2010/01/16

HAITI – Fatalidade ou inconsciência?


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HAITI – Fatalidade ou inconsciência?


Uma das informações sobre o Haiti, que ouvi hoje e mais me chocou, foi o círculo fechado em que se transformou esta ilha (com a outra metade, a República Dominicana). A pobreza extrema em que vivem os seus habitantes. Assim viveram desde sempre.Como consequência, acabaram por desbastar completamente a flora, para terem lenha para se aquecer e para poderem ter acesso a uma fonte de energia fácil e barata. Daí à desflorestação daquele pedaço de terra foi um pulo. Para manter acesa a luta pela sobrevivência, os Haitianos deslocaram-se em massa para a capital, Port-au-Prince. Resultado. Esta cidade era habitada por vários milhões de pessoas, as suas habitações não obedeciam a quaisquer regras de segurança mínima contra as intempéries e outros cataclismos da Natureza. Esta zona é permanentemente fustigada por furacões, sujeita a inundações mortíferas, as pessoas a viverem na sua maioria abaixo do limiar da pobreza. Mesmo assim os senhores do Poder têm cometido toda a espécie de arbitrariedades para manterem as suas mordomias.Além disso, em termos de localização relativamente a riscos sísmicos, são reconhecidamente dos piores que se possam imaginar.Poder-se-á perguntar: então porque é que estas ilhas, situadas precisamente em cima duma das falhas sísmicas mais perigosas do Mundo, não têm merecido da comunidade internacional mais atenção? Porque é que as autoridades não se organizaram de modo a que as construções de edifícios e outras infra-estruturas cumprissem as regras conhecidas de resistência aos sismos de maior amplitude?Ouvi na TV uma pessoa - parecia-me habitante da ilha - a criticar o Governo da falta de informação a prevenir a eventualidade próxima de um sismo desta amplitude! Que pensar? Seria possível ter prevenido uma catástrofe com estas dimensões?Fica-se chocado com o que se passa por todo o lado, por esse mundo fora!O Homem tem que se conformar com os riscos a que se sujeita quando vive em determinadas zonas do globo? Será humanamente possível prevenir com alguma proximidade temporal um sismo desta natureza?


E nós, portugueses, estamos a fazer tudo o que é humanamente possível, para nos defendermos duma situação semelhante, dada a falha tectónica em que assenta o nosso país?

António Nunes
CT1CIR

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Nota
O mapa acima é um excerto do mapa mundial dos indicativos dos radioamadores. Os radioamadores sedeados no Haiti têm (ou teriam) o indicativo HHxxxx. Nos momentos mais dramáticos em que as comunicações mais sofisticadas, telefone e televisão e até internet, colapsaram completamente, os radioamadores podiam ter sido de extrema utilidade. No mínimo, através das suas estações alimentadas a bateria, que qualquer radiomador que se preze, deve ter a perfeita consciência da sua missão social, no restabelecimento de comunicações básicas de emergência em substituição das comunicações oficiais.
Mais uma vez ficou provado à saciedade que se houvesse meia dúzia de radioamadores equipados com onda curta e equipamento alimentado a bateria ou com geradores, se poderiam ter estabeleciso essas comunicações imediatamente a seguir ao cataclismo que abateu o Haiti. Os radioamadores sobreviventes teriam esse dever indeclinável.
Mas não. O que acontece é que as autoridades nada têm feito para enquadrar devidamente os radioamadores nos serviços nacionais de Protecção Civil dos vários países, como é também o caso de Portugal, por exemplo.
Simplesmente lamentável esta falta de visão e de organização básica da Protecção Civil a que os cidadãos têm o Direito Constitucional e Humano.

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7 comentários:

Anónimo disse...

:O

maria teresa disse...

"O leite derramou" o mundo ficou alertado (aliás parece que só fica "desperto" depois de acontecerem calamidades), espero que todos nós fiquemos "acordados" durante muito tempo para que o "sofrimento" dos haitianos não tenha sido em vão.
Abracinho

Professorinha disse...

Só depois das catástrofes se começa a pensar em prevenir... É velho o ditado: depois de casa roubada, trancas à porta... Temos que começar a abrir os olhos antes que a terra os abra à força...

Alda M. Maia disse...

Também eu fiquei surpreendida com a ausência dos serviços de radioamadores ou a não citação destes serviços.

Em múltiplas ocasiões, já deram provas, mais que suficientes, da sua utilidade em catástrofes deste género. Que teria acontecido?
Um abraço

Tozé Franco disse...

Ora via.
Evitar penso que não, agora minorar os efeitos, isso sem dúvida alguma.
Já estive na República Dominicana, e sair do Hotel é uma experiência única, tal é a pobreza que se vive por quase todo o lado. Mesmo assim, havia aí cerca de milhão e meio de imigrantes haitianos, o que nos mostra que a pobreza do outro lado da ilha é ainda maior. A República tem, apesar de tudo, sabido criar alguma riqueza com o turismo.
Tudo aquilo que possamos fazer é, com toda a certeza, pouco, mas é alguma coisa.
Um abraço.

rouxinol de Bernardim disse...

Tem razão, caro amigo. Há que acautelar io futuro! Será que não se arranja um marquês de Pombal para lá ir dar uma lições?!

Mas não é só a construção anti-sísmica que é preciso. Há que cuidar dos alicerces democráticos, da equidade na distribuição de recursos,

Oxalá os auxílios internacionais não vão caír no saco roto de alguns pilha-recursos, que os há em toda a parte!

que a nossa generosidade não vá redundar em enriquecimento sem justa causa para alguns!

Deus queira que não.

Antônio Lídio Gomes disse...

MAIS AINDA NÃO É TARDE PARA SE ESTENDER AS MÃOS A ESSE POVO TÃO SOFRIDO.
MUITO CLARO O TEXTO, E QUERO VOLTAR MAIS VEZES.
SEJA BEM VINDO AO UNIVERSO DE VOZES NO LINK
http://universodevozes.blogspot.com/