2007/04/15

Regalos para os olhos - 1n

Um espinheiro em flor. Será o chamado "espinheiro-branco"(4) Crataegus monogyna Jacq. (Rosaceae). Virado a Norte, junto ao canil dos cães de cá de casa. (Actualização em 20/4/2007: correcção em post acima)
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A foto que apresenta não é do espinheiro-alvar. Parece-me ser de uma das várias Pyracanthas!(4)
Opinião de http://augustomota.multiply.com/ ,que teve a gentileza de me escrever. Revi a matéria e parece-me não haver dúvidas quanto a esta última classificação. 16-4-2007
A flor belíssima da pereira, tipo pera-rocha. Virada a Norte junto à parede de casa.

Será uma toutinegra? Ontem, à tarde, no meio duma carvalhita, no lote ao lado. Centro-Oeste de Portugal. Foto com objectiva a apontar para Norte.
Notas:
1) Espinheiro-alvar ou branco Crataegus monogyma é nativo da Europa, pode transformar-se numa árvore pequena e atingir 9 m. As suas flores brancas são fragrantes e abrem precisamente nesta altura do ano, no nosso país. Na Inglaterra esta floração dá-se à volta dos primeiros dias de Maio, daí se referir que são flores May Day (May 1). Dá um pequeno fruto vermelho que se pode manter até ao Inverno. (Botanica - by Random House Australia Pty Ltd - 2004).
2) Pereira Pyrus communis L. (Rosacea)
3)Toutinegra: faz parte do grupo das Felosas, toutinegras e rouxinói-dos-caniços. Pequenos migradores terrestres, insectívoros, de que o canto (chilro,gorjeio, trilo, trilado) , com frequência rico e melodioso, é a melhor identificação. (Aves de Portugal - 1978 Selecções do Reader´s Digest). Esta é uma designação comum a diversas aves passeriformes do género Sylvia, da família dos muscicapíde, encontradas na Europa, Ásia e África.(Dicionário Houaisse da Língua Portuguesa).
4) actualização em 17/4/2007
a)A foto dum espinheiro-alvar Crataegus monogyna pode observar-se no endereço http://augustomota.multiply.com/
b)Scientific classification
Kingdom:
Plantae
Division:
Magnoliophyta
Class:
Magnoliopsida
Order:
Rosales
Family:
Rosaceae
Subfamily:
Maloideae
Genus:
Pyracantha
In Wikimédia
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2007/04/14

mariola

Este é o gato da vizinha. Mas quando lhe cheira a petisco está sempre a postos. Os gatitos da ninhada do ano passado (de que já vos falei várias vezes) já o adoptaram como fazendo parte do grupo. Eu é que não estou a achar graça nenhuma ao assunto.
O mariola aí está, à coca!...

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Antigos Combatentes Portugueses

Mais um ciclo infernal da minha vida profissonal como TOC. Hoje é Sábado. O dia está bonito, cheio de Sol. Apetece andar na rua. Passear. Viver sem pressas. Sem prazos. Sem papéis e contas. Sem relatórios. Sem estatísticas. Ja é 1 e meia da tarde. Estou no escritório a pensar abalar daqui para fora, para já. Estou saturado.
Pus no leitor do computador, o CD de hoje, que vem com o "Público". Música Portuguesa. Daquela que ficou no ouvido das gerações de 60 e 70? Está a arrastar-me para a melancolia.
Antes de ir para a rua dei uma vista de olhos no jornal. No "EspaçoPúblico" ressaltou à minha vista um artigo assinado por João Mira Gomes, Secretário de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar. Escreve a lembrar a Memória dos portugueses sobre o significado de mais um Aniversário da batalha de La Lys, celebrada no passado dia 9 do corrente mês, Dia do Combatente Português.
E veio-me ao espírito questionar-me e às consciências em geral, do significado e da revolta emocional por tanta morte e sofrimentos inenarráveis dos combatentes de todas as guerras, em todos os tempos. E de todos os Zé Manéis Solipas que, não morrendo em combate, sofreram e desperdiçaram a sua juventude? E ficaram afectados na sua saúde psíquica e física para o resto dos seus dias! E, muitos, nessa sequência, acabam por morrer sem que isso pareça afectar a sensiblidade de quem tem a obrigação de zelar pelo equilibrado uso do poder legislativo sem o qual nada se pode fazer neste país. Como é da Constituição, aliás.
Por isso registei, com alguma expectativa, uma passagem da crónica do Snr. Secretário de Estado: "Também se está a trabalhar no regime mais geral dos Antigos Combatentes, através da revisão e regulamentação da Lei 9/2002.".
É que esta Lei já vem do tempo em que Paulo Portas detinha o mesmo cargo deste snr. secretário do actual Governo de Sócrates!
Não será tempo mais que suficiente para, duma vez por todas, se regulamentar com a justiça devida, esta Lei?
Que Deus nos oiça e inspire os homens que detêm o poder temporal de resolver esta questão candente dos Antigos Combatentes nas suas várias vertentes: rede nacional de apoio às vítimas de stress pós-traumático militar, correcção de injustiças na actualização de algumas pensões, contagem para efeitos de reforma da bonificação do tempo de serviço militar em zonas de intervenção operacional de 100%.
Não nos devemos esquecer que os últimos portugueses combatentes no ex-Ultramar já estão com 60 e mais anos! E que muitos, a maior parte deles, já nem sequer fazem parte do mundo dos vivos!
Haja moral! Faça-se justiça!

2007/04/13

É assim a Vida!

Morreu o Zé Manel

Vamos hoje, nós os familiares, amigos e colegas de trabalho, acompanhar o Zé Manel à sua última morada.
O Zé Manel tinha 57 anos de idade e trabalhava comigo há 16 anos. Um amigo que dificilmente se vai esquecer. Já se estava à espera deste desfecho...há uns meses. Acompanhámos o definhar inexorável da sua vida, sempre na secreta esperança (que nós sabíamos que também era a dele...) de que pudesse ocorrer um milagre, durante 6 meses... contados quase ao minuto...principalmente pela família.

Como em tantos e tantos casos, segundo MANDA a Natureza, Deus!
Nestas alturas a nossa memória como que se aviva. E recordamos! Recordamos muitas passagens das nossas vidas entrelaçadas pelas circunstâncias de cada momento.
Como andámos os dois na tropa, no tempo da Guerra Colonial em Moçambique, fins dos anos 60, tínhamos frequentes conversas sobre o que então passámos, especialmente ele. Parece que o estou a ver a calcorrear com o seu pelotão(**), debaixo de qualquer tempo, sob o olhar felino do adversário (aqueles que nos diziam na recruta e na especialidade, que era o IN(*) ), aqueles trilhos e picadas ao longo do caminho de ferro do Zambeze, a fazer a segurança daquela linha de comunicação e comércio, vital para os objectivos militares dos altos comandos, que ligava a cidade da Beira à Barragem de Cabora Bassa. A sede que, no decorrer das operações militares, lançados à sua sorte durante semanas, no mato, os obrigava a beber água nas piores circunstâncias imaginárias. Bem que levavam uns comprimidos para "tratar" a água mas nós bem sabemos a protecção que essa precaução lhes proporcionava. Os ataques de paludismo que teve de suportar, as mazelas que essa espécie de malária nos deixou no sitema hepático. Digo-o com experiência própria. Não integrei grupos operacionais de combate , mas sofri na pele os efeitos do clima, particularmente o paludismo. E não só eu, também a Zaida(3).

O Zé Manel morreu em consequência duma grave e irreversível doença do seu sistema hepático!
O José Manuel Solipa era um dos que faziam parte de Associações de ex-Combatentes, que têm continuado a luta pela defesa de alguns reconhecimentos do Estado pelas condições difíceis que vivemos em defesa da Pátria Portuguesa, aquela que Camões e Fernando Pessoa tão magistralmente cantaram e louvaram. Mas que também, como nós, os vivos (ainda!...), recriminamos pela falta de solidariedade para com aqueles que deram os anos áureos da sua juventude, quantas vezes a própria vida, em sua defesa!
Que, no mínimo, em honra dessas vidas sacrificadas, se olhe pelas condições de vida dos sobreviventes, uma grande percentagem a sentir problemas de saúde. E que cada vez somos menos, como podemos constatar todos os dias. Nem quero acreditar que seja esse o objectivo ao se adiar, sine-dia, várias questões reivindicadas pelas Associações de Ex-Combatentes.

Já agora, uma reivindicação básica: que se conte, para efeitos de aposentação e reforma (o Zé foi dos milhares e milhares que contribuiram financeiramente para o sistema de segurança social, sem qualquer retorno...) a bonificação do tempo de serviço militar prestado em zonas de intervenção a 100%. Aquelas em que morríamos em combate. E ficávamos feridos e estropiados! E não foram tão poucos como isso!
Muito mais(2) haveria para dizer da vida e do meu relacionamento com o Zé Manel!...

O resto ficará para outra altura...

Descansa em Paz, Zé Manel!...

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(**) Foi Alferes miliciano
(*) IN - inimigo
(2) O Solipa foi jogador de alto gabarito no Sport Clube Leiria e Marrazes (1965 a 1969?)

(3) Pois é. Também esteve em Nampula, enquanto prestei parte do meu serviço militar. Apesar de tudo, fui um privilegiado, que era da Administração Militar.

2007/04/12

Cemitério de árvores?

Nos arredores de Leiria. Mais uma urbanização. Estes sobreiros estão cortados, como se tivessem sido guilhotinados.
Qual será a ideia? Será este o primeiro passo para o abate definitivo? Ou será que, como que por milagre, se pretende recuperar este bosque?!...

Desta maneira?!

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2007/04/11

Árvores de Leiria - Ulmeiro (2)



Grande plano do pormenor das folhas e flores/frutos do Ulmeiro Pumila existente em Leiria, na Rua D. José Alves Correia da Silva, junto à Prisão Escola de Leiria. Neste local existem, pelos menos, dois ulmeiros desta espécie conforme a primeira foto.
Para mais especificações de carácter científico consultar atlas de leiria e dias-com-arvores
Estas fotos são de 10-04-2007 pelo que as comparações com os dados do "atlas de leiria" são relativamente difusas. O Atlas foi editado em 1992 mas é dum interesse científico, formativo e cultural, de extraordinário mérito. Também o blogue "dias-com-arvores" atrás referido, para mim uma referência incontornável e fiável na área da informação sobre botânica, emite a mesma opinião.
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Pode-se ver o Ulmeiro glabra em "dentro-de-ti-ó-leiria"
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2007/04/09

Protecção das dunas?!

(clicar em cima das fotos para ampliar)
Praia do Pedrógão, 8 de Abril de 2007.
Onde está o exemplo? Gasta-se o dinheiro em campanhas de protecção das dunas e de promoção da Praia do Pedrógão, concelho de Leiria, e o resultado está à vista!...
Será que o dinheiro necessário à manutenção desta zona se esgotou? Terá sido gasto com racionalidade?
Mais comentários para quê?
E esta foto não diz tudo o que de degradante se passa ao longo de toda a marginal do Pedrógão: passadiços destroçados, garrafas de vidro e outro lixo! Como se já não bastasse a deslocação desregrada das areias da zona Sul, deixando à vista, praticamente ao nível do mar na maré baixa, rochas em vez do volumoso areal doutros tempos!...

Efeitos das alterações climáticas? E a mãozinha do Homem?!...

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2007/04/08

Estado actual da blogosfera


A blogosfera está a morrer ou a evoluir?

Esta é a pergunta que o "público" coloca à discussão, no seu Suplemento "Digital" de Sábado, passado dia 17.
Acrescenta:
Muitos bloggers desistiram, mas a blogosfera não parou - evoluiu.
E remete-nos para a página 8.

Todos nós, os bloguistas, gostamos que os nossos posts sejam comentados, o que é perfeitamente natural, até para podermos aquilatar do possível interesse que os temas e informações que colocamos na Net despertam a quem nos lê. É gratificante saber que conseguimos integrar um grupo de leitores, normalmente eles próprios, também bloguistas, que nos lêm e nos vão incentivando a continuar, porque demonstram que apreciam o trabalho que estamos a apresentar, na esmagadora maioria dos casos, por simples gosto de partilhar, por carolice, enfim.

Nesta perspectiva, os autores deste trabalho do "público", esforçam-se por enumerar uns quantos conselhos a seguir pelos "bloggers" (expressão que gostam de utillizar) que, por os considerar de interesse, aqui refiro em títulos, para o caso de não ter tido oportunidade de ler o jornal:

- Os nomes são importantes
- Regularidade é bom
- Seja um bom vizinho
- Faça amigos
- Não seja tímido
- Tags e bookmaking
- Lembre-se do RSS
- Amigo dos motores de busca

Por mim, digo e repito: a minha intervenção* na blogosfera durará o tempo que durar o meu interesse e entusiasmo nesta maneira de estar em sociedade. Uma coisa é certa. Pela minha experiência das andanças pela Internet, seja através de sites propriamente ditos, seja através de blogues, constato que, desde que tenhamos o devido respeito pelos outros, todo o manancial de informação que vai ficando na Rede é útil e será, em mais ou menos casos, quantos com os quais nós nem sequer sonhamos, aproveitado pelos navegantes da rede global, sejam estudantes, analistas, investigadores, escritores, jornalistas, sei lá que mais.

"Todo o trabalho é Útil e Digno desde que executado com Carinho, Talento e Consciência".
* Escrevi uma resenha das minhas memórias de internauta de mais de uma década...(aqui)

2007/04/06

Continuando a visita à freguesia de Ribafeita - Viseu

RIBAFEITA (clic nas fotos para ampliar)
Chegados ao local da freguesia de Ribafeita onde está implantada a Igreja Paroquial de Nª Sra. das Neves, cuja fachada poente se observa em segundo plano, fomos, eu e o meu pai Daniel, ao cemitério, com dois objectivos, no que a mim me diz respeito: revisitar esta camélia, de que eu me lembro desde que me conheço e o sítio onde ficou sepultado o meu padrinho Serafim, recentemente falecido com 80 anos, irmão mais novo que era de meu pai.
Como se pode ver esta cameleira apresenta-se com uma boa envergadura e a sua idade é proveta, mais de 100 anos, com toda a garantia, segundo opiniões de diversas pessoas antigas nomeadamente o meu pai(na foto) com 83 anos.

Estamos no adro da Igreja. O painel chama a atenção para a figura de Madre Rita(1), recentemente canonizada pela Santa Sé, um icon religioso da freguesia. Em fundo pode admirar-se um belíssimo bosque de carvalhos, precedidos, na perspectiva, por um de pomar de pereiras.

Esta fonte fica perto da Igreja no caminho até à povoação de Ribafeita, propriamente dita. Convinha aconselhar os crentes que não era necessário vir para a igreja já com o "grão na asa"...conselho que eu sei que nem sempre era lá muito bem aceite. O meu tio Xis que o diga!
- Proximamente iremos até Covelas.

(1) pode ler-se "Perfil Pedagógico de Rita Lopes de Almeida" (Madre Rita), Ed. 2000, autora Maria Madalena Frade da Costa, Irmã da Congregação de "Jesus Maria José", precisamente fundada pela Madre Rita. Este trabalho foi apresentado na Faculdade de Teologia da Universidade Católica portuguesa para a sua Licenciatura em Ciências Religiosas. Tem uma Nota de Abertura do então Bispo de Viseu, D. António Monteiro, com data de 20 de Outubro de 1999.

2007/04/05

Uma visita à freguesia de Ribafeita - Viseu

CASAL

Fonte da Barroca - Casal - Ribafeita - Viseu - 4 de Abril de 2007 - dia de Sol - uma hora da tarde.
Esta fonte foi construída, na sua forma actual, em 1946, conforme está escrito, em baixo relevo artesanal ,na própria pedra de onde sai a bica. A água provém da serra, era muito usada para todos os fins. Actualmente, com a água canalizada e o saneamento, já poucas pessoas se servem daquele precioso líquido.

Não é por falta de receptáculo que o correio deixa de ser entregue no endereço correcto.
Se bem me lembro era esta a eira onde a minha avó Maria de Jesus (1883-1971) com a ajuda das suas filhas (Dores, Aurelina,Adélia, Cassilda,Encarnação) e homens que se contratavam ou, simplesmente, ajudavam, malhavam as espigas de milho e outros cereais e leguminosas, cevada e feijão, sei lá que mais. Lembro-me vagamente de ter experimentado um mangual (pode ser que ainda faça um desenho dessa ferramenta tal como me recordo, tantos anos passados...).

O que resta dos "espigueiros" de antigamente (activos até aos anos 70, mais coisa menos coisa), que eram os abrigos e secadores das espigas de milho, depois de desfolhadas. Tinham uma estrutura-base em pedra granítica aparelhada e o entaipamento era feito em finas tábuas de pinho que deixavam passar o ar para que as espigas secassem. Daqui seguiam para a eira para serem malhadas e os grãos secarem. Quantas vezes não se tinha que recolher o grão todo para o palheiro ao lado, por causa da chuva!

Em segundo plano pode observar-se um carvalho (carvalha como se dizia, aliás os meus pais têm um pinhal/carvalhal que se chama "carvalha". Quantas vezes é que já não ardeu nos fogos dos últimos anos!)

-

Em próximos posts gostaria de vos mostrar outros aspectos desta freguesia da Beira Alta: comecei pelo Casal (terra onde nasci). De seguida iremos à zona da Igreja Paroquial de Ribafeita, com uma vista panorâmica deslumbrante sobre uma extensão enorme do Rio Vouga. Junto ao portão do cemitério, no seu interior, existe uma cameleira(*) digna de ser propagandeada; tem, seguramente, segundo me garante o meu pai, com 83 de idade, mais de 100 anos...sei lá quantos mais não terá?! Seguiremos para "Covelas" - lembram-se das notas anteriores sobre o Dr. Samuel Maia e o seu livro "Mudança d´Ares", ed. de 1916? - a terra da azeitona, a minha mãe, hoje com 82 anos, bem se lembra dos anos em que andou na apanha da azeitona, a calcorrear aqueles caminhos íngremes e pedregosos, sempre com o serpentear agreste do Vouga lá bem no fundo dos montes! Iremos à Lufinha ver a sua capela e o coreto inaugurado há pouco tempo. Passaremos por Gumiei, cuja Escola Primária frequentei, ainda que por poucos meses. Lembro-me bem da cana que o professor Américo tinha sempre à mão! Gumiei é uma aldeia com grandes tradições, muitos vestígios de casas senhoriais, agora votadas praticamente ao abandono! Requer uma reportagem especial em tempo oportuno!

(*) Tenho fotos para mostrar. Redescobri outra acácia, no Casal, nas traseiras do casario do Eirô (meio-do-povo), que terá a mesma idade!?...

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2007/04/03

Largo da Sé em Leiria - 1974-2007

Venho do "dentro de ti ó leiria" onde acabei de dar entrada duma nota sobre o que era o Largo da Sé em 1974. A fotografia que lá postei é da minha autoria, tirada com a minha velhina Kodak Retina S1 (de 1966) e pretende ser uma referência para se comparar com o que é hoje o mesmo sítio. A minha maior zanga, já remonta ao ano de 2000 e tem a ver com o abate injustificado e brutal das árvores que ornamentavam aquele local. Ainda hoje não me conformo com a arbitrariedade que foi cometida na altura.
Senão veja-se:

Não me vou repetir. A reportagem, o mais sintética que me foi possível, sobre este massacre, está publicada no supradito blogue. Só poderei acrescentar que, na altura, este assunto foi para a imprensa regional, mas contra a força das "autoridades" parece não existirem argumentos!
Toda esta brutalidade para que o Largo ficasse assim:

Modernices, ensaiar o moderno, embrulhando o património cultural duma cidade e que remonta a datas longínquas, em papel atraente mas que dificilmente é compatível com o seu significado histórico incontornável, não me parece constituir uma boa solução. Talvez que se possa mostrar com um desenho bonito à vista actual. Mas, e o ambiente histórico e cultural da época, numa zona carismática do Centro Histórico de Leiria, não conta para nada?
Seguindo esta lógica porque não ir ao castelo de Leiria, arrancar todo o empedrado do tempo em que se andava a cavalo e a pé, quando muito de carroça e substituí-lo por pedrinhas de calcário a fazer desenhos bonitos no chão?

2007/04/02

Tempo incerto!

O tempo anda assim a modos que esquisito. Dizemos e também constatamos nós. Ora faz sol a rodos. Ora chove. Ora desce a temperatura. Ora sobe a temperatura.
Ora bolas, digo eu! Sabia bem uns bons dias de Sol. Até porque tirei esta semana de férias e farto de casmurrices ando eu!
Stop à chuva. Luz verde para o Sol!...
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Pois..."Sol na eira, chuva no nabal"...
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Esta foto foi tirada, hoje, em Leiria, estava o sinal vermelho duns semáforos a passar para verde. Saquei da máquina fotográfica, ali mesmo ao lado, disparei no preciso momento em que o sinal estava a passar para verde.
Parecia um duelo ao pôr do sol...
Pode ser que haja coincidências...para contrariar os Meteorologistas, que prevêm para amanhã chuva. Tanta chuva este ano e tão pouca que ela foi nos últimos anos!...
É como o dinheiro! Está muito mal distribuída!

2007/03/30

15.000

O meu contador de visitantes da http://www.digits.com/ acabou (30-3-2007) de marcar o número interessante de 15.000. Este contador tem a particularidade de contar somente uma vez por dia, o mesmo visitante, incluindo o autor.
Vim para o mundo dos blogues no princípio de 2006, ainda que tenha andado em testes já desde Novembro de 2005. Devo frisar, no entanto, que já participo (aqui), desde 1998, duma forma activa, na Net, através de variadíssimas páginas Web por mim construídas, duma forma primária é certo, mas sempre com a intenção e emoção de dar o meu modesto contributo para a evolução desta impressionante tecnologia das comunicações e para a infinita abrangência da grande base de dados, que se encontra à nossa disposição em toda a World Wide Web.
Entusiasmei-me com este modo de comunicar com pessoas de todos os quadrantes geográficos e sociais. Sinto que estou a conseguir integrar-me numa tertúlia, talvez mais que uma, com amigos quase todos virtuais, que mal os conheço, aliás, fisionomicamente não conheço a maior parte deles/as, mas começa a ser como se os estivesse a ver, a observar os seus gestos, a sentir-me bem à conversa com eles, quantas vezes a trocarmos ideias e imagens que nos dizem muita coisa interessante.
Sinto-me feliz, rodeado deste mundo de amigos “virtuais”, alguns que já não considero assim tão virtuais como isso.
Provavelmente como a maior parte dos bloguistas amadores, experimentalistas, curiosos no uso desta fenomenal ferramenta que a Net nos está a colocar aqui mesmo à nossa mão, quase que nem necessitamos de saber nada de informática, basta termos a noção do que é navegar na Rede Global, etérea e quantas vezes quase isotérica, tenho momentos em que me interrogo se consigo desempenhar algum papel de alguma relevância, que valha a pena, que acrescente algo ao que se anda a fazer…
…De interrogação em interrogação aqui ando neste mar, ora revolto, ora chão, ora soprado por uma brisa inconstante, dispersa…
DISPERSAMENTE… ................aqui me encontrarão até concluir que é tempo de zarpar, emalar a roupa e rumar para outras paragens!
Por enquanto sinto-me bem, aqui!…
Este texto saiu-me assim, num repente, emocional, edição simples, sem imagem, sem som...

Talvez que ainda aqui coloque alguma imagem, foto(1)(2)(3).
Gosto imenso de fotografar. Aliás, se não fosse a fotografia, instantânea, sem retoques de photoshop e outros que tais, tenho a impressão que não conseguiria arranjar inspiração para nada de jeito, do meu jeito, em jeito de experiências, sentimentalão, rezingão, resmungando aqui e ali...
Muito obrigado pelas vossas visitas, pelos vossos comentários. Talvez que um dia destes possamos encontrar-nos na vertical de algum lugar físico, frente a frente, olhos nos olhos, de viva voz, talvez!…
Um grande abraço para todos os que me lerem!
Até já...

Leiria-Portugal, 30/31 de Março de 2007, 1 de Abril de 2007
António Nunes
(1) A cerejeira do meu jardim, em flor
(2) Da janela do meu quarto, 1-4-2007

(3) Um melro a cantar, empoleirado nas antenas da minha estação de radioamador. O melro é um cantor de mérito, de melodias sensíveis e sonoras ao mesmo tempo. 1-4-2007.


2007/03/29

Adeus...

(clic em cima da foto para ampliar - vale a pena)

O Rossio, ou seja a Praça da República, em Viseu, hoje, aí pelas 3 e meia da tarde. Nos meus tempos de menino e moço, fartei-me de correr e saltar por estes lados, hoje vi-o muito despido, algo desconfortável. A temperatura até estava agradável atendendo a que tinha chegado de Leiria.
Vim ao enterro do meu tio e padrinho, Serafim, 80 anos. Daqui seguimos para o Casal de onde o cortejo fúnebre seguia até ao cemitério de Ribafeita, sede da freguesia. E lembrei-me, como se fosse hoje, dos tempos do folar que o meu padrinho me dava, depois de cumpridos os ritos que mandava a tradição: deite-me a sua benção, meu padrinho; Deus te abençoe, meu rapaz. E lá vinha aquela nota mágica de 20 paus...
Adeus padrinho, descansa em paz!...

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2007/03/28

Outdoors a conspurcar o ambiente

(clicar em cima da imagem para ampliar)

Não me quero manifestar a favor ou contra o sentido e alcance políticos das palavras de ordem contidas no outdoor da fotografia.
Manifesto-me, isso sim, veementemente - como já o fiz em relação a placards colocados noutros locais estratégicos da cidade de Leiria - contra a sua localização. Na minha opinião, os partidos políticos não se podem arvorar o direito de desvirtuarem a aparência duma cidade com estes monstros propagandísticos instalados em sítios que nos perturbam, a nós, cidadãos que nos queremos livres de apreciar a urbe onde vivemos, trabalhamos e/ou que visitamos.
Penso que nos devíamos manifestar mais e reivindicar para que esta forma de propaganda fosse banida duma vez por todas.
Tanto dinheiro que se gasta para dotar uma cidade de um bom visual e de equipamentos (rotundas, fontes luminosas com repuxos de vários estilos, jardins com árvores para nos ajudarem a manter o nosso equilíbrio emocional, rio e margens requalificadas a rigor) para, de seguida, nos taparem o olhar com estes gigantescos outdoors a impingirem-nos meia dúzia de slogans políticos e às vezes também de natureza comercial!
Não posso concordar com esta actuação dos partidos políticos, pelos vistos com o beneplácito dos órgãos representativos do Município (Câmara e Assembleia Municipal) e até da própria Junta de Freguesia, que tinham o dever de imporem mais rigor nesta matéria.
Eu prefiro olhar e ver a cidade...sem "tapumes"!
-
ps: 29/3/2007 - pelos vistos, em Lisboa, o PNR (Partido Nacional Renovador) também colocou um painel monstro em local destacado e público, a apelar a atitudes xenófogas. A rádio está a falar muito neste cartaz e das suas intenções...
Já se está a levantar a questão da Constitucionalidade da campanha que este partido está a querer levar avante:
O Partido Nacional Renovador (PNR) lançou uma campanha contra os imigrantes em Portugal, afirmando que não podem ser apoiadas políticas que promovam a Imigração enquanto “houver portugueses a viver na miséria”.
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2007/03/27

TEATRO - Dia Mundial

Comemora-se hoje o "dia Mundial do Teatro". Arte tão antiga que se perde na memória dos tempos!
Mas como gosto de recordar o "nosso" Gil Vicente, fundador do teatro nacional; e de como adorei, com os meus 15 anos, o "Auto de Mofina Mendes"!
E D. João da Câmara, grande poeta e dramaturgo português. Foi há mais de 40 anos que vi, pela primeira vez, representada a sua peça "Os Velhos". Inesquecível! Tive então a honra de ver trabalhar grandes Senhoras e Senhores do nosso teatro: Amélia Rey Colaço, Josefina Silva, Canto e Castro, Raul de Carvalho e outros igualmente grandes.
Mas este é o Teatro "Arte". Porque, afinal, não será o Mundo um enorme teatro? E os homens, fabulosos actores? É só olharmos à volta! Os ricos fingem que, coitados deles, estão na miséria; e, pior ainda, os pobres, fingem-se ricos e endividam-se cada vez mais!
Os parvos a fingirem-se de espertos; os espertos fingindo-se de parvos...
Os incultos a fingirem-se cultos, os maus fingindo-se de bons, os políticos fingindo-se de sérios...E há os que se fingem de loucos, os que se fingem de filantropos, os que se fingem de doentes...
Estou a lembrar-me do grande Molière, do seu "Doente Imaginário", de "Le Bourgeois Gentilhomme"...
E daquele "personagem" tão presente por esse mundo fora:

LAMBE BOTAS

Lambe-botas é criatura
Que existe por todo o lado
Por fora pelo macio
Mas com ferrão afiado.

Com muitos salamaleques
Voz meiga e algo melosa
Vai convencendo meio-mundo
De boa e prestimosa.

Mas por trás, oh meus amigos,
Cuidado com o Lambe-botas!
Se isso lhe convier
Espeta-vos o ferrão nas costas.

Mas mesmo assim, podem crer,
Muitos o valorizam bem
Porque só o Lambe-botas
Os fazem sentir alguém.

Zaida
Texto e poema

-
Esta colaboração acaba por se apresentar como uma oportuna deixa para vos falar dum Teatro que houve em Leiria, o Teatro D. Maria Pia. Demoliram-no em 1956. Uma brutalidade que nem sei como é que está tão esquecida da memória dos Leirienses.
Aliás, é inadmissível que, até hoje, nada tenha sido feito pelas autoridades administrativas deste concelho para perpetuar a memória da existência e o que foi a excelente acção daquele Teatro em Leiria. Parece-me a mim que haverá memórias que incomodam ainda hoje e que tudo se tem feito no sentido de as riscar da história.
Insensatos! A história não se apaga administrativamente!...
Em próxima entrada voltarei para falar com mais pormenor sobre este episódio rocambolesco da história da cidade de Leiria.
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2007/03/26

Os pinos de ferro galvanizado do Largo da Sé, em Leiria, grandes amigos que eles são dos bate-chapas e das fábricas de tinta para automóveis!
É certo que a ideia é desmotivar as pessoas a andar de automóvel nesta zona, mas a alternativa, que seria motivá-las a frequentá-la em passeios a pé, está a ser conseguida? Está patente que não e que não se antevê uma luzita que seja ao fundo do túnel para animar o Centro Histórico de Leiria, durante o dia. O comércio bem se queixa e luta com bastantes dificuldades! Não se pode estacionar, diz que. Mas só durante o dia, que à noite, para o pessoal ir para os bares e cervejarias vale tudo!
Vá-se lá entender isto. Para trabalhar ou nos portamos segundo as posturas municipais de trânsito ou levamos com a respectiva multa (a não ser que se pague com língua de palmo o estacionamento, privado e camarário, com polícia privativa e tudo); já para a folia da noite, fecha-se os olhos, faz-de-conta que não há regras...
É assim a vida?!

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Tenacidade...

Como é que esta florzinha (?!) consegue resistir num recanto citadino onde passam carros constantemente e as pessoas se movimentam, num remoinho permanente e saltitante entre a calçada da rua e o passeio?...

Largo Paio Guterres, ou Largo do Gato Preto, ex-Largo de S. João, Leiria, hoje.

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2007/03/22

Dia mundial da Água - Centenário de Miguel Torga

Leiria, 10 de Abril de 1940

Visita

Fui ver o mar.
Homem de pólo a pólo, vou
De vez em quando olhá-lo, enraizar
Em água este Marão que sou.

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Da penedia triste
Pus-me a olhar aquele fundo
Dentro do qual existe
O coração do mundo.

E vi, horas a fio,
A sua angústia ser
Uma espécie de rio
Que não sabe correr.

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Comemora-se precisamente hoje o Centenário do Nascimento do grande Miguel Torga. Em Coimbra vai ser instalado uma Casa-Museu, na casa onde residiu enquanto médico a exercer nesta cidade, que vai acolher uma parte importante do seu espólio pessoal, doado por sua filha.

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Eu andava com ideias de inserir uma nota neste blogue alusiva ao facto de hoje se estar a comemorar o Dia Mundial da Água. Tenho, inclusivamente, uma significativa reportagem fotográfica(*) sobre a zona requalificada recentemente, da ponte dos Caniços, em Leiria. Aliás, nessa zona está também a ser recuperado, no âmbito do Programa Polis, o primeiro Moínho de Papel que existiu em Portugal. A sua inauguração está prevista para dentro de alguns meses. A propósito, estive presente, na passada Sexta-Feira, nas instalações do antigo Banco de Portugal, na sessão de abertura da exposição "Água com Humor" - úma boa síntese do V PortoCartoon, que recebeu de todo o mundo autênticos rios de humor, disse, na oportunidade, Luís Humberto Marcos, director do
Museu Nacional da Imprensa. Na troca de informações que se seguiu com a Presidente da Câmara Municipal de Leiria, ficou apalavrada a possibilidade muito real de se vir a estabelecer em Leiria um núcleo museológico com um espaço de exposições para o Museu da Imprensa. O que não será nada de espantar, dado que Leiria, em conjunto com Faro, foram as primeiras do País dotadas de tipografias (ver).

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(*) Esta reportagem pode ser observada em "dentro de ti ó leiria".

:: o poema de Miguel Torga acima transcrito consta do livro "ANTOLOGIA POÉTICA" - Ed. Publicações Dom Quixote - 6ª edição-2001

2007/03/21

Dia mundial da Poesia e da Árvore

Há quem argumente que as árvores dentro do Castelo de Leiria, estão a destoar, que não será aquele um habitat apropriado a tantas e frondosas árvores. Ainda que se possa admitir que aquela área do Castelo teria sido, em tempos recuados, uma zona de cabeço árido, sinto em mim um doce enlevo quando olho para aquele excepcional ponto de referência de Leiria e vejo todo aquele arvoredo, matizado de várias cores, sob o encantamento do cantar de aves de todas as espécies, desde o pintassilgo, passando pelo melro e pelo rouxinol. Uma moldura da Natureza a alindar ainda mais o ex-libris desta cidade.
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“Balada do encantamento”

Dentro de ti, ó Leiria
Vive uma moira encantada,
Não sabe ser minha amada,
E tem por nome Maria.

Leiria foste um ladrão
Leiria do rio Lis.
Roubaste-me o coração
E, vê lá tu, sou feliz.

Letra e música de
D. José Pais de Almeida e Silva

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O meu Jardim Encantado

Vou-vos contar um segredo
Que não quero mais esconder
Ele é tão belo, tão belo
A todos o vou dizer.
.
Tenho no meu coração
Um jardinzinho encantado
E nele há lindas flores
Que com muito amor eu guardo.
.
Uma rosa linda e esbelta;
Um cravinho bem escorreito;
E um botãozinho tão lindo
Verdadeiro amor-perfeito.
.
São autêntica preciosidade
Da mais rara e da mais fina!
Os meus netinhos Guilherme
Mafalda e Carolina.

A avó Zaida
21mar2007

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Dança do vento

O dia estava tão triste!
O sol tinha fugido,
O dia estava a chorar!

E eu no jardim sentada
Com aquele dia sofri
Com ele pus-me a chorar.

O vento passou por mim
E com espanto eu ouvi
Doce música a tocar.

Com o “dançarino do vento”
O vento se foi juntar
E a música que eles tocavam
De anjos me fez lembrar.
E juntos eles dançavam
Um ballet belo e profundo
E eu percebi que bailavam
Com as energias do Mundo.
Ali me deixei ficar
A ouvir a sua música
A ver os dois a dançar.

E quando em mim reparei
Eu já não estava a chorar.
Já não me sentia triste
E dei comigo a cantar.


Zaida

2007

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Um contributo singelo do "Dispersamente"...


Aos Poetas de todo o lado:


Leiam o CONVITE e REGULAMENTO da I Antologia de Poetas Lusófonos!

2007/03/20