2011/09/24

A idade da Poesia



O Snr. Manuel . tem 97 anos. Faz parte do grupo de poetas de Alcanena, coordenação da Biblioteca Municipal desta vila Ribatejana.
Hoje, 24 de Setembro de 2011, um Sábado, durante praticamente toda a tarde, estivemos em tertúlia a tentar acompanhar a obra de Ana Luísa Amaral. Para autodidactas, na sua maioria, a tarefa não é fácil, mas constituiu um desafio emocionante.

No que me toca, foi mais uma experiência gratificante na minha caminhada - serôdia, talvez - para aprender a apreciar os variados estilos de poetas das mais díspares correntes literárias e artísticas. Acresce a todas estas dificuldades, uma outra - quiçá a mais complicada - que reside no facto de que Ana Luísa Amaral dedica uma boa parte da sua actividade a investigações Poéticas Comparadas.
Como sempre acontece, a coordenação destes encontros prepara uma brochura com a biografia e uma amostra da obra literária do autor, previamente seleccionado, a sugestão tomada por consenso dos participantes.

No final, como é hábito, os participantes lêem poemas de sua própria autoria, alguns escritos no momento e/ou expressamente para este efeito.

O poema cujo manuscrito se reproduz acima, do Snr. Manuel ., é assim:

Desce do céu meu amor
Vem abrandar a dor
Que me aflige e tortura
Que me há-de fazer sofrer
Enquanto eu viver
Até ir p´ra sepultura

Agora quando na tua rua eu vou a passar
Fito sempre o meu olhar
Na casa onde tu moravas
Mas não te vejo lá sorridente
Donde às escondidas da tua gente
Uns papelinhos me atiravas

Esses papelinhos eu ia apanhar
Mas só depois de espreitar
Se estava alguém na rua
Os lia com sofreguidão
Alegrava-se-me o coração
Com a forma como te assinavas - sou tua
-
Como ficar indiferente a tanta espontaneidade e singeleza de um poeta com quase 100 anos de vida, a evocar (talvez) a sua primeira, quem sabe, a única namorada da sua vida?!...
@as-nunes

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5 comentários:

Flor disse...

poesia, sempre bom!

as-nunes disse...

Olá Flor,

Como conceber a vida sem poesia?
Ela própria é um poema. Épico, pois então!...

greentea disse...

que delicia de poema e que horror esses amores contrariados de outrora , essas proibições !!!

Eduardo Miguel Pereira disse...

Delicioso Nunes, simplesmente delicioso.

Obrigado pela partilha.

carol disse...

Que coisinha tão querida! Tão doce! Tão fresca apesar da presença breve da saudade e ... da morte.

Muito bonito!