2010/12/03

Leiria: A Judiaria em reconversão


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(clic)(**)Um excerto do "Mapa de Leiria no século XV, assinalando-se a área da Judiaria (Segundo Atlas de Cidades Medievais Portuguesas - 1990)" .
A zona limitada pelo traço mais negro e forte é a do morro do Castelo de Leiria. O Norte geográfico corresponde à linha vertical deste mapa.
A Praça de S. Martinho corresponde à actual Praça Rodrigues Lobo.


O Centro Histórico de Leiria tem vindo a ser restaurado. Paulatinamente, as iniciativas de diversa origem já estão a começar a mostrar resultados.
Agora são as ruínas de uma edificação classificada, na zona da antiga Judiaria(**), que estão a ser reconvertidas.
O edifício, cuja construção se iniciou, vai ser implantado, precisamente, na zona da antiga Judiaria(v.mapa acima, ampliado por clic), local onde terá funcionado genesim, onde os judeus se dedicavam exclusivamente ao estudo bíblico e também Beth Hamidrashonde as crianças aprenderiam a ler e escrever a Lei de Moisés.
Acabou por não se optar pelo aproveitamento da estrutura base do edifício que aqui estava localizado. Vai ser contruído, neste local, à Rua Direita, entre a Travessa da Tipografia e a Rua Manuel António Rodrigues, um edifício de raiz a que se lhe vai dar o uso de Centro Cívico.
Para começar as intenções, analisando-as do ponto de vista meramente pragmático, são boas, digamos mesmo, excelentes(*). Que não nos falte o engenho financeiro e, de acordo com o projecto, teremos ali um pólo de excepcional utilidade tendo em vista a revitalização desta carismática zona de Leiria.


Pelo que me parece, da observação do projecto, acabou por prevalecer a tese de se construir segundo as linhas arquitectónicas modernas em desprimor da preservação dum modelo mais consentâneo com a história daquele local.
Será a melhor opção?...
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(*) Siga-se este link do site da Câmara Municipal de Leiria.
(**) Ver, ampliando-se por clic, o local exacto, no excerto do "Mapa de Leiria no século XV, assinalando-se a área da Judiaria (Segundo Atlas de Cidades Medievais Portuguesas - 1990)
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Nota: Leia-se "A Comuna Judaica de Leiria, das Origens à Expulsão",  ed. Campo da Comunicação, 2010, vol. 2 da Série monográfica «Alberto Benveniste» , Saul António Gomes. (ver aqui)

HISTORIAODOR DE LEIRIA

Saul António Gomes recebe Prémio por obra sobre a Comuna Judaica de Leiria
O historiador leiriense Saúl António Gomes recebeu ontem o Prémio Augusto Botelho da Costa Veiga, pela obra 'A Comuna Judaica de Leiria. Das Origens à Expulsão'
O historiador leiriense Saúl António Gomes recebeu ontem o Prémio Augusto Botelho da Costa Veiga, pela obra 'A Comuna Judaica de Leiria. Das Origens à Expulsão'. A entrega decorreu durante uma sessão que assinalou os 290 anos da Academia Portuguesa da História (APH), uma instituição que, como afirma a historiadora Manuela Mendonça, pretende ser "o garante de que todos os portugueses conheçam a sua história".
Manuela Mendonça, que está à frente da Academia, propõe a abertura da instituição "a todos os que fazem história, e que esta faça parte do quotidiano dos portugueses". "Há que combater aquela ideia que chegou aos nossos dias que as academias são locais onde se reúnem uns velhinhos que vão dormir a sesta", disse. A historiadora quer que a Academia seja "o garante dos grandes saberes em História, mas também uma instituição aberta ao presente em que todos os que fazem história sejam bem vindos e fomente uma história que seja levada a todos os portugueses".
Manuela Mendonça afirmou que a missão da APH "deve ser a de levar a história a todos" e exemplificou com o novo plano editorial da instituição. "Livros com uma leitura clara sem uma grande carga de notas de erudição", disse.
A efeméride foi assinalada numa sessão solene ontem no Palácio dos Lilases, ao Lumiar.

Diário de Leiria de 9 Dezembro de 2010
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9 comentários:

as-nunes disse...

Se acaso reparou que foram feitas várias alterações ao texto original, apresento-lhe as minhas desculpas.
O tema é delicado e não queria deixar nenhuma dúvida quanto ao rigor e significado desta nota.
Obrigado
António Nunes

Pena disse...

Estimado e Simpático Amigo:
Leiria sempre foi e é uma cidade de fascínio. Linda. Já a visitei inúmeras vezes e sai-o maravilhado e deslumbrado pelos seus encantos mil.
Agora as remodelações se se preservarem as tradições e ancestralidade dos edifícios que têm histórias a contar, tudo está bem, agora o contrário é que não, em minha opinião.
"...Pelo que me parece, da observação do projecto, acabou por prevalecer a tese de se construir segundo as linhas arquitectónicas modernas em desprimor da preservação dum modelo mais consentâneo com a história daquele local.
Será a melhor opção?..."

Na cidade que habito fizeram-se atrocidades que têm que acabar. São valores patrimoniais. São já mitos de outrora. São parte das histórias de uma cidade.
Há que aproveitar ao máximo essas preciosidades que o perpassar do tempo não destruiu.
MUITO OBRIGADO pela sua visita amável que adorei.
É pertinente na imensa Blogosfera, sabia? Tem sempre algo a dizer de precioso. Parabéns, pelo admirável Ser Humano que é.
Abraço amigo de respeito.
Agradecido.

pena

Excelente!
Uma visão notável.
Fantástico.

as-nunes disse...

Muito obrigado, amigo Pena, pelas suas amáveis palavras, cujo estilo de extrema cordialidade, é um marco indelével na blogosfera.
Penso que tem um blogue extraordinário, de rigor e de humanismo.
Quanto à Google, penso que não deverá levar muito a peito algo que corra menos bem no seu conceito. Para mim, esta organização é um fenómeno no mundo dos negócios e no da revolução das Novas Tecnologias da Informação.
Aderi também, por moda talvez, ao FaceBook mas esta questão das chamadas "redes sociais" é um emaranhado tão complexo de "amigos" e de "amigos dos amigos", com informações e desinformações, muitas vezes atiradas para a Internet sem qualquer cuidado, que lhe auguro um valor acrescentado muito limitado.
Mas é moda, que se há-de fazer?

Com muita estima e consideração

António Nunes

tulipa disse...

Obrigado pela partilha.
Através de si...vou sabendo o que se passa por Leiria.
Também aderi ao Facebook, quem sabe um dia por lá nos encontraremos...

Hoje estou "encurralada" num quarto de Hotel no Fundão, furiosa com o estúpido dia que aqui passei. Vim eu fazer mais de 300km para ver lugares que não conheço e o tempo metereológico não ajudou nada...que raiva!!! Nem uma foto consegui fazer, com esta chuva forte e a neblina que se instalou.
Felizmente trouxe comigo o portátil e cá estou "ligada" ao resto do mundo.
Boa semana. Beijos

De uma outra forma vou dizer o que hoje sinto:

Casas há que habitam o meu subconsciente
Hoje estavam mesmo à frente
dos meus olhos
parei o carro e admirei-as

Aldeia histórica de Castelo Novo
ali estavam elas, lindas
quis captá-las com
a objectiva da máquina
os meus segundos olhos
mas...a chuva não permitiu
que raiva!!!

A neblina e a chuva
são os elementos que "hoje"
ilustram a paisagem.
...
e, a minha alma chora!

Tozé Franco disse...

Ora viva.
Às vezes é preferível fazer algo completamente diferente (isto lembrou-me os Monthy Phyton) do que uma reconstrução de gosto duvidoso: Espero que o que vai nascer também não tenha gosto duvidoso.
Um abraço.

Titania disse...

Hi Antonio, It is good for a city to restore its ancient places. I wished for peace in the Middle East and I am so sorry for the Palestinians because their loss of their country, homes and lands is completely ignored by the world. Such two great cultures like the arabs and the jews could have a wonderful country together. They used to live together in harmony in Palestine.Because of World politics the people in between suffer.

as-nunes disse...

That´s it, Titania.

The World shoulde be mutch better with Palestinians ans Jews to live in the same cowntry.
In harmony. Why not? The original land is the same.

Micael Sousa disse...

Optar pela arquitectura dita "moderna" pode ser muito positivo. Poderá criar aquilo que se chama uma verdadeira "composição urbana". Notemos então alguns exemplos disso que hoje resultam em algumas das mais belas cidades do mundo. Falo das cidades italianas em espaços bem específicos conjugam arquitectura medieval, renascentista e barroca, já para não falar em construções mais modernas. Agora tudo depende da qualidade do projecto em si para que o resultado seja bom.

Um Poema disse...

....

Caro amigo,

Renovar, ou reconstruir, sem descurar o respeito pelo património, é sempre louvável.
Pouco a pouco, vemos Leiria renovar-se. Que essa renovação tenha sempre presente a preservação da memória dos seus ancestrais, é o que se deseja.
Obrigado pela visita.
Um Feliz Natal!

Um abraço