma canção da autoria da própria Bea Vieira.
Uma tarde deliciosa na companhia de amigos e interessados nesta excelente participação da Associação Social CertaMente .

2025/11/15

Luís Vieira da Mota. Não te esqueceremos


(Da esqª para a dta: Carlos Lopes Pires, Luís Vieira da Mota, António Nunes)



Hoje recuperei esta foto do Fb do Carlos Pires de 5 de Setembro de 2025.
O nosso amigo Luís da Mota estará sempre presente...

lembras antónio? fomos de leiria, os três, assistir à apresentação, no porto, de "A lágrima de Ulisses" (2021), do manuel. de regresso parámos em espinho, para jantar. jantámos divertidos. éramos, simplesmente, amigos. hoje tenho frio
 
Deixei este comentário:

hoje o dia está farrusco
que quer ele dizer
não sei
mas sei que outros dias
virão
que estas memórias
têm o condão
de restaurar a força
presente nas ausências
dos amigos
não os deixaremos
passar para trás
do retrato

 

2025/10/08

Texto de pensaradmirar de Carlos Lopes Pires sob foto de antonio nunes - FB ClP 7.10.2025



vivemos num mundo semântico. as imagens, os episódios, os factos, a vida e a morte, são interpretados ou criados semanticamente. sem dúvida que há uma realidade, mas sobre esta foram sendo acrescentadas camadas e mais camadas de gerações semânticas. tanto se afastou que só consigo dizer que vivemos num mundo a fingir.
alguns poetas constroem os seus mundos semânticos. são mundos alternativos, e na medida em que mergulham nas ruínas semânticas do mundo a fingir, possivelmente aproximam-se mais da realidade como ela é. não que tal lhes sirva de grande coisa. a poesia é uma grande solidão, embora uma solidão acompanhada. e a companhia a que me refiro é o tudo, o cosmos, o universo. o espírito do mundo, o que chamamos espiritualidade. alguns chamam-lhe Deus. contudo, são simplesmente nomes para o prodígio da existência e da vida. jamais o nome para o que designa poder, subserviência, adoração ou domínio. o caminho do bem prescinde destes nomes. e é por isso que a poesia tem uma vocação ética, mais que estética. a não ser que esta seja o nome que esconde o outro
 §

Como não guardar!?....

2025/08/25

Poema de Carlos Lopes Pires para os amigos. O momento é de saudade. O Luís deixou-nos...


Carlos Lopes Pires publicou, no seu Facebook, nesta data, neste verbete (afixo, como diz Manuel Frias Martins) um belíssimo e sentido poema. O endereço é para os amigos, mas, nesta data, nós olhamos instintivamente para o nosso comum amigo Luís Vieira da Mota.
Em novembro de 2024 juntámo-nos cá em casa, na Carvalhinha - Lourais, e jantámos opiparamente, repasto organizado e executado pela Zaida. 
Foi um momento extraordinário de convívio entre amigos que - no que me diz respeito - há mais de uma década se vinha fortalecendo.
Infelizmente, Luís Vieira da Mota (lado direito da foto) morreu no passado dia 12 de agosto.
Reproduzo o texto do "post" de Carlos Pires:


gosto de definir amizade como o sentimento de existência partilhada. sendo a existência de cada pessoa, um acontecimento único e incomunicável, há algo de prodigioso na amizade, e que é a partilha dessa existência. a maioria das coisas deste mundo é feita de simulacros, em que todos, mais ou menos, temos de colaborar. mas nos amigos não há simulacros.

falo por mim

os amigos
fazem-me falta

não me importam
as suas distrações

ou o hábito
que alguns têm
de olhar os pássaros

gosto de me sentar
com eles em silêncio

e ouvi-los cantar 



 

2025/08/04

Uma tertúlia à volta do livro de Carlos Lopes Pires, "a aldeia com nomes de gatos"

Fui passar o fim de semana com os meus irmãos e respectivos cônjuges ao Porto, mais propriamente, base assente em Ponte de Lima, uma casa mais que santuário, da Sildina e do Mário. E por ali andámos,  conversámos muito, rimos, quase que chorámos... comemos e bebemos até mais não. 

Contra o calor desta época (30 e tal graus C) tivemos a piscina dos anfitriões... Foram dois dias extraordinários... Ficámos na esperança de que estes encontros serão para continuar...
estamos a ficar velhos mas nem pensamos nisso (senão às vezes, mas agarramo-nos à fé). 
-
No Sábado, em Leiria, teve lugar uma tertúlia em redor do recente livro de Carlos Lopes Pires "a aldeia com nomes de gatos", ed. Hora de Ler, 2025. Não consegui ser ubíquo... apesar de ter estudado a fundo essa possibilidade...
ontem, em são pedro de moel, numa organização de "folhas platónicas", estive numa tertúlia em redor do meu mais recente livro. a graça sampaio fez uma introdução ao livro e houve uma conversa com as pessoas presentes. algumas já conhecia, a maioria não. houve algumas perguntas (a mim) difíceis. não porque não soubesse responder, mas porque há situações em que responder exige muito tempo e a consideração de múltiplos aspectos. então é preferível ficar quase calado. quando alguém, por exemplo, diz que eu sou crente (teísta), ou que sou panteísta, que posso eu dizer? os meus poemas não falam desse assunto. há um poema, não publicado, que termina assim: "os meus poemas/falam com todos/os lugares". não consigo explicar-me melhor do que dizem os meus poemas. quando a carolina santorino disse que a minha poesia é, igualmente, filosofia, que podia eu dizer, senão o quase nada que disse? se fosse filósofo não escrevia poemas. mas, claro, os poemas são sobre a existência. mas não é a filosofia sobre a existência? creio que sim, e creio que tudo o que advém dos seres humanos é respeitante à existência. mas é que a poesia é outra coisa. esta outra coisa é o que a coloca no sítio dos prodígios
há um poema, publicado, em que escrevi:
um dia saber-se-á
que a minha poesia
era outra coisa
como outra
era a rosa
que nela havia
...
mas o mais importante, aquilo que reputo de mais importante, é ter sentido que os meus poemas foram percebidos como integrando uma poética do bem. só por isso, que é tanto para mim, estou mais que grato por termos coincidido neste tempo de existência.
-
(No FB de Carlos Lopes Pires - 2 agosto de 2025)

2025/04/08

13 fevereiro de 2025

 


dia de aniversário de antónio nunes, com foto de maria padrão. o cosmos aqui tão perto

(obrigado, Carlos. É um dádiva cósmica ter amigos como o Carlos.) 
.

2024/09/05

Fernando José Rodrigues: Leiria perdeu um homem jovem da Cultura, um amigo...


 Poemas de Carlos Lopes Pires mal soube da morte de Fernando José Rodrigues:
-
o fernando era para apresentar o meu próximo livro ("a fábrica do longe"), cujo manuscrito já tinha em suas mãos há algum tempo. esse livro contém um poema, que lhe é dedicado, e que está no lado esquerdo da foto. se este poema é sobre a amizade, o da direita (agora escrito) é sobre a impossibilidade de expressar a sua ausência
........
esta madrugada
um nome soltou-se
do corpo
despediu-se da sua gata
e foi pelas
ruas da cidade
nada se movia nas
casas
então subiu
a um telhado muito alto
e disse
leva-me coração
e o fernando foi
ver o mundo
.........
um amigo
não se explica
ele já o foi
numa outra palavra
antiga
-

(Vou tentar compor um verbete neste meu blogue com a informação pessoal ou de amigos, que possa valer pela intenção de manter viva a memória de coração deste inesquecível senhor da Arte e da Cultura)

1- No meu Facebook de hoje (05-09-2024)


Fragmento duma foto que lhe tirei no dia da «Rota Cultural Leiria - Acácio de Paiva» no dia 29 junho de 2024, conforme nota no meu FB. No jardim Luís de Camões...


2024/02/03

Capas de Facebook de Carlos Lopes

Os amigos são uma bênção cósmica. De Deus... 

Tenho o privilégio de ser amigo (de coração, pode-se dizer) de Carlos Lopes Pires. Para além do mais fazemos parte dum grupo (quase ´maçónico`, "Os Santos Monges Có-Có) em que incluímos, para além de nós, Luís Vieira da Mota, Carlos Ramos, Manuel Frias Martins, João Clemente, sem esquecer os restantes que, ou estão longe ou afastados (mas que, ainda assim, são parte deste espírito de Irmandade).

Como se sabe (consultar na Google ou no seu FB ) Carlos Lopes Pires tem uma obra vastíssima na área da Poesia... que faz questão em separar de toda a sua actividade profissional.

Tanta coisa que eu poderia agora escrever sobre a obra de Carlos Pires, particularmente, no que diz respeito à Poesia e ao seu espírito consistentemente de homem de tertúlia...

... um dia... (não consigo abstrair-me da minha responsabilidade sócioprofissional; ainda estou activo. E do facto de que este mês é incrivelmente um período de muitas coisas para fazer...)

- Em abril de 2023 uma das suas capas de FB era como segue:


 tu

que desde
há muito

trilhas
em silêncio
o caminho do bem

essa árvore
tão alta

esse pássaro
tão imaculado
ao tocar-se
---
(fica-se tocado!...)

2022/12/21

Há amigos que nos estragam com mimos

 


este homem transporta
ele carrega uma árvore
uma folha uma rosa
este homem
de certeza que sabe
ele transporta
ele carrega a gentileza
ele está no caminho

---

Hoje, no FB, o meu amigo Carlos Lopes Pires mimoseou-me com este poema.

Eu agradeci da maneira como consegui:

António DAlmeida Nunes

Até me faltam palavras para responder a tanta amabilidade. Mas uma ressalta, pelo menos: amizade.
Gostaria de deixar aqui, agora, um poema. Só que o poema não se revela só porque se quer. O poema mostrado por palavras é um prodígio, transcende-nos enquanto não retomamos o fôlego...


2022/11/13

As minhas crónicas no mensário "Notícias de Colmeias", Jesus Cristo e Carlos Lopes Pires...

Nota: 

Sou frequentador de Blogs desde os primórdios do seu aparecimento. Comecei a aparecer na própria www nos anos 80. Fiz variadíssimas experiências a construir as minhas próprias páginas web com o uso directo da linguagem html. Numa fase incipiente, só porque recebi algumas dicas do meu filho, que é Engº de Informática.

Há dias, encontrei nos arquivos digitais a minha crónica para o "Notícias de Colmeias" de Março de 2021. 

...

(por exemplo)

«JESUS CRISTO

(Parte II)

 Prezados leitores

 Antes de começar a escrever a II parte da crónica que comecei no mês passado quero aproveitar este ensejo para transcrever o seguinte poema de Carlos Lopes Pires: 

hoje encontrei Deus
pousado na nossa nespereira
 
ele não faz milagres
ou coisas difíceis de acontecer
 
ele não ordena chuva
e chove
 
nem que as árvores tenham sombra
ou que a luz brilhe na água
 
por vezes
encho o meu coração
de mais e mais ignorância
 
e vou então junto dele
e digo-lhe baixinho ao ouvido
 
sei que és tu

(*)

A poesia de Carlos Lopes Pires é qualquer coisa de transcendental para o comum dos mortais. Consegue transportar-nos para o mundo em que estamos inseridos e levar-nos a pensar no quão maravilhoso é o facto de estarmos vivos, ao mesmo tempo que, indelevelmente, nos confronta com o facto de nós sermos uma parte do universo mutável no tempo que nós não controlamos. Fazemos parte dum mundo em movimento constante e regido por regras ditadas pelo próprio universo. Por Deus…

(mas que nós, enquanto seres vivos e dependentes da nossa capacidade de pensar  e interagir com todos os elementos que nos acompanham nesta aventura universal, temos que ser capazes de aprender a usar os dons que nos são inerentes e que, numa primeira fase, só instintivamente, os conseguimos valorizar.)

---

 Voltemos ao tema que vos propus. Falar de Jesus Cristo e do significado e consequências da sua missão na Terra no sentido duma ligação com Deus.

Se tentarmos ser racionais seremos confrontados inapelavelmente com muitas perplexidades. Mas a História é aquilo que os homens deixaram registado com todos os vestígios que vamos encontrando e que vamos interpretando segundo a lógica do nosso pensamento em cada momento.

... »

-

Era isto.

...