2009/11/01

Retratar a Vida...


Na praia da Nazaré - Outubro de 2009

No Rossio, em Viseu, Agosto de 2009

Retratar a Vida...

O Tempo vai passando, o presente, não documentado, será inexoravelmente esquecido. A fotografia pode substituir, sem dúvida, muitas palavras, quiçá, nalguns casos, crónicas inteiras.
Sou um mero amador da fotografia, que gosta de rever, a seu modo, a vida. Cada vez mais virado para a mensagem ou para o imprevisto.
Na actualidade, já temos à nossa disposição a tecnologia digital, com potencialidades infinitas, quer na captação da imagem quer no seu processamento. Em consequência começam agora a ser-nos colocadas, cada vez com mais acuidade, questões de toda a ordem: técnicas, estéticas, éticas, jurídicas, sei lá. Uma, à partida, já a estamos a sentir na pele: está-se a perder o hábito de passar a fotografia para o papel, primeiro passo para a sua perda total. A fotografia digital do cidadão comum está a ficar escondida, logo a seguir esquecida, guardada nos sistemas informáticos. Quantas fotografias se vão perder completamente com as avarias nos computadores e os “delete´s” para arranjarmos espaço no disco. Economicamente, os laboratórios fotográficos estão a ser confrontados com a inevitabilidade duma profunda remodelação dos seus equipamentos e oferta de serviços.
Pessoalmente, encontrei uma motivação extra para manter vivo o meu gosto pela fotografia, fotografando. Apesar de pertencer a uma geração que faz questão em resistir, até ao limite, aos computadores e à era digital, tenho que o dizer, em contra-mão, tenho-me esforçado, quanto posso, por acompanhar a evolução das novas tecnologias. Particularmente no âmbito das telecomunicações (sou radioamador desde o tempo das válvulas em vez dos actuais chips, cada vez mais miniaturizados) e da informática (desde os seus primórdios: talvez não saibam, mas, posso afirmá-lo sem receio de ser desmentido e sem falsa modéstia, fui o primeiro professor de informática nas Escolas Secundárias da Marinha Grande e de Leiria – anos 80; hoje, sei que já nada sei, já que a minha trajectória profissional não me permitiu acompanhar toda a evolução entretanto registada). Mesmo assim, para não me afastar do mundo da Internet e Media em geral, dedico algum do meu tempo a construir, qual hobbysta, páginas Web e, mais recentemente, blogues. Nesse particular, tenho que destacar o blogue que está agora a consultar. Que já vai para o seu 5º ano de vida activa. Tenho alojadas na Net várias outras páginas Web, quantas e quais já nem eu sei lá muito bem. Desde 1998, para aí…
Para as manter minimamente actualizadas utilizo, com frequência, fotografias, de carácter essencialmente informativo e documental.
Todo este empenho reflecte, muito simplesmente, a minha maneira de ser e de estar na vida e o meu apego à terra, não só a que me vê viver, mas também a que me assistiu quando espreitei o mundo pela primeira vez. Nasci no Casal de Ribafeita – Viseu, mas a minha terra também é, com uma intensidade cada vez mais viva, a freguesia da Barreira e a cidade de Leiria. Jamais poderia deixar de me sentir tão íntimo com esta terra que me viu chegar num dia descoberto e quente do já longínquo Outubro de 1966. Tenho a honra de ter sido, então, professor da Escola Industrial e Comercial de Leiria, hoje Escola Secundária Domingos Sequeira, passado esse que tenho presente nalguns “Kodak´s”.
Para terminar, um repto. Não deixem que as vossas fotos fiquem no esquecimento, a ganhar pó, no canto duma gaveta ou encafuadas numa arca arrecadada no sótão. Mostrem-nas. Podem crer que todos nós gostaríamos de as apreciar. Organizem-se mais Mostras de Fotografia em Leiria – cidade, em Viseu e em tantas outras localidades por esse País fora.
Vamos aproveitar as nossas fotos (porque não um livro e outro e mais outro?) e compartilhar o que as nossas fotos representam e poderão significar para a nossa memória futura?

António S. Nunes
Posted by Picasa

10 comentários:

Flor disse...

Outra vez! Coincidências de atos e pensamentos entre nós Antonio...
Hoje levei na casa de mamae meus albuns de fotos de quando meus filhos eram bebes, pra verem se a Bianca parece como pai e tal, e ficamos boa parte da tarde olhando e relembrando fatos passados, com alegria e prazer... eu, minhas irmas, mae e filhos e ainda as noras!
meu filho disse inclusive que legal ne mae, ver foto assim é melhor que ver no micro...
abraços

Alda M. Maia disse...

Lançou uma excelente ideia.
Um abraço
Alda

as-nunes disse...

Olá Flor

É verdade. Ainda dizem que não há coincidências!

Eu gosto muito da fotografia. Aliás como se pode confirmar, é muito raro não me basear numa foto minha para escrever a propósito.

Beijinho
António

Anónimo disse...

António
Aqui em casa existem painéis com fotos desde o tempo dos avós. Até minha neta que acaba de nascer faz parte desta história, espero que seja conservada com muito carinho. É claro faltam muitos familiares mas espero um dia conseguir fotos dos mais distantes. beijos
nevitas

as-nunes disse...

Alda

Agradeço a sua visita a este recanto, desarruamadíssimo (aliás a imagem fiel do seu autor).

Na fotografia, aprecio particularmente, o instantâneo, o que ao meu olhar me motiva num determinado momento.

Como também gosto de escrever, desajeitadamente, tenho de o reconhecer, cá me vou limitando a servir-me da boleia da fotografia.

E vai daí desatei a escrever que nem um desalmado. Só espero que não tenham desistido logo ao 1º ou 2º parágrafos.

Um abraço
António

as-nunes disse...

Olha a minha prima Nevitas, aí pelo Brasil!

Lá me estão a chegar as saudades daqueles velhos tempos da nossa meninice, no Casal, das nossas tias e da avó Neves. Quanto tempo!

Pois, eu tenho 3 netos, a mais velha, a Mafalda, com 13 anos, a seguir o Guilherme, com 11 e, por último, com 2, a Carolina.

Se estivesse mais perto quem ia aí tirar umas fotos era eu, eheheh!

Muitos beijinhos e saudades ao resto da família que já aí constituís-te!

Vai aparecendo, vou ver se tenho aqui algum e-mail para te mandar um monte de fotos cá do meu lado.

Tonito (com o sotaque do Puarto)

Maria João disse...

António

Também eu tenho, vários albuns de fotografias e outras tantas guardadas com muito carinho. Todas elas me falam de tempos, momentos e pessoas que sendo passado recuperam na minha memória os pormenores que porventura fui esquecendo e que me fazem falta. Com todas elas me emociono, porque comigo falam. Estabelecemos uma relação diferente e especial com a fotografia em papel, como diz. Pena é que tanta coisa boa se vá perdendo com o tempo e a modernidade.

Um abraço

Justine disse...

Eu lá vou mostrando as minhas, sempre que posso, mas acho que tens toda a razão no teu reparo: nunca se fotografou tanto, e nunca a fotografia foi tão precária...
(a propósito de Leiria, na 6ª aí estarei no Teatro JLS para assistir ao espectáculo da Big Band Glenn Miller)

elvira carvalho disse...

Também gosto muito de fotografar. Não sou muito boa, mas enfim gosto. Só para ter uma ideia, à minha neta que faz hoje 9 meses, já tirei 389 fotos.
Mas eu não as tenho só no pc. Gravo-as e de vez em quando ponho-as no DVD. E ela já fica muito admirada de se ver no ecrã da TV.
Nas terras onde vou é o mesmo. No tempo em que tinha que ir revelar as fotos era mais comedida que o dinheiro sempre foi curto. Agora é diferente.
Um abraço

Manuela Freitas disse...

OLá,
Sou uma amadora muito amadora de fotografia, embora já tivesse tirado muitas. Tenho uma arca cheia de fotografias e já não tinha aonde meter tantas, mas entretanto com a câmara digital posso gravá-las para CD. Há serões familiares que nos rimos muito revendo fotografias, o que eramos, como estamos, onde fomos,Etc. As fotografias para mim são fragmentos da minha vida.
Bjs,
Manuela