2011/07/28

Aprender a usar a nova ortografia

Fragmento da capa do livro "Saber usar a nova ortografia" de Edite Estrela, Maria Almira Soares e Maria José Leitão, da Ed. Objectiva - julho 2011

Finalmente decidi-me a estudar com algum método e rigor o Novo acordo ortográfico. Até porque vai mesmo entrar em vigor, em documentos oficiais. Penso que no Diário da República, a redacção usada a partir de Janeiro de 2012 já será a que resulta deste acordo. 
Vai daí, comprámos, cá em casa, dois livros que nos possam ajudar a aprender, duma forma prática, mas rigorosa, a correcta grafia da língua portuguesa, como resultado da aplicação do Acordo de 1990.

Para começar:


A base de legitimação do trabalho de Edite Estrela (Saber usar a nova ortografia) é o VOP, Vocabulário Ortográfico do Português, do Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC), considerado pelas instâncias competentes como vocabulário oficial da língua portuguesa.


As nossas dúvidas são mais que muitas. Nesta fase, em  que alguns de nós, escritores publicados inclusive, já garantiram a pés juntos que não vão usar o novo acordo, torna-se imperioso fazer uma opção. Ou usamos o dito Acordo ou não. No entanto, se concordamos em que o devemos usar nas variadas circunstâncias da vida quotidiana então teremos que conhecer com a maior precisão possível quais são as normas que encorpam esse novo acordo ortográfico.

Por mim, depois de muitas hesitações, já fiz a minha opção. Vou usar (tentar) a norma ortográfica resultante da aplicação do acordo de 1990. E, com isto tudo, já estamos em meados de 2011.

Penso que seja de toda a vantagem começar a inserir-se uma nota a referir que se usa o novo acordo ortográfico, no final ou no início de cada texto, particularmente os que os vamos tornando públicos, por qualquer via, nomeadamente por esta nossa via dos blogues.
E na nossa correspondência, como fazer?

É que me parece que vai demorar bastante tempo até que a maior parte de nós faça uma opção definitiva. O que venho observando é que já há quem o faça. A imprensa por exemplo, melhor dizendo, alguns colaboradores dos jornais e revistas.

Não vai ser tarefa fácil, esta da mudança da norma ortográfica da língua portuguesa!...

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10 comentários:

Paulo Roberto Wovst Leite disse...

Olá Antonio!

Eu fiz um curso aqui na faculdade onde estudo, quanta mudança...
Mas consta que a de vocês é maior que a nossa.
Enfim:
Viva nossa Lingua Portuguesa!

Abraços

as-nunes disse...

Estou contigo, Paulo.

Temos que avançar com o acordo.
Está decidido, está decidido.
Além do mais não vem nenhuma vantagem para a divulgação e promoção da língua portuguesa, andarmos divididos.

Fiquemo-nos pelas especificidades resultantes das diferentes zonas geográficas onde se fala e escreve o português e assentemos nas regras básicas comuns.

Viva a nossa Língua Portuguesa!
De acordo!

Abraço amigo

deep disse...

Não concordo com o acordo, até agora tenho sido uma resistente, mas não tarda, por razões profissionais e legais, ver-me-ei obrigada a adoptá-lo. :(

Bom resto de semana. Um abraço.

Luís Coelho disse...

Queiramos ou não o acordo foi feito e entrará em vigor contra a vontade de tantas pessoas.

Penso que foi um acordo mal feito. Deveríamos respeitar as origens da nossa língua. Amanhã não saberemos o que era mais correcto.

Acabaremos com novos acordos e mais mudanças que não ajudarão em nada a clarificação do português. (esta é a minha visão)

Hoje que se procuram conservar dialectos e recuperá-los afunda-se num lago salgado a língua mãe...???

O tempo dirá e fará justiça !

Eduardo Miguel Pereira disse...

Eu, que até por questões profissionais, sempre lutei contra os "Velhos do Restelo", e que não sou nada agarrado ao passado, e que estou sempre disposto a novos desafios, estou aqui perante uma situação delicada.

Pura e simplesmente, abomino a forma e o contéúdo deste AO e afirmo-o a plenos pulmões :

- Não me vão obrigar a escerver mal o meu querido Português !

Alda M. Maia disse...

Belo argumento António

Opondo-se ao Acordo Ortográfico, penso que não se trate de conservadorismo, mas oposição a incorrecções do "português europeu", isto é, a língua que nos identifica. Repito: a língua que nos identifica.
Mais parece um acordo feito por incompetentes que concertado com linguístas conscienciosos e profundos conhecedores da língua que falamos. E estes, efectivamente, não o aprovaram.

O argumento em que se apoiam, defendendo que é necessário unificar a língua, é muito frágil. Há e haverá sempre diferenças e por muitas razões válidas.

Em conclusão, aprovaram um acordo, mal feito e cheio de discrepâncias inaceitáveis, por razões que nada têm que ver com a unidade ortográfica. É desconfortante!

Como sabe, sou bilingue. Consegui compreender e assimilar melhor as muitas consoantes duplas da língua italiana, recorrendo à evolução fonológica do potuguês europeu, à proximidade do étimo: e aqui entram as tais consoantes que decretaram inúteis, mas que não são.
Mas se fosse só isso !...
Até hoje tínhamos certezas sobre a ortografia e a pronúncia das palavras; a partir de agora é "à vontade do freguês".

Continuarei a escrever como sempre fiz e oponho-me a novidades linguísticas por decreto-lei. A evolução de uma língua decorre por outras vias mais sérias.

Queira perdoar-me se abusei deste seu espaço.

Um abraço
Alda

Alda M. Maia disse...

António

Permita-me um esclarecimento ao meu comentário precedente.
De modo algum quis polemizar com o seu post e de modo algum quis referir-me ao que exprimiu. Simplesmente, quando se fala de acordo ortográfico, o meu desagrado é irrefreável, tanto mais que li com atenção as novas regras e só me criaram perplexidades.
As minhas desculpas, portanto, se dei lugar a outras interpretações.

Um abraço e um beijinho à Zaida
Alda

carol disse...

Muito bem! Eu ainda não me decidi; até porque, como não estou "no activo", não trago mal nenhum ao mundo (da língua portuguesa - que muito amo!)

as-nunes disse...

Alda, sempre com a maior estima e consideração

Esta questão do novo acordo ortográfico é mais polémica do que a maioria das pessoas pensam. Aliás - corrijo - nem pensam, infelizmente.
O acordo foi firmado e o povo, o que deveria ser o personagem principal no meio de toda esta matéria, nem se está a aperceber do alcance de muitas das alterações que se vão processar no mundo da língua portuguesa.
Muitos nem sequer se ralarão absolutamente nada. Tanto faz que se decida assim ou assado. É-lhes indiferente.

Daí o tempo ter passado e os movimentos pró e contra pouco terem sido objecto da atenção popular.

A verdade é que se começa a a levantar a questão fulcral: quem vai usar e quem não vai usar as normas do novo acordo?

Como poderemos abster-nos e fazer de conta que fica tudo na mesma?

Francamente, já me apercebi das imensas contradições/inexactidões de muitas das normas, que vão minar a origem etimológica de muitas palavras da língua portuguesa, mas que fazer, então?

Penso que não teremos alternativa!

Um abraço,
António

Alda M. Maia disse...

Boa tarde, António

Ontem fiquei preocupada, com receio de ser mal interpretada e correr o risco de o ofender. Estou-lhe grata pela sua compreensão.

Sabe o que vejo? Muita apatia, embora a quase totalidade das pessoas com quem falo deste assunto mostrem indignação e absoluta hostilidade contra este estúpido AO. Por que razão devemos ser sempre tão passivos?

Sugiro-lhe de visitar este site, caso ainda o não conheça: //ilco.cedilha.net (iniciativa dos cidadãos contra o acordo ortográfico).
Já para lá enviei a minha assinatura assim como outras pessoas amigas.
Obterão algum resultado? Espero que sim.

Já considerou o dano económico que acarretará este acordo? Em nome de qual justificação concreta e irrefutável? E há outra coisa ainda: quem lhes concedeu o mandato para mutilar um património que é de todos nós e sem que a nossa opinião, em geral, tivesse sido ouvida?

Um grande abraço e um beijinho à Zaida
Alda