2011/02/09

Batalha: Collipo - Palácio Randulfo - Casal do Freixo - S. Sebastião do Freixo - Quinta S. Sebastião



Há uns tempos atrás tirei algumas fotografias das actuais edificações ainda em pé, da muito referenciada Quinta de S. Sebastião, na estrada entre o limite da freguesia da Barreira e os lugares de Garruchas e Celeiro, logo a seguir aos lugares de Andreus e Palheirinhos (Barreira-Leiria).
Há muito que é conhecida a ligação da história deste local com a mítica Collipo, uma importante urbe Romana, da qual foram recolhidos alguns vestígios, o mais significativo dos quais será a estátua dum magistrado Romano encontrado nos anos 60 (agora à guarda do MCCB- Museu da Comunidade Concelhia da Batalha, recentemente inaugurado). E muitos outros, constituídos por moedas antigas, sabe-se lá do paradeiro da maior parte delas,  lajes com inscrições, algumas que foram utilizadas na construção do Castelo de Leiria (1) e, segundo se consta, noutras edificações das redondezas e até simples muros. Julga-se que muitos outros vestígios terão ficado soterrados para sempre já que a estação arqueológica que ali funcionou se encontra completamente desmantelada.
Segundo registos antigos, já no ano de 1142 (primeiro foral de Leiria, concedido por D. Afonso Henriques, em 1.5.1142), se fazia referência a um Palácio Randulfo, que tudo indicia, estivesse localizado, precisamente, nesta mesma referência geográfica.
A áurea de mistério em que ainda se encontra envolta a origem da Quinta de S. Sebastião, merecia um estudo mais aprofundado e da mais alta resolução.
Uma das melhores e mais actuais vias para se obter informações sobre esta Quinta há-de ser o livro "Villa Portela" (2) no qual se pormenoriza, no seu capítulo 3 - Os Henriques d´Azevedo, a forma como esta quinta se encontra intimamente ligada a várias famílias das mais ilustres e representativas de toda a zona de Leiria.
Nesta obra fica-se com a informação de que Manuel Henriques, que nasceu em casal do Freixo (depois Quinta de S. Sebastião) é o parente comum de várias famílias de Leiria, como os Lopes Vieira, os Veríssimo de Azevedo, os Charters d´Azevedo, os Carreira e, por sucessão, de todos os Henriques d´Azevedo.

O local, aqui revisitado, no cimo da colina, com o tempo referenciada com o nome de  S. Sebastião, onde hoje ainda existem algumas edificações habitadas, começou por ser Collipo.
O topónimo deste sítio passou, de acordo com o foral de 1142 e uma inquirição(3) de 1233, a ficar para a história, como Randulfo.
O topónimo «S. Sebastião do Freixo» teve origem na existência, no sítio de «Casal do Freixo» (antigo Palácio Randulfo), duma ermida em honra de S. Sebastião (que tinha boa renda, sendo que esta era recebida pela Fábrica da Sé de Leiria, segundo as célebres "Memórias Paroquiais" da Batalha, de 1758).

Será oportuno deixar aqui um apontamento sobre o  Visconde de S. Sebastião(4)José Maria Henriques d´Azevedo, a quem pertenceu, por herança, a já citada Quinta de S. Sebastião
Este título foi-lhe atribuído por mercê de D. Luís I, em 8 de Agosto de 1872.  
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notas:
(1) ler "Introdução à história do Castelo de Leiria" de Saul Gomes.
(2) ler "Villa Portela", Ricardo Charters d´Azevedo, ed. Gradiva 2007, pág. 73 e seguintes.
(3) Esta inquirição de 1233 refere a existência de uma propriedade da Coroa na região de Leiria, situada em «Palácio Randulfo», sensivelmente onde é hoje S. Sebastião do Freixo.
(4)
a) Existe em Leiria, em sua homenagem,  a  Rua 1º Visconde de S. Sebastião, que liga a actual Av. das Comunidades até ao entroncamento com a Av D. José Alves Correia da Silva;
b) Era proprietário de diversas propriedades nos arredores de Leiria. Destacam-se a Quinta de Vale de Lobos,  localizada na actual Estrada das Cortes, do outro lado a Quinta de S. Venâncio e a Quinta do Lagar de El-Rei, em cujos terrenos se encontram hoje instalados a Prisão-Escola de Leiria, A ESEL- Escola Superior de educação de Leiria e o IPL - Instituto Politécnico de Leiria.
(p. 83 do livro "Villa Portela" já referido em (2))

5 comentários:

Isabel Soares disse...

Gostei imenso de ler este seu texto. A minha curiosidade ficou ao rubro. Terei de visitar os sítios que refere. A Quinta de S. Sebastião é uma óptima sugestão para passeio, assim como o MCCB.
Bom fim-de-semana.

as-nunes disse...

Pois, minha boa amiga Isabel Soares, assumo que gosto de investigar sobre o que vou observando, como que a dar à manivela do carreto da cana de pesca a recuperar a linha, na extremidade talvez um peixe, um robalo de preferência, com vários kilos, tanto melhor.
Logo a seguir partilho com os internautas que aqui aportam inadvertidamente ou que me visitam, por amizade ou mesmo só por curiosidade.

Dá-me muito gosto saber que estes meus apontamentos possam ter algum interesse para quem os consultar.

Bom fim-de-semana, também.
ps;
Cheguei de Leiria, da Feira das velharias. Trouxe comigo 5 livros:
- O Canto e as Armas, Manuel Alegre, 1970
- Fábulas e Historietas, Acácio de Paiva, 1929
- Poetas de Coimbra, 1939
- 60 anos de Rádio em Portugal, RDP 1985
- Poesia de ontem e de hoje para o nosso Povo ler, MEN - José Régio, 1965

Isabel Soares disse...

Imagine que conheço uma louca(não vou dizer quem é porque não me acuso), que "metia o nariz" nos livros de um irmão que tinha, doze anos mais velho e já não tem porque morreu, que havia adquirido, por baixo do balcão da Livraria Martins, a primeira edição de "O Canto e As Armas"(1967).Como gostava muito de declamar e já aluna do primeiro ano do Magistério Primário de Leiria,foi escolhida para integrar a festa de recepção ao então Ministro da Educação Nacional, Dr. Hermano José Saraiva, no Convento de Alcobaça. "Só se for eu a escolher o poema" - foi a condição imposta. Aceitaram e a dita maluquinha em 1968, declama para o Sr. Ministro "Poesia-dia-a-dia", pág. 101 da minha edição, de Manuel Alegre, desertor do exército português, refugiado em Argel. Sempre há cada maluco... (neste caso maluca!)

as-nunes disse...

Nessa altura era mesmo uma aventura perigosa essa de recitar um poema de Manuel Alegre!

Era eu prof. na então Escola Industrial e Comercial de Leiria, aliás, em Julho assentei praça na Escola Prática de Infantaria, em Mafra. A experiência política que trazia era a de ter visto o meu prof. de História Geral e Económica, o Jofre, ser preso pela PIDE, no ex-ICP. Dizia-nos ele: podem comprar o livro oficial, mas as minhas aulas são dadas à minha maneira. Tomem apontamentos. O livro é uma aldrabice pegada!...
Tínhamos uma predilecção especial por aquele homem. O que terá sido feito dele?!...
No ano seguinte, 13 junho 1969, embarquei para Moçambique, entretanto tinha-me casado. A minha mulher Zaida foi ter comigo, já que eu era da Administração Militar e fiquei na cidade. Sem cunhas.
De qualquer modo também foi uma aventura.
Coisas de jovens, claro!...

carol disse...

Bem, o que eu gosto de ler estas histórias todas! Sobre os locais de Leiria e não só! Adoro História! Depois de acabar Germânicas, ainda fiz o 1º ano de História; mas depois vim para Leiria e acabou-se. Tudo.