2010/09/26

Sob o calor de Outono de Saramago!

(clic para ampliar; vai ver que vale a pena!)

Outono


Não é agora Verão, nem me regressam
Os dias indiferentes do passado.
Já Primavera errada se escondeu
Numa dobra do tempo amarrotado.
É tudo quanto tenho, um fruto só,
Sob o calor de Outono amadurado.

José Saramago
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Há dias, na passada quinta-feira, vinha eu de Fátima, a caminho de Leiria, pela estrada da Sra. do Monte (via Chainça). Fiquei surpreendido com o encanto deste cenário: o cume da Sra. do Monte, aqui perto de Leiria, o solo seco da falta de humidade e da altitude, uma flor a brotar directamente do chão. Este tipo de flor estava a desabrochar numa área de 20 metros quadrados, não mais. Gostava de saber o seu nome(*). Porque é que nasce nesta altura do ano? Brota todos os anos? Ou encontrou condições particulares este ano para nascer directamente das gretas da terra seca na montanha, nesta zona de Portugal?

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Iniciei este post com a ideia de transcrever aqui o poema, também de Saramago, "Premonição". Dá-se o caso de que, ainda ontem, em mais um "Encontros de Poesia e Cultura" na Biblioteca Municipal Dr. Carlos Nunes Ferreira - Alcanena, fui incumbido da difícil missão de dizer esse poema "Premonição". Lá dizê-lo disse-o, mas e que dizer mais que as palavras do próprio Saramago? Fica-se a pensar...a pensar... em como Saramago é, de facto, um talentoso mestre no tratamento da língua portuguesa.


Que usa a palavra duma forma e com uma subtileza, que não é fácil acompanhá-lo sem uma aturada reflexão do que se vai lendo!...
E fiquei também a pensar em como há-de valer a pena estudar Saramago, desde os bancos da Escola, para melhor se aprender a gostar do seu talento como escritor, de língua portuguesa, internacionalmente reconhecido a ponto de lhe ter sido atribuído o Prémio Nobel da Literatura, em 1998...
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(*) Mais tarde, 30/11/2010 descobri o nome desta flor:
Merendera montana (L.)
(sinónimo: Merendera pyrenaica (Pourret) P. Fouru). (aqui)

4 comentários:

Luís Coelho disse...

Gostei muito da tua observação vendo desabrochar uma flor no alto da serra
Pena não teres tirado uma foto para que também pudéssemos ver essa maravilha.
José Saramago tem obras muito boas e um raciocínio fresco. Este poema é uma pérola do seu pensamento.

as-nunes disse...

Já cá está. A Blogger de vez em quando prega-nos destas partidas.

Um abraço, Luís, boa noite...ou dia, conforme...

relogio.de.corda disse...

Olá
Sem dúvida versos bonitos de Saramago; quanto à flor, a natureza tem destas coisas surpreendentes. ´
A espécie em causa, e, atenção que eu não entendo nada de botânica, parece a flor característica aqui desta zona da serra. Há variantes destas plantas que pertencem à mesma espécie. Um dia, estive numa sessão sobre o PNSAC e explicaram isso. São plantas habituadas à aridez e à secura da terra e a prova está à vista!

AVOGI disse...

aqui na madeira as flores brotam das pedras.
kis :)