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2015/01/22

Samuel Maia em referência noutros blogues



Transcrição dum post do amigo José Augusto da Costa Pereira 

por aquimetem, em 22.01.15

          Sempre que se mexe com o arquivo memorial, o seu conteúdo liberta-se da muita ou pouca poeira que com o tempo se vai acumulando sobre as pastas onde são depositadas as memórias vividas ou presenciadas por cada ser humano. Notei isso quando após concluir o post anterior me veio à mete um desejo, já com alguns anos, de consagrar um post ao 1º comentador das Mestas. O tempo foi-se passando, e só agora ao dar uma vista de olhos pelo corpo desse blog, tomei a decisão de não retardar mais. Trata-se de um conterrâneo do escritor Samuel Maia e assim sendo é natural da freguesia de Ribafeita, concelho de Viseu, e muito próxima de São Pedro do Sul. Esta é a conclusão a que cheguei, e não estou enganado, mediante o seu comentário no meu post, quando diz: “…ando precisamente a preparar um post sobre uma zona da Baira Alta a que um escritor Samuel Maia (da minha terra natal), no princípio do séc. passado, se refere a umas "poldras" através das quais faziam a travessia do Rio Vouga”. Através deste amigo virtual, que muito gostava de conhecer pessoalmente, fiquei também a conhecer mais um escritor beirão que por pouco divulgado me era alheio. Um médico que formado pela Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, se consagrou como escritor com o romance “Sexo Forte” e com a novela “Língua de Prata”, além de muitas outras obras que lhe conferiram o prémio Ricardo Malheiros da Academia de Ciências.

          As terras valem o que valem os seus filhos, e se Ribafeita os tem ao nível de Samuel Maia, o Profº António Nunes emparceira com eles, os mais ilustres e generosos, mediante uma dedicação apaixonante pela história local e sua divulgação, como pode ser visto e acompanhado no site DISPERSAMENTE… Curioso é este beirão ter Leiria como sua segunda terra muito amada e eu que também a tenho por muito querida, foi na capela de NS da Encarnação que casei, e visito com muita frequência, só agora disso me aperceber.

(Sítio onde existiu a casa onde Torga morou, e hoje impera o Hotel Eurosol, mas uma placa colocada pela CM, em 2010, assinala o facto).
          Mais ainda por através do seu site ficar a saber que também Miguel Torga residiu na princesa do Lis, como recorda em post de 2014/01/18. Realçando o que
Miguel Torga escrevia, no seu Diário, em Leiria, 20 de Novembro de 1980:
"(...) Esta terra foi a grande encruzilhada do meu destino. Aqui identifiquei escolhi os caminhos da poesia, da liberdade e do amor, sem dar ouvidos às vozes avisadas da prudência, que pressagiavam o pior. Aqui, portanto, arrisquei tudo por tudo, fazendo das fraquezas forças, das dúvidas certezas, do desespero esperança. Aqui era justo, pois, que, passados muitos anos e muitos trabalhos, eu viesse verificar com alegria que valeu a pena desafiar a sorte, que tive sempre uma mão-cheia de almas fraternas e solidárias a torcer por mim, e que as cicatrizes das feridas de ontem são os nossos brasões de hoje."

Tags:
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·         ribafeita
·         viseu

publicado às 20:35
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Muito obrigado pela lembrança, caro amigo.

2009/08/28

Ribafeita - Recuperação interior da Igreja de Nª Sra. das Neves

Este ano, nas minhas mini-férias de Agosto, fui ao Casal de Ribafeita. Ao conversar com os meus pais tive conhecimento de que a Igreja da paróquia estava a ser restaurada por dentro. Claro, tinha que ver que tipo de restauro estava a ser feito.
Um aspecto da parte lateral traseira da Igreja de N. Sra. das Neves - Igreja Matriz da freguesia de Ribafeita - Viseu. Do lado esquerdo pode ver-se uma pequena parte do cemitério local. Como se sabe é muito frequente colocarem-se nas lajes tumulares fotografias das pessoas sepultadas. Foi desta maneira que eu consegui algumas fotografias de meus familiares, mais ou menos chegados, como a minha avó materna da qual guardo algumas recordações antigas. A mais comovente resume-se assim: quando em 1969, fui mobilizado para Moçambique, no cumprimento do serviço militar obrigatório, já era casado. A minha avó Queiriga, já muito velhinha, dizia com frequência: só quero ver a filha do Tonito. Depois, posso morrer. Esperou para ver a minha filha Inês, quase 2 anos. A verdade é que pouco tempo depois morreu, dizem-me, duma forma serena... Paz à sua alma, avó!
No interior, os altares estão numa fase avançada de recuperação. Os suportes e apoios em madeira já se encontravam em adiantado estado de degradação. Graças à actuação conjunta duma Comissão Fabriqueira e da Diocese de Viseu, o Altar-Mor e os dois laterais, estão a ser restaurados de forma a poderem suportar a acção corrosiva do tempo (quem sabe mais algumas centenas de anos). Este trabalho está a ser conduzido por uma empresa da especialidade e por pessoas qualificadas na matéria, técnica e cientificamente.
(clic para ampliar e melhor se apreciar os frisos)
- foi o melhor que consegui. Cheguei in extremis. Os trabalhos de restauro da talha dourada dos altares já se encontrava na parte final. Pura sorte a minha. De qualquer modo, segundo me informaram, na altura devida, será elaborado um relatório que conterá fotografias de toda a zona restaurada. Espero bem que sim.

Fui informado no local que, ao se proceder ao desmantelamento cuidadoso dos altares laterais, foram encontrados frisos lindíssimos e de alto valor artístico/histórico. Fiquei com a informação de que, com muitas probabilidades, esses frisos terão sido pintados/trabalhados por alturas do séc. XVII. A sua recuperação de forma a ficarem à vista dos visitantes foi posta de parte dada a necessidade de se ter de investir muito dinheiro, que não se sabia da forma de o conseguir. De qualquer modo, a partir de agora, passa a ser do conhecimento público a existência destes frisos e a possibilidade de os estudar mais em pormenor e, eventualmente, de os tornar visíveis.
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2008/12/07

Em louvor da Laranjeira

O texto lê-se com facilidade ampliando-se as imagens, uma a uma. Constitui um autêntico tratado sobre a laranjeira escrito em 1932 pelo médico, Dr. Samuel Maia, o maior proprietário da minha aldeia natal, Casal, Ribafeita, Viseu - onde ainda hoje existe uma quinta dotada dum solar ao gosto aristocrático de fins do séc. XIX, princípios do séc. XX - e ilustre especialista de vinhos e vinhedos e, pelos vistos, também muito interessado na laranjeira, nas suas reconhecidas qualidades medicinais e na história da sua introdução na Europa e posterior divulgação por todo o mundo.

Já tive oportunidade de me referir ao Dr. Samuel Maia como insigne escritor, tendo, na sua época, sido muito considerado até nos meios literários Parisienses.

Pode consultar-se toda a matéria já registada neste blogue, seguindo o link respectivo do índice temático na barra lateral.

A maior parte do material que tenho recolhido devo-o à extraordinária amabilidade duma pessoa que, à primeira vista, não conheço, mas que me tem enviado pelo correio, livros e este almanach Bertrand de 1932. Evidentemente estou-lhe muito grato, Snr. António Leite.

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2008/10/10

Aspectos do Casal - Ribafeita - Viseu



Ó Snr. Presidente da Junta: veja lá se pode trocar o s por um z. Faça-nos lá esse favorzinho!


Depois de passarmos por duas ruas com uma toponímia sui-generis e de bebermos da água mais fresquinha e gostosa que conheço (vem directamente da Serra próxima), eis que se mostram umas batatinhas acabadas de assar, com carne e presunto caseiros, assados no forno da minha prima Lourdes, casa com casa dos meus pais.

Está-se na aldeia do Casal - Ribafeita - Viseu - Portugal.
As fotos já são de Agosto deste ano, por altura da festa anual dedicada a S. Salvador, padroeiro da localidade.



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2008/01/09

Olhares de Leiria rumo ao Brasil

....................................................................Choupos em reflexão sobre o Rio Lis...
................Acácias-de-folha-longa(*) com a flor acabada de nascer. Mal se vê se não for com fotografia macro. Boa Vista - Leiria.

...........................Tojos em princípio de floração. Na zona da Boa Vista - Leiria. Ainda é cedo para as giestas...

Digamos que estas fotos são dedicadas a todos os meus amigos leitores, particularmente à minha prima Nevitas (Brasil), mais ou menos da minha idade. Lembro-me de ti, Nevitas, quando tínhamos quê, eu uns 7 anos e tu, um pouco mais nova, não é? Falaste-me da saudade das giestas em flor e das mimosas, tão abundantes na nossa terra, Casal de Ribafeita, concelho de Viseu. São uns 12 Km de distância da cidade. Nesse tempo era quase do outro lado do Planeta!...
E nós com a nossa avó Neves, velhota (quantos anos teria nessa altura? Estou a vê-la a cumprir escrupulosamente a sua ida à missa, a pé, aí uns 2 km ou mais, na Igreja paroquial, o cemitério ali mesmo ao lado, muitos dos nossos familiares ali sepultados), a nossa tia Céu a olhar por nós, coisa bastante complicada, se bem me lembro das nossas diabruras próprias da idade. Lembras-te das minhas incursões ao muro da entrada, eu a subir pela videira, disfarçar-me no meio da parreira que ela formava, a cantar a pedido de algum enamorado da Conceição (bem bonita que ela era!...de cântaro da água da fonte no "fundo do povo" ao ombro ou de ancas):

.......................................................................Na noite de Maio
......................................................................Toca o violão
......................................................................Ai que lindas pernas
......................................................................Tem a Conceição.

Como ela se danava com estas cantorias e com o cantor! Mas ela bem sabia que eu só emprestava a voz, ao sotaque do Porto, mais nada. Já não pertence ao mundo dos vivos, há bastantes anos, naturalmente...
Lembras-te, Nevitas? Já disseste das saudades desse tempo! Como é que não se pode recordar essa época, com imensa ternura, a imaginar a aldeia e a vida pacata e alegre que então se levava! Tão jovens que nós
éramos! Tantos anos se passaram! Da próxima vez que cá vieres temos que nos encontrar!...

(*) No texto original lia-se "mimosas". Mas há diferenças substanciais entre Mimosas (também conhecidas por acácias mimosas) e Acácias propriamente ditas. No post a seguir voltarei a falar das mimosas/acácias.

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2007/04/17

Em Covelas - Ribafeita

Covelas é uma das aldeias que fazem parte da freguesia de Ribafeita, entre Viseu e S. Pedro do Sul. Há uns meses atrás deixei uma nota neste blogue sobre o grande médico e escritor, Samuel Maia, que, no seu livro "Mudança d´Ares", ed. de 1916, descreve magistralmente toda esta zona. No trajecto do Rio Vouga, que se vê numa das fotos, ainda hoje existem as poldras a que Samuel Maia se refere naquele seu livro. A narrativa tem a ver com a travessia daquele rio dum grupo de amigos, a cavalo. Há um que escorrega nessas poldras e cavalo e cavaleiro caem à água. Risota geral, que se prolongou do outro lado do rio, e começo da íngreme subida representada pelas encostas quase a pique, sobre o Vouga.
Castanheiros, na ligação entre a Igreja paroquial de N. Sra. das Neves e Covelas

A capela da Sra. dos Remédios.


Já perto de Covelas, vista do Rio Vouga a serpentear no meio de bosques e penedos, por entre serras e montes...



A "Rua do Volta atrás" em plena aldeia de Covelas. A verdade é que, chegando-se a Covelas, só há uma saída: dar meia volta e regressar pelo mesmo caminho.

O silêncio de paz quase mítico da região alcandorada nos contrafortes destas ravinas escavadas em socalcos, ainda hoje aqui e ali cultivados e aproveitados para o pastoreio de ovelhas, empresta a este local uma sensação intensa de isolamento e de conformismo, que só quem estiver muito agarrado à terra e aos seus ares e olhares é que a conseguirá viver em permanência.
- Estamos a visitar a freguesia de Ribafeita. Já fomos ao Casal, a Ribafeita (zona da Igreja), agora Covelas.
Continuaremos proximamente com uma passagem por Lufinha
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2007/04/06

Continuando a visita à freguesia de Ribafeita - Viseu

RIBAFEITA (clic nas fotos para ampliar)
Chegados ao local da freguesia de Ribafeita onde está implantada a Igreja Paroquial de Nª Sra. das Neves, cuja fachada poente se observa em segundo plano, fomos, eu e o meu pai Daniel, ao cemitério, com dois objectivos, no que a mim me diz respeito: revisitar esta camélia, de que eu me lembro desde que me conheço e o sítio onde ficou sepultado o meu padrinho Serafim, recentemente falecido com 80 anos, irmão mais novo que era de meu pai.
Como se pode ver esta cameleira apresenta-se com uma boa envergadura e a sua idade é proveta, mais de 100 anos, com toda a garantia, segundo opiniões de diversas pessoas antigas nomeadamente o meu pai(na foto) com 83 anos.

Estamos no adro da Igreja. O painel chama a atenção para a figura de Madre Rita(1), recentemente canonizada pela Santa Sé, um icon religioso da freguesia. Em fundo pode admirar-se um belíssimo bosque de carvalhos, precedidos, na perspectiva, por um de pomar de pereiras.

Esta fonte fica perto da Igreja no caminho até à povoação de Ribafeita, propriamente dita. Convinha aconselhar os crentes que não era necessário vir para a igreja já com o "grão na asa"...conselho que eu sei que nem sempre era lá muito bem aceite. O meu tio Xis que o diga!
- Proximamente iremos até Covelas.

(1) pode ler-se "Perfil Pedagógico de Rita Lopes de Almeida" (Madre Rita), Ed. 2000, autora Maria Madalena Frade da Costa, Irmã da Congregação de "Jesus Maria José", precisamente fundada pela Madre Rita. Este trabalho foi apresentado na Faculdade de Teologia da Universidade Católica portuguesa para a sua Licenciatura em Ciências Religiosas. Tem uma Nota de Abertura do então Bispo de Viseu, D. António Monteiro, com data de 20 de Outubro de 1999.

2007/04/05

Uma visita à freguesia de Ribafeita - Viseu

CASAL

Fonte da Barroca - Casal - Ribafeita - Viseu - 4 de Abril de 2007 - dia de Sol - uma hora da tarde.
Esta fonte foi construída, na sua forma actual, em 1946, conforme está escrito, em baixo relevo artesanal ,na própria pedra de onde sai a bica. A água provém da serra, era muito usada para todos os fins. Actualmente, com a água canalizada e o saneamento, já poucas pessoas se servem daquele precioso líquido.

Não é por falta de receptáculo que o correio deixa de ser entregue no endereço correcto.
Se bem me lembro era esta a eira onde a minha avó Maria de Jesus (1883-1971) com a ajuda das suas filhas (Dores, Aurelina,Adélia, Cassilda,Encarnação) e homens que se contratavam ou, simplesmente, ajudavam, malhavam as espigas de milho e outros cereais e leguminosas, cevada e feijão, sei lá que mais. Lembro-me vagamente de ter experimentado um mangual (pode ser que ainda faça um desenho dessa ferramenta tal como me recordo, tantos anos passados...).

O que resta dos "espigueiros" de antigamente (activos até aos anos 70, mais coisa menos coisa), que eram os abrigos e secadores das espigas de milho, depois de desfolhadas. Tinham uma estrutura-base em pedra granítica aparelhada e o entaipamento era feito em finas tábuas de pinho que deixavam passar o ar para que as espigas secassem. Daqui seguiam para a eira para serem malhadas e os grãos secarem. Quantas vezes não se tinha que recolher o grão todo para o palheiro ao lado, por causa da chuva!

Em segundo plano pode observar-se um carvalho (carvalha como se dizia, aliás os meus pais têm um pinhal/carvalhal que se chama "carvalha". Quantas vezes é que já não ardeu nos fogos dos últimos anos!)

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Em próximos posts gostaria de vos mostrar outros aspectos desta freguesia da Beira Alta: comecei pelo Casal (terra onde nasci). De seguida iremos à zona da Igreja Paroquial de Ribafeita, com uma vista panorâmica deslumbrante sobre uma extensão enorme do Rio Vouga. Junto ao portão do cemitério, no seu interior, existe uma cameleira(*) digna de ser propagandeada; tem, seguramente, segundo me garante o meu pai, com 83 de idade, mais de 100 anos...sei lá quantos mais não terá?! Seguiremos para "Covelas" - lembram-se das notas anteriores sobre o Dr. Samuel Maia e o seu livro "Mudança d´Ares", ed. de 1916? - a terra da azeitona, a minha mãe, hoje com 82 anos, bem se lembra dos anos em que andou na apanha da azeitona, a calcorrear aqueles caminhos íngremes e pedregosos, sempre com o serpentear agreste do Vouga lá bem no fundo dos montes! Iremos à Lufinha ver a sua capela e o coreto inaugurado há pouco tempo. Passaremos por Gumiei, cuja Escola Primária frequentei, ainda que por poucos meses. Lembro-me bem da cana que o professor Américo tinha sempre à mão! Gumiei é uma aldeia com grandes tradições, muitos vestígios de casas senhoriais, agora votadas praticamente ao abandono! Requer uma reportagem especial em tempo oportuno!

(*) Tenho fotos para mostrar. Redescobri outra acácia, no Casal, nas traseiras do casario do Eirô (meio-do-povo), que terá a mesma idade!?...

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2006/11/26

Um livro de 1916 - Samuel Maia

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.Não conhece o médico e ilustre escritor Samuel Maia?
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Nome: Samuel Domingos Maia de Loureiro
Nascimento: 1874, Ribafeita, Viseu
Morte: 1951, Lisboa
Médico, romancista, poeta e dramaturgo

Em 1929, um artigo no parisiense "Le Figaro"(*) sobre os escritores mais importantes de Portugal refere-se a Eugénio de Castro, Augusto Gil, António Nobre, Aquilino, Samuel Maia, Lopes de Mendonça e Ferreira de Castro (FRANÇA: 129). Ou seja, o autor viseense gozava então de uma incontestável centralidade, o que, talvez por força dos modismos, até dos próprios profissionais da literatura, não se verifica na actualidade.
Também já me referi a Samuel Maia em post anterior.
Hoje volto a este assunto derivado a uma circunstância algo invulgar. Há dias recebi um e-mail com remetente que se identificou como sendo de Leça da Palmeira e que me anunciava que tinha de sua posse o livro “Mudança d´Ares” de Samuel Maia.
Muito gostaria de saber das voltas que este livro terá dado desde a data da sua publicação em 1916. O meu interlocutor refere-se ao espólio de uma herança e que tinha muita pena se este livro acabasse por ter um destino menos digno. Soube que eu me interessava pelo trabalho de Samuel Maia, através de tentativas ensaísticas publicadas na Net baseadas no trabalho de Martin Sousa. Por sinal, este investigador, na altura da publicação do seu trabalho, mostrava-se indeciso quanto à data da publicação deste livro: 1915?1916?
Resumindo e concluindo: aquele livro acabou por me chegar às mãos.
Foi com grande emoção que o folheei, muito velhinho mas conservado, com todas as folhas, capa e contracapa. Trata-se de um romance, muito entrelaçado com cartas de Lisboa para a Beira Alta e vice-versa. Foca interessantíssimos aspectos da vida daquela época, quer na cidade de Lisboa, quer nas terras do interior Beirão, centralizado muito na zona da freguesia de Ribafeita, em Viseu – segundo as minhas deduções, após a sua leitura.
Mandei-o encadernar, aqui em Leiria, numa oficina que tem um Mestre nesta arte, pessoa idosa, com uma sensibilidade para este tipo de trabalhos fora do vulgar. Diz que, lamentavelmente, já não há quem queira aprender aquela arte.
A minha emoção é mais particularmente intensa porque o Dr. Samuel Maia foi uma figura incontornável ligada à minha aldeia natal. Foi senhor da Quinta do “Cimo do Povo”, uma referência importantíssima para o lugar de Casal, ainda hoje, e que continua nas mãos de um seu neto.
Tempos houveram em que a população do Casal de Ribafeita vivia, numa grande medida, do trabalho "à jorna", nas terras do Dr. Samuel Maia, que eram muitas.
Ainda me lembro, nas minhas frequentes e prolongadas idas à aldeia, de ver grupos de mulheres a irem “para as ceifas” da cevada e do centeio. À noite juntavam-se todas numa grande sala, lá dentro uma grande mesa, na qual ceavam à farta.
Também fazia parte da “paga” a autorização para ir apanhar em determinado dia, cerejas das boas e vistosas cerejeiras, que havia nas ditas propriedades do Dr. Samuel Maia/herdeiros.
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(*) A referência, no documento guia, ao parisiense "Le Monde" só poderá ser entendida como um lapso do investigador com cujo trabalho me iniciei neste meu modesto estudo com as motivações que já expus. De facto, o jornal parisiense que circulava na época em análise chamava-se "Le Figaro", fundado em 1854 e que acompanhou de perto os movimentos literários do Naturalismo/Positivismo e do Simbolismo. Samuel Maia começou por ser um Naturalista convicto, bastando para isso reparar nos seus trabalhos sobre a vinha e o vinho, entre outros.
O "Le Monde" relacionando-o com o famoso jornal parisiense da actualidade foi fundado em 1944.
Agradeço também a ajuda preciosa de quem me tem dado umas dicas por e-mail.

Em tempo: (26 Out 2013):

Rntretanto, escrevi um livro "Falando de Acácio de Paiva", ed. da Junta de Freguesia de Leiria, 2013, em que faço vaárias referências a "Samuel Maia" pelas suas íntimas ligações literárias, jornalismo e amizade que manteve com Acácio de Paiva. Muito se pode ler consultando este blogue em "Acácio de Paiva" e, principalmente, o livro.
Brevemente, penso poder disponibilizar o livro on-line.