2008/04/25

25 ABRIL 2008

(foto de Gui Nunes de Moura- 9 anos)

Há 34 anos cantávamos na rua,:

Uma gaivota voava, voava,

asas de vento,

coração de mar.

Como ela, somos livres,

somos livres de voar.

E as papoilas gritavam livremente os seus hinos de Solidariedade e LIBERDADE, na senda da luta travada ao longo de muitas décadas...
Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho num campo qualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.

Uma criança dizia, dizia
"quando for grande não vou combater".
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.
.
Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.

Duas gerações pós 25 de Abril: a que nasceu no próprio ano da Revolução (Que revolução? Que resultados práticos para o povo?: a ilusão do voto, com o qual se perfilaram imediatamente fulgurantes carreiras políticas e, logo a seguir, económico/financeiras?!?); as gerações do pós revolução, algumas que já nem sabem o que é o 25 de Abril, a maioria que não estamos a conseguir sensibilizar para o interesse nacional que poderia advir da sua participação na próxima e necessária reestruturação do sistema político e administrativo do nosso país.

............................................(foto de Gui Nunes de Moura- 9 anos)

A geração dos jovens que fizeram a guerra colonial, arriscaram carreiras pessoais e profissionais a militarem no PS e outros partidos de esquerda, viveram, sofreram, porque acreditaram piamente nos ideais do 25 de Abril. Sempre na sagrada Esperança da melhoria das condições de vida dos Portugueses! Hoje, muitos de nós, andamos desanimados e o Balanço que fazemos destes 34 anos não é nada positivo! Quantos dos que apanharam o comboio em andamento não se serviram dos idealistas, para singrarem a todo o gás no assalto aos lugares de relevo político, económico e social! Lugares que deviam ocupar por tempo limitado aos seus mandatos populares e que se estão a eternizar, na Assembleia da República, nos cargos públicos ocupados pela força do seu partido quando no poder, nas Câmaras Municipais, nas Juntas de Freguesia, nos Governos regionais? Esta situação não é tolerável para quem, ao fim duma carreira profissional, dura, muito trabalho mal remunerado, olha para as suas reformas e conclui que só uns quantos privilegiados do sector público, recebem pensões 6, 7 e muito mais vezes superiores ao salário mínimo nacional. Muitos desses privilegiados com pouco mais de 50 e poucos anos de idade, enquanto que os do regime geral ( os das empresas privadas, algumas que não actualizam salários há meia dúzia de anos, uma vergonha!...) ou esperam pelos 65 anos, independentemente das suas condições físicas e psicológias, ou se querem fazer a opção de anteciparem a pensão a que têm direito porque já descontam há 40 e mais anos (e desgastaram a sua vida nas guerras coloniais, onde está a força das associações dos ex-combatentes?....) para a Segurança Social, esta tem vindo a ser, ano após ano, reduzida, pela aplicação de factores de redução, os mais variados e injustos, em muitos casos.

Viva o 25 de Abril! Não aos oportunismos do 25 de Abril!

27 Abr 2008: Dois dias depois: tenho que admitir que estava muito zangado com os que se infiltraram por dentro do verdadeiro espírito do 25 de Abril e o boicotaram, quase até à sua eliminação completa. Hoje em dia os trabalhadores continuam a ser explorados, salários de miséria e o sistema de solidariedade e segurança social já nem sei para que serve.

Sim, finalmente, temos a liberdade de votar em quem quisermos. Tem-nos valido de alguma coisa, com o rumo que o país tem levado? Onde estão os verdadeiros timoneiros capazes de guiar este povo a bom porto?

Não nos devíamos deixar governar por quem não demonstre ser capaz dum verdadeiro espírito de missão!...

...

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17 comentários:

Jim disse...

I have a blog with daily photos from Arizona: http://arizonadailyphoto.blogspot.com


To: Anyone, anywhere.
CAN YOU SEND ME ANY PHOTOGRAPHY OF YOUR CITY /Location?

Paulo Roberto Wovst Leite disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulo Roberto Wovst Leite disse...

¡¿Tengo tiempo para saber
si lo que sueño concluye en algo!?
Abracios.

Jofre Alves disse...

Apesar do desânimo, para mim o balanço do 25 de Abril é extremamente positivo, mas foi para espalhar este desânimo e retrocesso que “eles” fizeram o 25 de Novembro, para acabar com a esperança. Um prazer assumido visitar este magnífico blogue, dos melhores. Boa semana.

Alda M. Maia disse...

Não acha que o voto na mão é também um nosso poder (nós, cidadãos comuns)? Saibamos usá-lo com discernimento, pois tal poder é já uma primeira e a mais importante vitória do 25 de Abril, não lhe parece?
Está muito bem na foto.
Um abraço
Alda

al cardoso disse...

E certo que se melhorou muito o nivel de vida desde o 25 de Abril, mas nao o melhoraram outros paises ainda mais sem ter havido nenhuma revolucao?! (Espanha e Irlanda, so para apontar paises piores que nos economicamente ainda ha relativamente piuco tempo)
Nao quero dizer que estou ou estive contra esse movimento que deu aos portugueses, liberdades que considero essenciais, so digo tao como o meu amigo que os oportunistas foram os que aproveitaram a maior parte e o que e a grande verdade e que as diferencas entre os mais pobres e os mais ricos sao cada vez maiores, neste cantinho a beira mar plantado, isto ja para nao falar a "exemplar descolonizacao"!

Um abraco de amizade dalgodrense.

E acima de tudo, vivam as liberdades de Abril!

Tozé Franco disse...

Viva António.
Viva o 25 de Abril.
Pode ser que um dia, quando os programas d eHistória forem possíveis de cumprir, que se dê outro destaque ao 25 de Abril na Escola.
A maioria dos alunos acaba a escolaridade obrigatória sem nunca ter estudado o 25 de Abril. Curiosidades deste país à beira-mar plantado.
Um abraço.

Bichodeconta disse...

Eu que vibrei com o 25 de Abril, tenho de lhe dar razão, muito está por fazer, mas indiscutivelmente jamais voltaremos atrás.. Há muitas pessoas que já esqueceram o passado, infelizmente... Ainda assim quero acreditar que valeu a pena.. Estou sem trabalho, está muita coisas mal, mas...... Quero acreditar..um abraço, ell

as-nunes disse...

Jim
Thank you very much indeed. I´ll to look you blog and may be use some of your photos, if you don´t mind.
My best wishes-

PS: Do you knou de Portuguese 25 April 1974?

as-nunes disse...

Paulo
Creio que consegui compreender o significado das tuas palavras em Espanol.
Obrigado.
Um abraço
António

as-nunes disse...

Caro Jofre
Obrigado pelos comentários. A questão do 25 de Novembro é muito polémica em termos do possível aproveitamento das forças ditas de direita.
Eu ando muito revoltado com o comodismo e oportunismo dos que se conseguiram atrelar, quer ao 25 de Abril quer, depois ao 25 de Novembro, uma data a ter na devida conta e que devia ser mais bem analisada.
Talvez porque a minha formação de infância me incutiu bastantes reservas ao comunismo (então o ortodoxo nem pensar), os anos áureos do pós 25 de Abril, que resultaram em muitas manifestações e contra-manifestações, colocaram-me quase sempre do lado das posições do PS da altura. Onde está esse PS?!...
A minha barricada foi bastante dura. A luta simultânea conta a Esquerda radical e a Direita trouxe-me alguns dissabores e muitas desilusões.
Ainda hei-de contar as minhas memórias desta época. Por duas vezes que as balas de G3 passaram por a mim a rasar...
Um abraço
António

as-nunes disse...

Querida Alda
Já depois de ler o seu comentário, senti-me no dever de acrescentar mais umas palavras no post.
E é claro que concordo consigo: quanto mais seja, o facto de podermos votar é uma grande vitória do 25 de Abril.
Quanto ao resto, tendo eu vivido militantemente atá à última campanha de Soares, atingi um grau de descrédito muito grande.
Esperemos que consiga recuperar a tempo de ver dias melhores.
António

as-nunes disse...

Al Cardoso
Temos que concordar que o 25 de Abril, só por si e pelo que os nossos políticos têm feito, não tem proporcionado o desenvolvimento necessário para este país.
Os exemplos de países que cita são disso um flagrante exemplo.
Um abraço
António

as-nunes disse...

Tozé Franco
Esperemos que, apesar de tudo, os dias que aí virão, hão-de ser melhores.
Um grande abraço
António
-
Bichodeconta
Que a sua esperança não esmoreça. Muito menos numa hora em que até problemas de emprego tem. É um dos grandes dilemas de quem tem que subjugar às Normas da Economia e às regras do Estado.
Bj
António

arte por um canudo 2 disse...

O poder de escolher está nas nossas mão António.Não sabemos é usá-lo correctamente e por mais que distorçam os ideais do 25 de Abril, nós continuamos a votar nos mesmos.Temos medo das alternativas e os partidos do poder sabem-no, por isso fazem as coisas a seu bel-prazer.Fomos incutidos nestes 48 anos com anticomunismos primários e aí residem os nossos medos.Nunca iremos mudar o rumo dos acontecimentos embora tenhamos as armas na mão.Se calhar temos medo do próprio 25 de Abril embora o defendamos. Mas por mim, terei sempre o 25 de Abril no coração.Um abraço

Abelha Nota disse...

Liberdade, liberdade, gritava-se autrora. Hoje,... este termo caminha mais no sentido da libertinagem. De fazer o que dá na real gana. É por isso que muitos contestam a liberdade adquirida, sobretudo quando assistem às crescentes notícias de violência, que nos entram pela casa todos os dias.

David Carneiro disse...

Querido Antônio,

Há exato um ano, em outro canto da blogosfera conheci uma música que dizia assim:

"Em cada esquina um amigo

Em cada rosto igualdade

Grândola vila morena

Terra da fraternidade"

Gostaria de brindá-lo com este pequeno trecho que deve lembrar-te um pouco da tua revolução.
Aqui no Brasil, também temos nossa grandola vila morena, ela diz: "caminhando e cantando e seguindo a canção, somos todos iguais, braços dados ou não...". Este foi o hino da juventude que combateu a ditadura militar.
Sei que os pesares quanto ao balanço desse processo são muitos. Posso ver algo parecido nos rostos de companheiros mais experientes que dedicaram boa parte da sua vida a combater a ditadura e construir o maior partido de trabalhadores que o Brasil já conheceu e que, agora, infelizmente, se encontra vendido à política comum.
Desse modo, fico com nosso Eduardo Galeano, que diz: "a utopia está no horizonte, caminho um passo, ela se afasta dois. Caminho mais um passo e ela se afasta mais ainda. Para que serve a utopia? Para isso, para caminhar!"
Que esses tempos difíceis não roubem a nossa dignidade terna, o último refúgio da esperança.

Um grande abraço caro!