2007/10/13

Quinta de S. Venâncio - Leiria

Legenda: (fotos de Abril de 2007) (clic para ampliar)
1 - Portão de entrada do lado poente ("...acompanha a aludida estrada municipal até encontrar o portão da Quinta de S. Venâncio, junto ao quilómetro 0,980, e continua, depois, pelo caminho particular que atravessa aquela Quinta e se dirige para a sua estrada principal, situada na estrada nacional nº 856-2, junto ao quilómetro 10,130, nas proximidades da Quinta de Vale de Lobos, e, aí, desvia-se para sudoeste, por um caminho público..." conforme "Anais do Município de Leiria" - vol II -1993 - João Cabral ("limites da cidade de Leiria", de acordo com o Decreto nº 358/72 de 21.9,1972(*));
2 - Alameda de plátanos centenários desde o portão até ao edifício principal da Quinta, incluindo uma capela privativa (**);
3 - Fachada nascente do edifício principal da Quinta. Repare-se na imponência que se pressente terá sido a vida desta Quinta nos seus tempos áureos. (***)
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(*) O nº desta estrada está errado no "Anais..." pág. 62. Trata-se da Estrada Nacional 356-2. Daqueles erros de simpatia, que afinal são muito antipáticos.
Poder-se-á dizer que a entrada principal da Quinta de S. Venâncio ficará na parte mais a Sul da Rua de Vale de Lobos, que vai da Praça Rotária (Mc Donalds como é conhecida popularmente) atè à Quinta de Vale de Lobos, na Guimarota.
(**) Em próximo post voltarei para falar expressamente sobre esta capela; a capela de S. Venâncio. A sua história é muito interessante. Toda a Quinta também tem muito a ver com a história das invasões francesas. Como uma grande parte do concelho de Leiria, aliás.
(**a) - Ver Cedros centenários da quinta aqui
(***) No suplemento "Viver" - Jornal de Leiria - de 16 de Fevereiro de 2006, Damião Leonel, escreve mais uma das suas variadíssimas crónicas sobre Eventos históricos relacionados com Leiria, sempre muito bem documentadas e estruturadas. Desta feita, aborda a temática da "Quinta de S. Venâncio".Com base nesta crónica podem extrair-se algumas informações muito interessantes e de rigor, dados os contactos que este jornalista estabeleceu com elementos da própria família, como aliás me confirmou pessoalmente.Com a devida vénia do autor, comecemos, então, por uma fotografia que mostra a família Oriol Pena no palacete da Quinta, estávamos no séc. XIX, antes das invasões francesas (se se fizerem as devidas comparações com a foto 3, da actualidade, pode constatar-se que se trata duma cena junto à fachada nascente do palacete).
Esta quinta foi destinada inicialmente a Pavilhão de caça, até ao reinado de D. João VI. Entretanto, no decorrer das invasões francesas, é destruída, tendo os proprietários, os Oriol Pena, fugido para o Brasil. Só em 1886 ou 1889 é que a propriedade foi reconstruída e voltou a atingir os fulgores de outrora com Joaquim Xavier, que foi senador na Corte, homem culto e influente. Entre os visitantes ilustres desta Quinta contam-se o rei D. Carlos e a rainha D. Amélia e até José Relvas, proclamador da República em 1910, aqui esteve, talvez motivado pela sua paixão pela fotografia. Aqui foram instalados o telescópio, uma biblioteca e um estúdio de fotografia, tecnologia muito atraente e recente, que trouxe a esta Quinta vultos da ciência e das artes.
Este brasão, que passou a ser o brasão da família Oriol Pena está incrustado na fachada do actual Montepio Geral (Leiria - Rua Vasco da Gama) e é constituído pela simbologia das famílias Figuieiredo (à esquerda com 3 folhas verdes de figueira) e dos Mello (à direita). Neste edifício esteve instalado o Hotel Central, que ardeu num brutal incêndio em 1974 (antes da dita revolução dos cravos, esclareça-se). Constituiu o palacete dos Oriol Pena dos seus tempos áureos do séc. XIX. Também foi barbaramente saqueado pelos franceses aquando das invasões.
Todas estas famílias, Oriol Pena, Figueiredo e Mello, estão ligadas genealogicamente à família Charters d´Azevedo.
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Aditamento em 16 de Outubro de 2010
1891 -
A 27 de Dezembro o Districto de Leiria anunciava a inauguração do edifício do Grande Hotel Liz do capitalista alcobacense Francisco de Oriol Pena...
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NOVO ADITAMENTO - Cópia das minhas fotografias, usadas abusivamente sem qualquer referência da sua autoria (ver aqui) 7fev2012

7 comentários:

Tozé Franco disse...

Bonito local. Pena parecer que o edíficio e o espaço que o rodeia estejam votados ao aboandono...
Um abraço.

catarina disse...

ola

obrigado pela visita à minha vila de lumiere, na volta aproveito para conhecer alguns encantos da paisagem portuguesa que desconheço e que é deslumbrante.

Um abraço;

as-nunes disse...

Caro Tozé.
E quando vir a capela, nem que seja só do lado de fora, vai ficar encantado. Existe muito património religioso, cultural e da Natureza, completamente desconhecido e escondido.
Uma pena!
Abraço
António

Rui Caetano disse...

Leiria é muito bonito, já aí fui uma vez e gostei muito.

Flávio Texeira disse...

Ola colega!! Eu sou de Leiria e não conheço isso!!!

Nem nunca ouvi falar!

Onde fica?

Flávio

jose eduardo rodrigues silva disse...

Tive o privilégio de conhecer e frequentar a Quinta de São Venâncio, graças a Dona Benedita e sua irmã de quem angariei amizade. Para quem não saiba, havia muitos mapas onde poderia ver-se o verdadeiro territorial daquela família e que ia desde o edifício da quinta, incluindo toda a curvachia e mesmo até bem próximo de Fátima. Era também uma reserva de caça particular, onde só os autorizados podiam exercer esse desporto. Meu pai e eu fomos bafejados por tal dádiva que permitiu passarmos bons bocados incluindo piqueniques. Foi regedor da quinta o Sr. Chico Frazão de Famalicão e meu familiar. Ha histórias engraçadas, como a de uma velha campainha que supostamente estaria desligada e que de tempos em tempos, sobretudo no período soturno tocava. Chegaram a crer que se tratava de um fenómeno paranormal. Para quem não saiba a Senhora Dona Benedita era chefe dos escuteiros de Leiria na década de 70.

jose eduardo rodrigues silva disse...

Por esquecimento faltou um pormenor no meu comentário. Os donos da quinta de São Venâncio possuíam, ou teriam possuído grandes territórios na Índia, conforme era comprovado por mapas com inscrições com o nome da família.